Comentários fluminenses - O Cafezinho

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sexta-feira

14

março 2014

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Comentários fluminenses

Escrito por , Postado em Conteúdo Livre, Eleições 2014, Política

Tem um assunto que intriga o pessoal que discute política no Rio. A gente sempre se pergunta, quem a Globo vai apoiar nas eleições estaduais?

Até o momento, chegamos a conclusão que a Globo vai apoiar o Pezão com muita força, até porque não tem outra escolha.

Crivella é sobrinho do Edir Macedo, dono da Record, maior concorrente comercial da TV Globo.

Jandira é comunista e a Globo sempre foi o braço da direita norte-americana no Brasil, cuja maior preocupação, até hoje, é o “avanço do comunismo”.

Garotinho é o inimigo número 1 da Globo. O atual deputado já foi governador e sofreu na carne as chantagens diárias da Globo para que o governo facilite seus negócios no estado, que vão muito além de entretenimento e jornalismo.

Lindbergh é do PT, e a Globo tem medo do PT porque vê no partido o embrião de alguma espécie de chavismo.

A Globo não tem outra saída senão apoiar Pezão, que não decola em pesquisa nenhuma e dependeria da popularidade de Sérgio Cabral para ganhar votos. Só que Cabral está na lona.

Não foi à tôa que a Globo bateu tão pesado no Freixo e no PSOL. A Globo quer tirar, desde já, o voto udenista, da zona sul do Rio, das mãos do Freixo e de seu partido. Esse eleitorado, embora não seja importante numericamente, é muito influente, a começar pelas celebridades da própria Globo. Antigamente, nos anos que se seguiram à redemocratização, havia um clima de liberdade na Globo que permitia que seus empregados e artistas apoiassem abertamente Lula, por exemplo.

Hoje isso acabou. Os artistas da Globo, com exceção honrosa de José de Abreu, estão organicamente alinhados às pautas da Globo. Vide o caso das viúvas de preto, que se manifestaram contra os infringentes.

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As últimas eleições mostraram que a zona sul carioca se tornou um bloco eleitoral incrivelmente homogêneo. É quase um curral eleitoral das Organizações Globo. A explicação é simples. Na soleira de toda portaria, em todo o edifício da zona sul, vê-se um punhado de exemplares do Globo.

Em 2012, a Globo deixou seu “eleitorado” votar em Marcelo Freixo. Vários colunistas do jornal declararam voto em Freixo. Alguns usaram o espaço no jornal, como Francisco Bosco, para dizer que Freixo era a salvação do país. Na época, eu rebati sua posição com um artigo intitulado “Freixo e o messianismo na política“.

Caetano Veloso foi na mesma linha: usou sua coluna para fazer um proselitismo aberto e desenvolto em favor de Freixo. Então eu lancei um petardo violento na direção do novo queridinho das madames no Leblon. O post “O neofascismo playboy de Marcelo Freixo” viralizou nas redes sociais e o próprio Caetano voltou ao Globo para tentar, desqualificando-o como “panfleto”, rebatê-lo!

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Eu procuro ser sempre transparente durante as eleições. Em 2012, eu votei em Eduardo Paes. Não me arrependo, o prefeito fez e ainda está fazendo muita coisa importante na cidade.

Mas estou bastante decepcionado com algumas outras, que menciono abaixo:

1) Falta uma regulamentação decente para o lixo no Rio. Os prédios amontoam sacos de lixo nas calçadas, os quais são rapidamente abertos por moradores de rua, e boa parte da cidade se torna um grande lixão a céu aberto. E os garis são obrigados a, literalmente, botar as mãos naquela lixarada nauseabunda exposta ao ar livre. Os caminhões de lixo, por sua vez, deixam um rastro de chorume de fazer qualquer um ter ânsias de vômito. Por que a prefeitura não disponibiliza caçambas, para que o lixo fique protegido? Os caminhões então passariam com um sistema automatizado que pegaria as caçambas e lançaria seu conteúdo dentro do caminhão. Nem gari nem os cidadãos precisariam ser expostos ao lixo aberto no meio da rua. Uma amiga me deu até uma ideia melhor: as próprias caçambas poderiam ser de material biodegradável, tipo papelão, então o caminhão de lixo simplesmente as recolheriam.

2) O choque de ordem da prefeitura, nos primeiros meses de governo, foi uma atitude apenas para agradar a Globo e seu exército de zumbis fascistas. Em seguida, Paes relaxou o choque, liberou muitas autorizações para vendedores ambulantes e a coisa melhorou. Mas o estrago foi grande. O Rio precisa de choque de programas sociais, não de choque de ordem.

3) No Aterro do Flamengo, barraqueiros que trabalhavam ali há mais de trinta anos foram expulsos. A prefeitura impôs uma ordem ridícula, obrigando as barracas a comprar o espaço por uma taxa proibitiva. O horário imposto, das 6 da manhã às 18 horas foi um estupidez sem limites. Não houve respeito nenhum para com o direito adquirido dos vendedores. Os resultados foram péssimos. Houve até suicídios de vendedores desesperados. O aterro tinha ficado mais seguro, justamente por causa da presença dos barraqueiros, que podiam guardar suas coisas em depósitos enterrados na areia. As pessoas passaram a frequentar o parque à noite. Jovens organizavam rodas de violão na areia. Com a expulsão brutal dos vendedores, o aterro ficou triste, depressivo, perigoso.

4) A prefeitura não faz políticas de abrigo para moradores de rua, nem promove nenhum debate neste sentido. Essa é uma falha que acaba jogando muita água no moinho do conservadorismo, porque é evidente que ninguém gosta de ver pessoas dormindo e fazendo necessidades na porta do seu edifício. A população de rua na cidade é imensa. Houve uma pesquisa, há alguns anos, que descobriu que a maioria dessas pessoas desenvolveu graves problemas mentais, em geral de ordem esquizofrênica. Ou seja, nem adianta mais considerá-las como “vagabundos” que não querem trabalhar. É preciso tratá-las com inteligência. Infelizmente, nossas elites, que gostam tanto de passear em Miami, Nova York, Londres e Paris, finge não saber que, nessas cidades, há um debate político constante sobre populações de rua, iniciado há séculos, e há toda uma estrutura do Estado para ajudá-las.

 

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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