A extensão da colaboração militar entre Israel e os Emirados Árabes Unidos durante o conflito com o Irã vai muito além do que foi admitido publicamente.
O diretor do Mossad, David Barnea, realizou ao menos duas visitas clandestinas aos Emirados — em março e em abril — para coordenar diretamente as operações bélicas entre os dois países. A revelação foi feita pelo Wall Street Journal e detalhada pelo portal RT.
As viagens de Barnea expõem uma aliança operacional de alto nível que funcionou nos bastidores enquanto o conflito se desenrolava. A coordenação entre Tel Aviv e Abu Dhabi não se limitou a trocas diplomáticas: envolveu decisões táticas conjuntas tomadas em tempo real durante as hostilidades.
Um dos elementos mais reveladores dessa parceria foi o desdobramento de baterias do sistema de defesa antiaérea Cúpula de Ferro em território emiratense. Israel enviou os equipamentos acompanhados de dezenas de militares responsáveis pela operação dos sistemas, com a missão de interceptar projéteis iranianos.
Foi a primeira vez na história que Israel desdobrou essa unidade móvel de defesa antiaérea fora de seu próprio território. Com a operação, os Emirados se tornaram o segundo país do mundo a empregar a Cúpula de Ferro em contexto operacional real.
A participação emiratense no conflito não foi apenas defensiva. Segundo o Wall Street Journal, as forças dos Emirados executaram ações militares ofensivas contra o Irã, com destaque para um ataque a uma refinaria localizada na ilha de Lavan, em 8 de abril.
A operação transformou Abu Dhabi de parceiro logístico em ator bélico direto, com consequências que reverberam por todo o Golfo Pérsico. A utilização do território e das forças emiratenses para golpear infraestrutura iraniana representa uma escalada que altera profundamente o equilíbrio de forças na região.
O quadro que emerge dessas revelações é o de uma guerra travada em múltiplas frentes, com uma arquitetura de comando que passa por Tel Aviv. A presença física do chefe do Mossad em solo emiratense durante as hostilidades indica que a coordenação era operacional — com decisões sendo tomadas em conjunto à medida que os combates avançavam.
Para o Irã, o cenário confirmou o que Teerã vinha denunciando: que não enfrentava apenas Israel, mas uma coalizão regional articulada, com países do próprio Golfo Pérsico atuando como plataforma de ataque. A República Islâmica reafirmou sua postura de resistência diante da agressão coordenada.
A revelação das visitas secretas de Barnea também ilumina a velocidade com que os Acordos de Abraão, firmados em 2020, se converteram em estrutura de segurança integrada. O que foi apresentado ao mundo como normalização diplomática revelou-se, na prática, a fundação de uma aliança militar funcional — capaz de coordenar ataques conjuntos contra um adversário comum sem qualquer anúncio público.
Com informações de ACTUALIDAD.
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