O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) alerta que os riscos nucleares estão em ascensão à medida que as potências globais expandem e modernizam seus arsenais. O relatório mais recente da instituição destaca que as nove nações detentoras de armas nucleares investem em novos sistemas de armamento, acelerando uma corrida que eleva as tensões globais.
O estudo aponta que a maioria desses países implementou novos sistemas de armas nucleares ou capazes de transportar ogivas nucleares no último ano. Essa tendência representa uma reversão de décadas de esforços de desarmamento, mesmo diante do aumento dos perigos de escalada e erros de cálculo.
Hans Kristensen, pesquisador do SIPRI, afirmou que há evidências crescentes de que os Estados com armas nucleares se afastam de seus compromissos de desarmamento e demonstram seu poderio nuclear. Segundo o relatório, as nove potências nucleares — China, França, Índia, Israel, Coreia do Norte, Paquistão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos — possuíam 12.187 ogivas nucleares em janeiro deste ano, das quais cerca de 9.745 estavam em estoques militares para possível uso.
O estudo estima que 4.012 ogivas foram implantadas com mísseis e aeronaves, enquanto até 2.200 estavam em estado de alta prontidão, prontas para lançamento em minutos. Quase todas essas ogivas pertencem à Rússia ou aos EUA, com França e Reino Unido também mantendo algumas em alerta.
Rússia e EUA continuam como as maiores potências nucleares, responsáveis por cerca de 83% das ogivas disponíveis para uso militar e quase 86% de todas as armas nucleares globais. Embora os números sejam semelhantes aos do ano anterior, o SIPRI observa que os programas de modernização extensivos desses países provavelmente aumentarão o tamanho e a diversidade de seus arsenais nos próximos anos.
O instituto também prevê que a diminuição constante do estoque nuclear global, observada desde o fim da Guerra Fria, será revertida devido à desaceleração no desmantelamento de ogivas aposentadas pelas principais potências e à aceleração no desenvolvimento de novas armas.
A China, com o terceiro maior arsenal nuclear do mundo, aumentou seu estoque de cerca de 600 para 620 ogivas em um ano, expandindo-se mais rapidamente que qualquer outro país. O Reino Unido não ampliou seu arsenal no último ano, mas o SIPRI projeta um aumento futuro em seu estoque operacional de ogivas. A França continua a modernizar suas capacidades e anunciou planos para expandir o número de ogivas, além de deixar de divulgar publicamente o tamanho de seu arsenal.
O SIPRI também destaca que a Índia aumentou ligeiramente seu arsenal nuclear e continua desenvolvendo novos tipos de sistemas de entrega, assim como o Paquistão, que acumula material físsil que pode indicar uma possível expansão do arsenal nos próximos anos.
Israel mantém sua política de ambiguidade nuclear, mas o SIPRI estima um arsenal de cerca de 90 ogivas. O país moderniza suas capacidades, e a construção observada no Centro de Pesquisa Nuclear de Negev, próximo a Dimona, pode sinalizar melhorias de infraestrutura de longo prazo.
A Coreia do Norte é estimada em ter montado cerca de 60 ogivas e continua a desenvolver suas capacidades para cumprir sua meta declarada de expandir exponencialmente seu arsenal nuclear.
Karim Haggag, diretor do SIPRI, destacou que vozes influentes, incluindo alguns líderes mundiais, defendem as armas nucleares como garantia contra ataques por Estados hostis. No entanto, a dependência crescente de armas nucleares nas estratégias de defesa e segurança nacional pode aumentar significativamente os riscos nucleares.
Para mais detalhes, consulte o relatório completo na Al Jazeera.


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