Pela primeira vez desde 1972, quando as negociações do SALT I lançaram as bases do controle de armas nucleares entre as duas maiores potências atômicas do planeta, Estados Unidos e Rússia operam sem qualquer tratado que limite formalmente seus arsenais estratégicos. O Novo START — última barreira jurídica remanescente da era pós-Guerra Fria — expirou em 5 de fevereiro de 2026, sem que Washington tenha aceitado a proposta russa de manter os limites por mais um ano.
O desfecho já era esperado havia meses, mas nem por isso é menos significativo. O acordo, assinado em 2010 pelo então presidente russo Dmitry Medvedev e pelo americano Barack Obama, limitava cada país a 1.550 ogivas nucleares implantadas e 700 veículos lançadores — mísseis balísticos intercontinentais, submarinos e bombardeiros pesados. Prorrogado uma única vez, em 2021, sob Joe Biden, o tratado não tinha mais margem legal para nova extensão: ou as partes fechavam um acordo substituto, ou o mundo entrava, a partir de 5 de fevereiro, em terreno sem regras.
A oferta russa e o silêncio americano
Em setembro de 2025, Vladimir Putin anunciou que a Rússia estava disposta a continuar respeitando voluntariamente os limites centrais do tratado por mais um ano após seu vencimento — desde que os Estados Unidos fizessem o mesmo. Trump chegou a classificar a proposta como “uma boa ideia”, mas Washington nunca formalizou resposta. Em janeiro, pouco antes do prazo final, o próprio presidente americano resumiu sua posição de forma direta: se o tratado expirasse, expiraria, e os EUA buscariam depois “um acordo melhor”.
Foi exatamente o que aconteceu. No dia da expiração, Trump confirmou publicamente que os Estados Unidos buscariam um tratado “novo, aprimorado e modernizado”. Do lado russo, o chanceler Sergei Lavrov informou ao parlamento que Moscou manteria, por conta própria, sua moratória sobre os limites quantitativos do Novo START — mas apenas enquanto Washington não os ultrapassasse.
Na prática, os dois países seguem hoje uma espécie de autocontenção informal, sem verificação, sem inspeções e sem qualquer mecanismo vinculante. O regime de inspeções mútuas, aliás, já estava paralisado desde a pandemia de Covid-19 e nunca foi retomado, em meio a entraves recíprocos — Moscou havia suspendido sua participação formal no tratado em 2023, citando a recusa dos EUA em conceder vistos a inspetores russos e o apoio ocidental à Ucrânia como pano de fundo da deterioração da confiança bilateral.
A peça que faltava: a China
Um fator mudou profundamente o cálculo estratégico americano em relação ao ciclo anterior de negociações: o crescimento acelerado do arsenal nuclear chinês. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI), Pequim já soma cerca de 620 ogivas nucleares — um salto expressivo frente às pouco mais de 200 registradas há uma década, no que analistas classificam como o crescimento mais rápido entre as nove potências nucleares do mundo. O Pentágono projeta que esse número pode ultrapassar 1.000 até 2030.
Washington vem citando esse avanço chinês como justificativa central para não renovar um acordo bilateral que, segundo autoridades americanas, “nunca contabilizou” a expansão opaca de Pequim. A China, por sua vez, rejeita qualquer adesão a negociações trilaterais, alegando que seu arsenal ainda é muito inferior aos estoques russo e americano — que juntos concentram a esmagadora maioria das quase 12 mil ogivas nucleares existentes no planeta. Pequim classificou o fim do Novo START como “lamentável”.
Reações e riscos
O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a expiração de “momento grave para a paz e a segurança internacional”, destacando que é a primeira vez em mais de cinco décadas que não há limites vinculantes sobre os arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares do mundo. Ele pediu que Washington e Moscou retomem as negociações para construir um marco sucessor.
Especialistas em controle de armas, como a ex-negociadora-chefe americana no Novo START, Rose Gottemoeller, alertam que, sem qualquer mecanismo de verificação, a Rússia poderia acelerar a instalação de novas ogivas sobre mísseis já existentes caso Washington decida expandir seu próprio arsenal — um cenário que reabriria, décadas depois, a lógica da corrida armamentista.
