A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (CGRI) concluiu um ciclo de exercícios militares de cinco dias e cinco noites em sítios operacionais ao redor de Teerã. O objetivo declarado foi preparar suas forças para enfrentar qualquer ameaça em qualquer terreno.
As manobras foram lideradas pelo general Hassan Hassanzadeh e envolveram a integração das forças aéreas, navais e terrestres da República Islâmica em cenários de combate combinado. Os exercícios foram realizados em múltiplos pontos estratégicos nos arredores da capital iraniana, com ênfase na capacidade de resposta rápida.
Conforme reportado pela RT Actualidad, a coordenação entre diferentes ramos das forças armadas foi um dos focos centrais das operações. O canal Press TV também divulgou imagens das manobras, descrevendo-as como treinamento voltado à prontidão operacional diante de possíveis agressões externas.
A escolha de realizar os exercícios em torno de Teerã — e não apenas em zonas de fronteira — carrega uma dimensão estratégica relevante. A CGRI demonstra capacidade de defender o coração político e administrativo do país em caso de ataque direto.
O general Hassanzadeh, ao liderar pessoalmente as operações, reforçou o caráter de comando unificado das forças em campo. Sua presença nas manobras sinalizou o nível de prioridade atribuído ao exercício pela cúpula militar iraniana.
A integração ar-mar-terra reflete uma doutrina de defesa que a República Islâmica vem aperfeiçoando ao longo dos anos. Ela combina mísseis balísticos, drones de combate e forças navais capazes de atuar no Golfo Pérsico e no Mar de Omã.
O treinamento com drones de ataque, incluindo modelos de uso único, também foi registrado durante o período das manobras. Esse componente evidencia o avanço contínuo da indústria bélica iraniana, que mantém sua capacidade operacional a despeito das pressões externas.
O contexto regional é de pressão acumulada sobre Teerã, com tensões diplomáticas e militares envolvendo os Estados Unidos e Israel. A CGRI tem respondido a esse cenário com demonstrações regulares de capacidade operacional, mantendo o ritmo de treinamento mesmo em períodos de negociação.
As manobras se inserem em um padrão mais amplo de exercícios que o Irã vem realizando de forma consistente. O general Hassanzadeh declarou, ao término das operações, que as forças da CGRI estão preparadas para responder a qualquer ameaça em qualquer terreno.
Com informações de ACTUALIDAD.
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Ana Karine Xavante
12/05/2026
É impressionante como a coreografia militar iraniana ecoa tão perfeitamente o que a gente vê no Brasil: gastos bilionários com tanques e mísseis enquanto os territórios indígenas sangram com garimpo ilegal, desmatamento e violência rural. O João Augusto mandou bem ao citar Gramsci – a encenação da força serve exatamente para mascarar a fragilidade interna do regime. Aqui, nossos generais desfilam com blindados no 7 de Setembro enquanto o Congresso aprova o marco temporal e reduz a Funai a um balcão de entregas.
O que me assusta nessa lógica militarista é que ela nunca combate a verdadeira ameaça: o colapso climático. Enquanto a Guarda Revolucionária ensaia batalhas no deserto de Teerã, o Irã sofre com secas históricas que deslocam populações inteiras – e o Brasil repete o mesmo erro ao financiar defensivas agrícolas em vez de proteger a Amazônia. O inimigo real não é um país vizinho, é o modelo extrativista que transforma a terra em mercadoria.
O Rodrigo RedPill falou em “pauta identitária” como se defender povos originários fosse frescura. Pois eu pergunto: quem conhece o território melhor do que os indígenas que o habitam há milênios? Quando o MST ocupa um latifúndio improdutivo ou quando o povo Xavante retoma sua terra, isso não é identitarismo – é luta anticolonial pela soberania alimentar e climática. A Guarda Revolucionária iraniana oprime mulheres e persegue curdos. Não é esse o modelo que queremos importar.
No fundo, tanto Irã quanto Brasil são periferias do capitalismo global que reproduzem a violência estrutural do Norte. A diferença é que aqui a gente ainda pode gritar: enquanto houver floresta de pé, há esperança. Mas para isso precisamos desmontar essa máquina de guerra que desvia recursos da saúde, da educação e da demarcação de terras. Nenhum míssil vai nos salvar da emergência climática – só a aliança entre povos indígenas, movimentos sociais e uma esquerda que não tenha vergonha de ser radicalmente ecológica.
Márcio Torres
12/05/2026
Um exercício de cinco dias no deserto ao redor de Teerã, com direito a fotografia de um soldado segurando um projétil: eis a receita padrão de regimes que precisam vender a ideia de que estão no controle. O Irã, como qualquer outra teocracia militarizada, sabe que a coreografia bélica funciona como analgésico para a crise de legitimidade. Enquanto a economia iraniana derrete com inflação de dois dígitos e desemprego estrutural, a Guarda Revolucionária consome cerca de 30% do PIB em gastos militares e paraestatais — um dado que o Banco Mundial e o FMI repetem há anos, mas que raramente aparece nos discursos ufanistas. Manobras como essa não preparam o país para nenhuma ameaça real; preparam a população para aceitar o estado de exceção permanente.
