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Itália, França e Sérgio Cabral

Por Miguel do Rosário

28 de maio de 2013 : 13h07

Minha esposa voltou de viagem a trabalho à Europa e me trouxe uma porção de jornais. Aproveito para fazer alguns comentários sobre as leituras, atualizadas hoje em consultas à internet.  Mas também comento fatos da política nacional.

As eleições regionais na Itália revelam um grande vencedor, o Partido Democrático, o novo nome assumido pelo partido comunista desde alguns anos. O partido tem o primeiro ministro do país, e agora governa a capital, Roma, com Ignazio Marino.

http://www.corriere.it/Speciali/Politica/2013/elezioni/comuni/

A febre Beppe Grillo, que emergira como a grande novidade italiana, um comediante que ataca a política e partidos, arrefeceu bastante no país.

Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas

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Os setores progressistas e liberais da França – com certeza  a maioria da população – assistiram perplexos a uma manifestação conservadora gigante no país, organizada por igrejas católicas e partidos conservadores, contra  a lei recentemente aprovada pelo Congresso Francês, com apoio do governo, que prevê o casamento gay e a permissão para que estes adotem filhos.

Entretanto, observo um movimento político curiosíssimo. Ao mesmo tempo em que o conservadorismo se rejubila com o “sucesso” da manifestação, ela produziu, paradoxalmente, enorme ganho político para o presidente socialista François Hollande. É que Hollande vive uma crise de popularidade, causada pela crise econômica europeia, que já se reflete na França, e pelas críticas de que não estaria sendo suficientemente “de esquerda”, como queriam os franceses. É a sina de todo governo de esquerda no mundo. As manifestações do ultraconservadorismo, todavia, ajudam a lembrar o eleitor de que lado Hollande está.

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Li um excelente artigo ontem no blog do Castor Filho, com uma análise bastante acurada sobre a guerra civil na Síria. Segundo o autor, o governo está ganhando a batalha. Os rebeldes, apoiados pelas potências ocidentais, revelaram-se tão ou mais violentos e cruéis que o exército oficial, e, sobretudo, falta-lhes autenticidade política.

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E já que estamos falando em Paris,  falemos sobre um de seus mais assíduos frequentadores, o nosso governador Sérgio Cabral.

A especulação de que ele poderia vir a ser vice de Aécio Neves, conforme publicado hoje na coluna Painel, da Folha, é uma hipótese absurda.

Em primeiro lugar, Cabral está queimado. Se entrar de vice de Aécio, basta a oposição botar na TV as imagens dele usando aquele guardanapo na cabeça para detoná-lo de vez.

Em segundo lugar, Cabral ganhou popularidade associando-se à Lula e Dilma. Se passar para o outro lado, será visto como um traidor por seu próprio eleitorado.

Em terceiro lugar, a presidente Dilma, no momento, não precisa de Cabral. Ela se garante perfeitamente no Rio de Janeiro sem necessidade do palanque do governador.

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A candidatura de Eduardo Campos está refluindo. Os governadores do seu próprio partido estão quase todos se alinhando em apoio à candidatura de Dilma Rousseff. E agora o ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra, um dos mais importantes quadros do PSB, também nega apoio à candidatura de Campos no ano que vem. De maneira geral, Campos tem apoio dos políticos que se beneficiariam de sua candidatura em eleições proporcionais: deputados estaduais e federais. Mas sofre restrições dos que enfrentarão eleições majoritárias, como governadores. Prefeitos que se elegeram com apoio do PT, e que até hoje precisam dele para governar, também estão apreensivos com a ruptura entre as duas legendas.

 

 

 

 

 

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Fernando G. Trindade

29 de maio de 2013 às 08h50

Caro Miguel,

Com a devida vênia, não é correto dizer que o Partido Democrático é o novo nome do Partido Cominista Italiano.

Na verdade, muita água passou por baixo da ponte desde que a maioria do PCI decidiu transforma o PCI em PDS (Partido Democrático de Esquerda)faz mais de 20 anos. Os que discordaram criaram o partido Refundação Comunista.

O atual PD (criado em 2007) é fruto de fusão entre os pós-comunistas do PDI e outras vertentes políticas, com destaque para setores de esquerda do antigo Partido Democrata Cristão (PDC).

A propósito o atual primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, do PD, tem sua origem política no PDC.

Aliás, seria interessante uma análise do acordo entre o PD e o PDL de Berlusconi para superar o impasse e formar o atual governo na Itália, acordo que em princípio me parece positivo.

Responder

    Miguel do Rosário

    29 de maio de 2013 às 19h21

    Pois é, obrigado pelas aulas. O importante é que o PD representa a centro-esquerda italiana, e sua ascenção representa o declínio do berlusconismo.

    Responder

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