A inflação oficial do país registrou um avanço de 0,41% em junho, demonstrando uma desaceleração em comparação à taxa de 0,62% observada no mês anterior. No entanto, a trajetória acumulada nos últimos doze meses acelerou para 4,80%, ultrapassando o patamar de 4,64% registrado em maio e renovando as preocupações com a trajetória dos preços.
Entre as principais pressões do mês, o custo da energia elétrica residencial subiu 2,04%, exercendo o maior impacto individual de alta sobre o orçamento das famílias. Este aumento foi impulsionado pelo acionamento de bandeiras tarifárias mais caras em razão da estiagem que reduziu o nível dos reservatórios hidrelétricos.

Na cesta de alimentos, a alimentação no domicílio registrou um avanço de 0,87% em junho, acumulando uma alta de 3,40% nos últimos doze meses. O grande vilão do prato do trabalhador foi a batata-inglesa, cuja cotação disparou extraordinários 29,42% no mês, seguida pela alta de 14,29% registrada pelo feijão-carioca.
Em contrapartida, outros itens essenciais de consumo popular mostraram estabilização ou desaceleração, como o arroz, que subiu 0,72% no mês, e as carnes, que arrefeceram significativamente com alta mensal de apenas 0,11%. O leite longa vida também apresentou estabilidade com uma variação de -0,05% em junho, embora ainda carregue a pesada herança do choque de oferta do mês de maio.

A inflação de junho não foi maior graças ao recuo dos combustíveis, com a gasolina registrando uma queda de 0,73%, marcando a sua segunda deflação mensal consecutiva. O óleo diesel seguiu tendência semelhante ao recuar 1,47% no mês, acompanhado pelo recuo de 0,48% no gás de botijão e no preço dos ovos de galinha.
Essa conjuntura de desaceleração mensal combinada com aceleração do acumulado anual coloca o Banco Central em uma posição delicada em relação à condução da política monetária. A persistência de pressões climáticas sobre alimentos e energia enfraquece os argumentos por cortes na taxa de juros básica, mantendo a taxa Selic em níveis restritivos que sufocam o investimento produtivo, conforme já abordado nas análises sobre as investigações que envolvem o sistema de crédito e juros no país.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!