Presença de Arminio | O Cafezinho

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domingo

10

novembro 2013

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Presença de Arminio

Escrito por , Postado em Conteúdo Livre, Economia, Eleições 2014



Leio no blog do Kennedy Alencar, que Arminio Fraga é o ministro da Fazenda dos sonhos de Aécio Neves. Eles já conversaram a respeito e acertaram tudo. Segundo Aécio, “uma indicação antecipada de um ministro da Fazenda com esse perfil ajudaria a campanha tucana a atrair simpatia de investidores internacionais e de boa parte do empresariado brasileiro, sobretudo do grande capital financeiro.”

Pois bem, então eu lembrei dos “bons tempos” e fui pesquisar os jornais de 1999, mais especificamente, de março daquele ano, quando Fraga assumiu a presidência do Banco Central.

Sua primeira medida foi aumentar os juros de 25% para 45%. Foi talvez a maior paulada nos juros que já se deu, em qualquer civilização, nos últimos cinco mil anos.

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A grande imprensa comemorou. Em editorial, o Globo afirmou que “as medidas anunciadas pelo novo presidente do Banco Central, Arminio Fraga, vão na direção certa”.

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Fraga falou à imprensa que, para o futuro, a tendência dos juros era cair. Ah, bom.

O que ninguém falou é que a medida de Fraga significava dezenas, quiçá centenas de bilhões de dólares, na conta dos grandes credores nacionais e internacionais, ao longo dos meses seguintes. Dinheiro fácil, líquido e certo.

No mesmo dia, o Globo anunciava que os combustíveis iriam subir e que uma comissão da Câmara havia aprovado a nova CPMF (imposto criado para aplicação em saúde, mas que no governo FHC era usado para superávit primário). O acordo político entre governo e legislativo era quase cínico. O imposto não iria para a Saúde. Tanto que os jornais afirmavam, sem pejo, que o FMI aguardava, com ansiedade, a aprovação do novo imposto. Ou seja, o FMI queria a CPMF, porque esse dinheiro ia para os credores internacionais.
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Não pára por aí. Aquela sexta-feira, 5 de março de 1999, prometia muitas emoções. O colunista político do Globo, Marcio Moreira Alves, um digno jornalista que havia crescido dentro do Globo durante os esforços do jornal para se redimir com a opinião pública no pós-ditadura, comentava sobre uma certa “indiscrição” do ministro da fazenda, Pedro Malan. Malan havia encomendado estudos para a venda do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, o que provocou fortes contestações no Congresso. É aí que grande parte do PMDB, inclusive caciques conservadores, como Sarney e seus companheiros, rompem com os tucanos.

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A tentativa de privatização da Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa produz a grande fenda na elite política que iria sorver o PSDB e abrir espaço para uma nova coalizão governamental, uma aliança entre PT e a centro-direita, representada pelo PMDB, cujo nacionalismo repentino surpreendeu a mídia.

Mesmo com inflação estourada, juros a 45%, governo articulando não apenas para prorrogar a CPMF, mas para aumentar a alíquota, estudos para venda das últimas grandes estatais brasileiras, ministérios anunciando grandes cortes de servidores, nenhuma obra de infra-estrutura em curso, a grande mídia tentava afastar o “baixo astral”.

Teresa Cruvinel, outra colunista estrategicamente posicionada para amansar os ânimos esquerdistas do pós-ditadura, abria sua coluna daquela fatídica sexta-feira com um título solar e feliz: Apesar do baixo astral.

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Os jornais omitiam acintosamente informações sobre as consequências terríveis para as finanças públicas daquele “choque” nos juros. A dívida brasileira, já complicada, se tornaria quase impagável.

Em resumo, o governo FHC aumentava pesadamente a carga tributária, criava novos impostos, e espancava os juros, asfixiando a classe média, não para aprimorar os serviços públicos ou fazer obras de infra-estrutura, mas para transferir mais dinheiro aos credores domésticos e internacionais. A grande imprensa, sócia nessa empreitada, tinha missão de enganar a sociedade, afirmando que o remédio era necessário, e que tudo ia bem, “apesar do baixo astral”.

