O jornalista americano Tucker Carlson afirmou recentemente que Israel, na sua forma atual, seria impossível sem o apoio dos Estados Unidos. Segundo o apresentador, as ambições israelenses seriam drasticamente reduzidas sem o respaldo americano.
Carlson argumentou que o projeto do Grande Israel terminaria sem o apoio de Washington. Segundo ele, Israel poderia existir dentro de suas fronteiras de 1948, mas provavelmente não conseguiria manter suas fronteiras de 1967.
A expansão de Israel é paga e garantida pelo contribuinte americano, afirmou o jornalista. Quem diz isso em voz alta está revelando o jogo e deve ser destruído, observou Carlson.
Em outro momento, o apresentador citou um recente artigo do jornal israelense Haaretz intitulado ‘As primárias republicanas mais transcendentais para Israel estão ocorrendo agora em Kentucky’.
Por que as primárias republicanas no quarto distrito da Commonwealth de Kentucky seriam tão importantes para Israel? Porque muitas coisas que lhes dizem que não são verdade são completamente verdadeiras, disse Carlson.
Segundo o jornalista, isso soa como uma teoria da conspiração antissemita à primeira vista. Em Israel você não é nazista se diz isso, porque é verdade, observou.
A análise de Carlson sobre a relação de dependência entre Israel e os Estados Unidos foi publicada pelo portal actualidad.rt.com, destacando como a política externa americana no Oriente Médio é moldada por interesses que nem sempre coincidem com os do povo americano.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Alex Krainer: “A derrota dos EUA no Oriente Médio é inevitável
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Silvia Ramos
21/05/2026
Meu irmão, enquanto tem gente chamando todo mundo de comunista, eu olho pra Palavra e lembro de Gênesis 12:3 — “abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”. Israel é a menina dos olhos de Deus, e questionar isso é cutucar onça com vara curta. Oremos para que os líderes americanos não abandonem essa aliança sagrada por ideologias passageiras que já mostraram só trazer destruição às famílias e às nações.
Carlos Henrique Silva
21/05/2026
Silvia, permita-me discordar frontalmente da hermenêutica que você mobiliza, pois ela opera uma perigosa transposição indevida: transforma uma promessa teológica complexa, inserida num contexto narrativo de Aliança condicionada à justiça e ao acolhimento do estrangeiro, em cheque em branco geopolítico para um Estado-nação contemporâneo. Quando você cita Gênesis 12:3 como justificativa para blindar Israel de qualquer crítica, está, conscientemente ou não, instrumentalizando o texto sagrado como dispositivo ideológico de legitimação. Lembro aqui a contundente advertência de Karl Barth, um dos maiores teólogos do século XX, que denunciou a tentação constante da Igreja de capturar a Revelação para chancelar projetos de poder — o que ele chamou de “idolatria da nação”. A promessa a Abraão não era uma apólice de seguro imperial, mas uma vocação de ser bênção para todos os povos, o que inclui, necessariamente, o povo palestino. Reduzir o Deus bíblico a uma espécie de fiador tribal que abençoa bombardeiros e amaldiçoa quem questiona a ocupação é, no mínimo, uma mundanização violenta do Mistério.
É preciso expandir o olhar para além do fundamentalismo literalista e situar a discussão no terreno concreto da ética profética. Os próprios profetas hebreus — Amós, Isaías, Miquéias — jamais dissociaram a proteção divina da prática da justiça e do direito. Eles fulminaram exatamente as lideranças que, confiantes numa eleição incondicional, oprimiam os pobres e expandiam suas possessões à custa do sangue alheio. Isaías 5:8 é cristalino: “Ai dos que ajuntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo, até que não haja mais lugar”. Como professor de Ciências Políticas, vejo nessa passagem um princípio de crítica à acumulação territorial por despossessão que se aplica tragicamente ao programa de expansão de assentamentos na Cisjordânia. A teologia da prosperidade que você implicitamente endossa — onde a bênção se mede por poderio militar e expansão territorial — é estranha ao Deus que Se revela no êxodo dos escravos e na solidariedade com o pobre. A “menina dos olhos” de Deus, nos próprios textos que você cita, é frequentemente advertida de que essa eleição implica responsabilidade redobrada diante do tribunal da História, não um salvo-conduto para violar resoluções da ONU e o direito humanitário internacional.