O que me intriga é a credulidade com que alguns comentaristas aqui tratam a narrativa de “propósito estratégico”. Vamos aos fatos: a CGRI não é uma força de defesa nacional, é um partido armado que responde exclusivamente ao Líder Supremo. Sua atuação no teatro sírio, no Iêmen e no Líbano gerou mais instabilidade do que segurança para o Irã. E, domesticamente, a repressão de 2022 ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade” mostrou que os tanques são virados para dentro. Gastar bilhões em mísseis balísticos e drones não protege a população da pobreza, da falta de água potável ou da censura digital. É puro custo de oportunidade: cada real investido em propaganda militar é um real que deixa de ser investido em infraestrutura, saúde ou educação.
Ao contrário do que sugere a lógica simplista de “se preparar para ameaças”, esses exercícios servem a um propósito mais cínico: sinalizar para os aliados regionais (Hezbollah, milícias iraquianas, houthis) que o regime continua de pé, e para os dissidentes internos que a força bruta ainda é a resposta. O problema é que essa estratégia tem prazo de validade. A Coreia do Norte mantém o mesmo script há décadas, mas à custa de um isolamento total e de um sofrimento humano indescritível. O Irã não está numa bolha tão hermética: a internet, as migrações e a própria diáspora iraniana expõem as contradições. Cedo ou tarde, a população vai se perguntar por que os mísseis funcionam tão bem enquanto o pão encarece.
No fim, o que estamos vendo é um ensaio de hegemonia que esconde a fragilidade estrutural do regime. Como bem apontou outro comentarista, a crise de direção se disfarça de desfile de tanques. A diferença é que, no Irã, o desfile é permanente e o tanque é o próprio Estado. Enquanto o mundo olha para a coreografia e debate se é ameaça ou defesa, o regime conta com essa ambiguidade para sobreviver mais um ciclo. Mas dados não mentem: quando a inflação corrói o salário e a repressão corrói a esperança, o deserto ao redor de Teerã pode acabar ficando maior do que a pátria que eles dizem defender.
João Augusto
12/05/2026
A coreografia militar do Irã é um clássico ensaio de hegemonia: quanto mais frágil a base material do regime — inflação, desemprego, repressão interna —, mais o Estado encena sua potência nos exercícios. Gramsci já sabia que a crise de direção se disfarça de desfile de tanques. O problema não é a defesa nacional, é usar o canhão para calar a fome.
Rodrigo RedPill
12/05/2026
Cecília, bonito o discurso bíblico, mas é fácil falar quando você nunca viu a fila do osso. A Guarda Revolucionária do Irã pelo menos tem um propósito estratégico claro, enquanto nosso governo gasta bilhões em pauta identitária e mamata sindical. Se o Brasil tivesse 1% da convicção deles em vez de ficar nessa utopia cristo-socialista, a gente não precisava se preocupar com ameaça nenhuma — ia ser nós dando manobra no deserto, não o contrário.
Mariana Santos
12/05/2026
Rodrigo, a “convicção” da Guarda Revolucionária sustenta um regime teocrático que executa manifestantes, oprime mulheres e mantém metade da população iraniana abaixo da linha da pobreza. Se o Brasil trocar investimento social por bravata militar, vamos acabar com a mesma fila do osso que você critica, só que armada até os dentes e sem direito a reclamar.
Maria Silva
12/05/2026
Irã tá brincando de guerra no deserto enquanto o povo deles passa fome? Cada um sabe onde aperta o sapato, mas aqui no Brasil o governo adora copiar esse tipo de gastança com o dinheiro que a gente sua pra produzir. Quero ver eles fazerem manobra de cinco dias lidando com boi bravo e pasto seco.
João Batista
12/05/2026
Maria Silva, a crítica é justa, mas lembre: o profeta Amós já denunciava os que gastam em armas enquanto o pobre não tem pão (Amós 5.11). O problema não é só o Irã ou o Brasil, é o sistema que prefere tanques a encher o prato de quem tem fome.
Eduardo Teixeira
12/05/2026
Pois é, Ricardo, mas o problema não é o Irã gastar em manobra militar — cada país sabe onde aperta o sapato. O absurdo é a gente aqui pagando 40% de carga tributária pra ver o governo meter dinheiro em obra superfaturada e fábrica de armamento estatal. Enquanto isso, o setor produtivo brasileiro sangra pra pagar ISS, ICMS, CSLL e ainda ouve que “falta investimento”.
Maria Aparecida
12/05/2026
Quando os poderosos se escondem atrás de jargões como “investimento” e “falta de capital”, não podemos esquecer que a riqueza do país é fruto do trabalho de muitos, enquanto alguns poucos se apossam de grande parte dela. Como diz a Bíblia, “Deus não está interessado em sacrifícios, mas em justiça” (Miquéias 6:8). A justiça social é a verdadeira forma de investir no futuro do Brasil.
Ricardo Menezes
12/05/2026
Mais um showzinho de força financiado com dinheiro suado do povo iraniano. Enquanto isso, aqui no Brasil o governo continua sugando o contribuinte com impostos absurdos para bancar esse tipo de palhaçada. Irã e esquerda são dois lados da mesma moeda: parasitas que só sabem gastar o que não é deles. Livre mercado resolve, mas eles preferem tanques de guerra.
Marina Silva
12/05/2026
Pena que o livre mercado não resolve a hipocrisia de quem acha tanque showzinho só quando é dos outros.
Cecília Ramos
12/05/2026
Ricardo, como cristã eu aprendi que julgar os outros sem olhar para os próprios tanques é hipocrisia pura. O livre mercado que você defende também financia armas, só que com sangue e suor de quem não tem nem pão.