Enquanto isso, a Polícia Federal continuava sendo sucateada, e não havia nenhuma investigação séria, por parte do governo, contra os grandes problemas de corrupção no país. Nem na imprensa. O escândalo da compra de votos para a reeleição já havia sido devidamente abafado, a mídia preparava o terreno para as últimas grandes privatizações, entre elas a da Vale do Rio Doce.

Quem falasse em “concessão”, à época, seria considerado socialista. O governo não queria conceder nada. O objetivo era alienar completamente o patrimônio público, o mais rápido possível, entregando-lhe nas mãos de empresários politicamente afinados com o Planalto.

Bons tempos! A Globo não era incomodada por nenhum blogueiro sujo e podia continuar ganhando seu dinheiro, tranquilamente, no mercado financeiro, enganando os trouxas da classe média a quem vendia o discurso do “Estado mínimo”. Ou  seja, o governo aumentava a transferência de recursos do indivíduo para as grandes instituições controladoras do capital, Estado e bancos, através do aumento da carga tributária e juros, com auxílio luxuoso de uma imprensa sócia no butim. Não havia nenhum programa de “desoneração tributária”, como faz Dilma.

Não havia nenhuma obra de infra-estrutura. Era só pau, pau, pau. E, no entanto, a classe média leitora do Globo, com ajuda de Marina Silva e Eduardo Campos, ainda acredita no “tripé econômico” e na maravilhosa gestão de Fernando Henrique.

 

Arminio Fraga e Pedro Malan

Arminio Fraga e Pedro Malan

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
Miguel do Rosário

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novembro 2013

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27 Comentários em "Presença de Arminio"

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o compromisso deve ser com país não com esse dilema PT x PSDB já encheu!

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oh paspalho você nem precisa chegar ao meu nível eu fiz economia em uma grande faculdade no RJ! já que você não entende do assunto pesquisa e não fica comprando discurso ! Deixa de ser otario!

Ze Luis
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Muito bom!

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“Estuda economia” boa piada… não adianta discutir, este é um sábio leitor da Veja, O Globo, Estadão que lê e acredita!!

Mauro
Visitante
Vou tentar novamente. Caro Miguel, Eu sugiro a leitura dos livros do John Perkins :Confissões de um Assassino Econômico , Enganados , A História secreta do império americano. Nesses livros ele conta como os EUA fazem para provocar o subdesenvolvimento nos países, usam o Banco Mundial, o FMI e outras instituições, para se tornarem o primeiro império verdadeiramente mundial da história da humanidade. Há um livro do Greg Palast , A melhor Democracia que o Dinheiro Pode Comprar, cuja 2ª edição tem um capítulo dedicado ao Brasil e tem o sugestivo título “Sua Excelência Robert Rubin, Presidente do Brasil”.Nele, o… Read more »
Miguel do Rosário
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Oi Mauro, o comentário caiu no filtro, por causa do link. Só vi agora.

Mauro
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Caro Miguel,

tentei enviar duas vezes um comentário.
Não sei se foi censurado ,ou o que aconteceu.

Visitante

jose mesias, país quebrado sim, depois do golpe do câmbio do FHC, que o segurou para se reeleger, torrando alguns (muitos) bilhões de reservas e nos escravizando ainda mais ao FMI

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país quebrado pelego? estuda economia! o pais estava entrando no cambio flutuante! fora as crises dessa época no mex, argentina e na asia pelegão! assim pelo que diz parece que viviamos no haiti e hoje estamos na suiça