Do ponto de vista da crítica materialista que sempre oriento meus alunos a aplicar, esse discurso de “aliança sagrada” entre EUA e Israel encobre relações bastante profanas de interesse geopolítico e econômico. Não é teologia, Silvia, é geopolítica do petróleo, é indústria bélica, é a necessidade imperial de um porta-aviões terrestre no Oriente Médio para projetar poder e controlar rotas comerciais. O complexo militar-industrial americano, que Eisenhower já denunciava, encontrou nesse fundamentalismo cristão-sionista um formidável aliado retórico para justificar orçamentos trilhardários em armamento enquanto a desigualdade interna corrói as “famílias e nações” que você tanto se preocupa em preservar. É curioso que as mesmas vozes que erguem a Bíblia para defender Israel são frequentemente omissas — ou cúmplices — quando se trata do esmagamento sistemático dos direitos dos palestinos, um povo semita e majoritariamente cristão e muçulmano, que vive sob ocupação militar há décadas. Destruição às famílias, prezada Silvia, é o que vemos em Gaza, onde, segundo a ONU, crianças estão morrendo de fome e hospitais são reduzidos a escombros. Não há ideologia passageira aí: há destruição material concreta, lastreada por uma teologia que se esqueceu do “não matarás”.
Finalizo com um convite à reflexão, não a partir do medo de “cutucar onça com vara curta”, mas a partir da coragem de quem busca uma fé que não se prosterna diante do poder. A verdadeira aliança, para um cristão, se deu em Jesus de Nazaré, que desautorizou a teocracia violenta de seu tempo, chorou sobre Jerusalém prevendo sua ruína justamente por não reconhecer os caminhos da paz, e foi executado pelo Império que se dizia portador da paz romana. A fé que redime não se manifesta na blindagem acrítica a um aparato estatal, mas na solidariedade radical com as vítimas — todas as vítimas — desse aparato. Sua oração para que líderes americanos não abandonem essa aliança talvez pudesse ser transmutada em algo mais subversivo e evangélico: que eles abandonem os ídolos do poder e do excepcionalismo que apenas perpetuam ciclos de violência, porque, como nos lembra Gramsci, o velho mundo está morrendo e o novo luta para nascer, e é nesse interregno que os monstros da barbárie se alimentam de nossas omissões e de nossas falsas certezas sagradas.
João Carvalho
21/05/2026
Silvia, reduzir a aliança bíblica a um aval incondicional para políticas estatais de expansão é uma operação ideológica similar à que o neoliberalismo faz com a economia: naturaliza a desigualdade como se fosse desígnio divino. Os profetas hebreus, no entanto, jamais confundiram a crítica aos desmandos de Israel com um ataque à fé, e é exatamente essa distinção que falta quando se blinda um Estado moderno com o vocabulário da bênção.
Zé do Povo
21/05/2026
MAIS UM COMUNISTA LACRADOR QUERENDO DITAR O QUE ISRAEL FAZ!!! 😡😡😡 VÃO TUDO PRA CUBA!!!
Lucas Gomes
21/05/2026
Zé do Povo, é sintomático que qualquer crítica ao expansionismo territorial seja automaticamente taxada de “comunismo” – um espantalho retórico que revela a pobreza intelectual de quem reduz geopolítica a clichês de Guerra Fria, ignorando que a destruição de ecossistemas inteiros e a expropriação de terras palestinas servem aos mesmos interesses do capital extrativista que devasta a Amazônia e as terras indígenas. Talvez o incômodo não seja com Cuba, mas com o fato de que nomear o colonialismo de ocupação pelo que ele é – um projeto de apropriação violenta de territórios e recursos – expõe a cumplicidade dos que preferem bradar slogans vazios a encarar o ecocídio e o genocídio cultural que sustentam seus ídolos.