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Luciana Genro, a líder da esquerda pró-Lava Jato

Escrito por , Postado em Arpeggio, Assinante, Miguel do Rosário

(Foto: Flickr da Luciana Genro)

Confesso a vocês que hoje estou cansado.

Por isso peço a vocês que me ajudem a responder a essa moça. Este é um tema importante. O grande trunfo da Lava Jato, assim como foi a Ação Penal 470, é a sua demagogia. Marx explica isso em seu 18 de Brumário de Luis Bonaparte. O capital finge um movimento contra a burguesia, para ampliar o seu domínio.

A demagogia é vender à população que o sistema judicial está prendendo, “pela primeira vez”, empresários e políticos, e ao mesmo tempo aumentar brutalmente a repressão policial, remover históricas garantias constitucionais, além de promover alianças com a mídia que produzem uma publicidade opressiva obviamente ilegal e antidemocrática.

A Lava Jato é o núcleo da direita brasileira. Não é a tôa que todos aqueles que defendiam “intervenção militar”, agora trocaram o slogan pela defesa da Lava Jato. Todos os fanáticos do Bolsonaro são também fanáticos por Sergio Moro.

Luciana Genro não está entendendo?

Luciana Genro é limitada intelectualmente ou ingênua?

Qual o resultado da Lava Jato?

Genro alega que “enfraqueceu o sistema político corrupto e burguês”.

Como assim enfraqueceu?

A Lava Jato levou o “sistema político corrupto e burguês” ao comando do Planalto, Petrobrás, BNDES, Caixa, Banco do Brasil!

A Lava Jato permitiu (e apoiou!) que o “sistema político corrupto e burguês” indicasse Alexandre de Morais para o STF, onde permanecerá por vinte anos, chancelando justamente o “sistema político corrupto e burguês”…

A Lava Jato permitirá que o “sistema político corrupto e burguês” aparelhe o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Luciana Genro se apega à prisão dos caciques do PMDB no Rio, sem lembrar que o almirante Othon Pinheiro, nosso maior cientista nuclear, também foi preso, condenado a 43 anos, e sem provas, como sempre. E prenderam o almirante no momento em que ele desenvolvia outra de suas fórmulas revolucionárias.

Genro esquece de mencionar que a Lava Jato destruiu muito mais as finanças do Rio do que as estrepolias de Cabral. Foi a Lava Jato que destruiu a indústria naval do Rio, que paralisou as obras das refinarias, e agora levou ao comando da Petrobrás o presidente mais entreguista que a estatal jamais sonhou ter.

Antes da Lava Jato, a roubalheira era escondida, secreta, envergonhada, feita por funcionários menores. Com Parente no comando da Petrobrás, toda a roubalheira apurada pela Lava Jato ao longo de vários anos agora acontece, em escala muito maior, em apenas uma semana!

Será que Luciana Genro acha que a prisão de Sergio Cabral, carta fora do baralho há muito tempo, vale a entrega da Petrobrás?

Será que ela realmente não percebe o jogo pesado por trás da Lava Jato, com todos esses “acordos de cooperação internacional” com o Departamento de Justiça dos EUA?

Ela não tem nada a falar sobre a partidarização do sistema de justiça brasileiro?

A esquerda brasileira precisa se unir, mas para isso ela precisa resolver essas questões!

***

No site da Luciana Genro
Carta à direção do PSOL por uma pré-candidatura presidencial urgente

Por Luciana Genro
06 DE ABRIL DE 2017 12h38

Contra Temer e contra o PSDB, o PSOL precisa afirmar que luta e se postula nas ruas, defendendo a greve geral, mas também nas urnas.

Mas não é apenas contra a burguesia tradicional que o PSOL deve se armar. A burocracia corrupta que aceitou ser agente dos interesses burgueses também é inimiga das necessidades do povo. A liderança de Lula não representa a esquerda – e isso deve ser dito em alto e bom som. Eu estava, assim como minha corrente, preocupada com o risco de o PSOL não lutar também contra essa falsa alternativa. Por isso os camaradas da Direção do MES lançaram uma carta. Como fundadores, era nossa obrigação alertar o partido sobre os riscos de não definir uma candidatura própria. Caso contrário pareceria, como já precipitadamente acusavam alguns, que o PSOL aceitaria fazer o jogo do lulismo. Mas não. O PSOL nasceu contra a traição da cúpula do PT. O fato de o governo Temer ser ilegítimo e de ser o pior governo da história da corrupta democracia brasileira não isenta a liderança de Lula desta responsabilidade. Assim, cabe ao PSOL se apresentar para a disputa em todos os terrenos e também na disputa presidencial.