Por ora, o que resta é a promessa, ainda sem contornos definidos, de Trump de negociar “algo melhor” — possivelmente incluindo a China. Até lá, o mundo vive, pela primeira vez desde os anos 1970, sem qualquer tratado limitando o poder de destruição das duas nações que concentram a maior parte do arsenal nuclear do planeta.
Com informações da Sputnik
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João Batista
21/07/2026
Enquanto os poderosos de plantão brincam de arriscar o Apocalipse, o povo simples segue pagando a conta com fome, desemprego e falta de hospital. A Bíblia já dizia que quem confia em carros de guerra e cavalos (ou bombas nucleares) está longe do Reino de Deus. Cada real gasto num míssil desses poderia matar a fome de milhares de crianças aqui na Bahia e no mundo. Cadê a profecia de Isaías, de converter espadas em arados? Quem vai explicar isso pra mãe solo que perdeu o filho pro tráfico enquanto os generais disputam quem tem o arsenal maior?
Renata Oliveira
21/07/2026
É preocupante vermos o mundo voltar a uma corrida armamentista sem limites, ainda mais quando a justificativa de ambos os lados sempre foi a contenção como garantia de paz. Fico pensando se, na prática, esse vácuo de acordos não vai acelerar a modernização de ogivas por países menores, que antes se continham por pressão das potências. Será que o Brasil, como defensor histórico do desarmamento, deveria articular uma nova rodada de negociações multilaterais na ONU? O silêncio das nossas lideranças sobre o tema me incomoda.
Marina Costa
21/07/2026
Renata, o problema não é a falta de um papel assinado, e sim a falta de temor a Deus. Sem princípios morais sólidos, qualquer tratado vira letra morta. O Brasil deveria era pregar o Evangelho em vez de tentar articular acordos na ONU cheia de pautas imorais.
Márcio Torres
21/07/2026
Se ‘temor a Deus’ bastasse para controlar arsenais nucleares, a Guerra Fria não teria chegado tão perto da aniquilação. Tratados funcionam com verificação mútua, não com princípios morais abstratos — e a história mostra que nações profundamente religiosas também constroem bombas atômicas.
Sandra Martins
21/07/2026
Concordo que tratados com verificação são necessários, Márcio. A fé não substitui acordos concretos, mas também não invalida a responsabilidade moral. O problema é que, sem Deus no coração, qualquer tratado pode ser rasgado quando convém.
Pedro
20/07/2026
É preocupante ver que, enquanto a gente lida com o preço da gasolina e o IPVA, o mundo está voltando a uma corrida armamentista nuclear sem limites. Fico me perguntando como isso vai impactar a segurança lá fora e se algum dia vão dar prioridade a acordos que realmente tragam paz, em vez de focar só em poderio militar. Parece que os governos aprenderam pouco com a história.
João Batista
21/07/2026
Pedro, a verdadeira paz não vem de tratados humanos, mas do arrependimento e temor a Deus. Enquanto o mundo confiar em acordos políticos e não na justiça divina, viverá sob o fio da espada, como alerta Mateus 26:52.
Cecília Silva
21/07/2026
João Batista, bonito discurso, mas enquanto a gente espera pela justiça divina, os mísseis continuam apontados pras nossas cabeças. A fé não desativa ogiva nuclear, e os tratados eram o mínimo pra proteger quem nunca teve escolha — e sou eu, da favela, que pago o preço dessa ‘paz’ divina que cê prega.
João Carlos Silva
20/07/2026
É preocupante ver que o mundo voltou a um clima de Guerra Fria sem nenhum limite nuclear entre EUA e Rússia. A gente já enfrenta o preço do diesel nas alturas, a insegurança nas ruas e a inflação no mercado; uma crise entre potências só piora tudo pra quem vive com pouco. Será que essa tensão não vai encarecer de novo o combustível e desestabilizar a economia, que já não tá fácil pra ninguém?