Manoel Teixeira
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Zezinho, O Brasil foi quebrado 3 vezes durante a gestão da tucanalha. Qualquer crise no exterior, e o Brasil entrava com o pires na mão, pedindo dinheiro ao FMI. Gustavo Franco, o homem do ‘saco de maldades’ ( para o Brasil ), colocou os juros em 45% a.a., queimou $ 40 bi em reservas e você vem defendê-lo? São números e os números não mentem. Onde estão seus dados? Em 2008, durante a segunda gestão de Lula Magno, explodiu a maior crise do capitalismo desde a quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929. O Brasil não fez o que… Read more »
Manoel Teixeira
Visitante

Quem elevou os juros para 45% a.a. em 1999 foi Gustavo Franco, que na sequência queimou U$ 40 bi em reservas.
Armínio Fraga criou o título da dívida pública interna, indexada ao dolar, fazendo a felicidade total dos especuladores. O dólar ultrapassou R$ 4,00 em 2002, quebrando os cofres públicos. É bom observar que os títulos tinham vencimento em dois anos, no início do primeiro governo Lula. A inflação ultrapassou os 12% a.a. e ficamos com menos de U$ 12 bilhões de reservas próprias e outro tanto em empréstimos do FMI.

Visitante

É muito importante que os jovens leiam isso, para ver o que era um país quebrado, falido, sem esperanças. Faltou citar a taxa de desemprego da época.

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Turma do Leblon

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o governo aumentou a Selic no período porque deixou o cambio flutuante! vamos falar toda a verdade ok! ou vocês queria que o brasil seguisse a argentina e quebra-se?

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Juros altos são para os endinheirados a contrapartida para os impostos “escorchantes” que eles supostamente pagam para o governo. Uma forma de empatar o jogo e manter as desigualdades. Da parte do BC, a motivação para os ultimos aumentos de juros deve ser menos o combate à inflação (pois é quase inocuo, dado que os spreads sempre se mantem estratosfericos, mesmo que os juros fossem zero) do que uma forma de amenizar a histeria desses agentes que contamina toda a economia e atravanca o crescimento. É uma forma de acalmar a crise de abstinencia daqueles que acham que é um… Read more »
Visitante

O maior indício da cara de pau desse pessoal é que eles estão o tempo inteiro cobrando do governo contenção nos gastos. Mas na reivindicação deles nunca entra nessa conta o gasto com juros, oa mesmo tempo em que estão sempre cobrando seu aumento, supostamente pra combater a inflação, o que acrreta em mais gastos para og governo. No minimo, contraditório. O pagamento de juros é tão sagrado pra eles que nem deve ser considerado uma despesa, um gasto, e nunca deve ser posto em discussão, está acima até da merenda das crianças ou da aposetadoria dos velhinhos.

Visitante

Oportuno o artigo, já que convém sempre lembrar o passado, ainda que desastroso

Visitante

Poucos querem e podem ganhar muito dinheiro sem trabalhar !

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tem carro demais pra pouca gasolina,, tem aeroporto cheio

Visitante

o pt não pode perder mesmo é para isso que eles querem ganhar a eleição nos tomo mesmo fu….. não tem jeito

Visitante

Kkkkkkkkkkkk… esse O Globo me mata de rir.

Visitante

Era o tempo do governo da latinha. Pra todo canto que se andava alguém comentava que “lá tinha uma fabrica”, “lá tinha uma panificadora”, “lá tinha isso ou aquilo”… Oh saudade que me deu… Já passou!!!

Visitante

Senhor, nos livre deste mal. Amém.

Visitante

Quando tudo era tão maravilhoso…

Visitante

franklin, a manchete é de 99

Visitante

Pra quem, é rico não tem coisa melhor que juro alto assim, né?. Não precisa se arriscar abrindo negócio, gerando emprego, pagando imposto, nada. Faz sua graninha se multipliar e os pobres que se fodam…

Visitante

Essa ellevação dos juros vai levar muitos brasileiros ao desespero. Como vai ser a vida de todos os que ainda conseguem comer porque usam o cartão para comprar a crédito? Muitos vão passar fome.

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