Com este objetivo, sugerimos o nome de Marcelo Freixo. Explicamos porque Freixo deveria assumir esta responsabilidade. Basicamente é o nome mais forte do PSOL, poderia atrair muita juventude e até setores petistas cansados das práticas de sua cúpula, setores intelectuais e artistas, em especial do Rio de Janeiro, que lhe apoiaram na campanha da Prefeitura.

Nos tranquilizamos que a Executiva Nacional votou por unanimidade, no último final de semana, como resposta à discussão suscitada por nosso texto, que o partido terá candidato próprio. A necessidade de ter um candidato e de que todas as lideranças públicas do partido assumam esta responsabilidade nos levou também a apresentar meu nome, caso Freixo recusasse a proposta, como já havia manifestado.

Posso disputar qualquer cargo eleitoral, mas me dispus a assumir novamente a batalha presidencial, mesmo com a lei Cunha e as grandes limitações que ela impõe. Apesar disso, confio que ganharíamos força. Tenho disposição de sobra para enfrentar os políticos burgueses. Disposição de sobra para reivindicar a primavera feminista. Diante da recusa reiterada de Freixo, meus camaradas do MES colocaram a necessidade de lutar pelo meu nome. Mas sei que meu nome não é consenso.

No partido tivemos uma importante corrente de opinião que se recusou a defender eleições gerais como alternativa ao impeachment e se limitou a ter como política o Fica Dilma. Uma parte destes setores partidários, neste caso menos expressiva, se recusou a defender eleições diretas mesmo depois de consumado o afastamento de Dilma, só aceitando esta bandeira depois que o PT a adotou. Sou consciente também que uma parcela importante de dirigentes do partido mais atacaram a Lava Jato do que a defenderam. Como regra, diziam que ela só atacava o PT. Eu defendi muito mais a Lava Jato do que apontei seus limites e problemas, mesmo sabendo que eles existem e que são parte dos problemas globais do nosso sistema penal. Junto com minha corrente, sempre defendi que a Lava Jato estava cumprindo um papel positivo ao enfraquecer um sistema político corrupto e burguês. As prisões da cúpula do PMDB do Rio falam por si só – o que a cara de Aécio na Veja mostra também. Apesar disso, este é um tema que o PSOL não tem resolvido. Não há consenso e minha posição não é a de todos. Ao contrário, creio que o partido perdeu uma imensa chance ao não defender de maneira resoluta esta causa justa apoiada pelo povo.

Diante das divergências é preciso escolher. Creio que o mais urgente é ter um nome do PSOL que faça o partido presente na disputa com a burguesia e o lulismo, para isso sugeri que o MES busque uma solução de compromisso. Como sei que Marcelo Freixo e outras lideranças querem Chico Alencar como candidato, sou da opinião de que este nome pode indicar um caminho de unidade. Somos sinceros em dizer que para nós o nome ideal é o de Marcelo Freixo, por sua representatividade social. Mas em política nem sempre o ideal é possível. E o mais grave é não ter candidatura já. Isso mataria o PSOL.

Além disso, é preciso ser dito: respeitamos muito o nosso Deputado Chico Alencar. Ele tem uma posição sobre a Lava Jato muito próxima da minha. Tem uma trajetória de respeitabilidade, a qual tem como principal marca o compromisso ético e a recusa à lógica dominante da política de toma lá, dá cá. Por isso, foi escolhido diversas vezes como um dos melhores deputados federais. Teve papel muito importante contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos maiores corruptos do país, e nesta luta fortaleceu o PSOL. E sempre esteve entre os mais votados do partido no Rio.

Por isso, com suas ideias corretas sobre questões fundamentais, entre elas o apoio à Lava Jato, ele pode fazer do PSOL um polo de luta e reconstrução da esquerda. O importante é que comece já. Então, para evitar que essa decisão só seja tomada após uma longa disputa congressual é muito melhor já se cerrar fileiras com o nome de Chico Alencar.

Neste sentido, com a concordância do Secretariado Nacional do MES, retiro o meu nome da discussão para presidência da República e apoio o nome do companheiro Chico como candidato de consenso, a ser apresentado publicamente de forma imediata para que possamos dialogar com as forças políticas que estão dispostas a construir uma frente de esquerda contra a burguesia e o lulismo.

Saudações, Luciana Genro

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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