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A resposta da UERJ e os segredos de Barbosa

Por Miguel do Rosário

20 de julho de 2013 : 15h35

A UERJ respondeu ao Diario do Centro do Mundo uma questão que este blog levantou:

“Informo que o ministro Joaquim Barbosa é professor da UERJ, licenciado SEM VENCIMENTOS, a pedido dele próprio, para exercer cargo eletivo, desde o ano de 2006. Processo 1659/2004/UERJ”, escreveu Regina Weissmann, chefe de gabinete da reitoria UERJ. “ Portanto, não recebe salários pela Universidade, estando em absoluta condição legal.”

Peço perdão pelo transtorno, mas ainda não estamos satisfeitos. Queremos saber o seguinte: qual a situação funcional do ministro Joaquim Barbosa? Os documentos a que tivemos acesso mostram que ele é funcionário “ativo por autorização expressa do reitor”. Que situação é esta?

Ele não está recebendo? Mas se está ativo, não poderá fazer como fez recentemente com os reatroativos do Ministério Público (R$ 580 mil) e pedir todos os benefícios atrasados posteriormente, com juros e correção monetária?

Em nome da transparência, gostaríamos que UERJ divulgasse todo o histórico de Joaquim Barbosa. A nossa imprensa é engraçada. Endeusa Joaquim, põe o sujeito todo dia no jornal, o Globo lhe concede o prêmio Faz Diferença, os americanos lhe dão um troféu, incluem seu nome nas pesquisas de intenção de voto, fazem propaganda de seu nome para presidente, mas não vão atrás de nenhuma informação sobre seu passado. Blindagem total.

Imagine se descobrissem que Dilma está ativa em outra empresa pública e recebendo salários, ou mesmo sem receber no momento, dando margem a receber tudo posteriormente?

Imaginem se descobrissem que a presidente da República tem outras fontes de renda, no setor público e no setor privado (no caso de Joaquim, ele dá aula na IESB), sem que haja transparência em nenhum dos casos. Ora, o presidente do STF não é representante, como gosta de afirmar Barbosa, de um poder independente e “absoluto”? Tudo bem receber se está dentro da lei, mas com transparência. Afinal, ele é um juiz do STF, e agora presidente da instituição! O Brasil precisa saber quem são seus patrocinadores. Um deles já sabemos, até porque ele não escondeu: Luciano Huck.

Não podemos dar margem a nenhum tipo de corrupção cruzada, disfarçada de salário.

Um leitor criticou a minha postura de acusar Joaquim Barbosa com base num “papel de internet”. Não é um papel de internet. São documentos autênticos da UERJ, que mostram o ministro em condição ativa.

Não tenho nenhuma pretensão de ser dono da verdade. Me sinto forçado a publicar algumas coisas para obrigar as autoridades a se explicarem. Se mesmo com provas, e com toda a repercussão, a UERJ se limita a respostas lacônicas e sem apresentar documentos, imagine se não publicássemos nada.

Dito isto, minhas críticas à Joaquim Barbosa são públicas. Acho que ele politizou nocivamente o STF e se deslumbrou com a mídia, tornando-se por isso o ídolo do udenismo brasileiro. E identificamos, no julgamento do mensalão, atitudes criminosas de Joaquim Barbosa, ocultando deliberamente provas que inocentariam alguns réus, para não prejudicar a estrutura lógica do “mensalão”. Foi de Joaquim a decisão de, em cima da hora, “fatiar” o julgamento, pegando de surpresa outros ministros, a defesa e a opinão pública. Sempre com o intuito de fragilizar a defesa e fazer o jogo dos interesses políticos engajados na condenação. Barbosa se tornou um verdugo da Casa Grande, sempre alinhado às posições da mídia.

Se, além disso tudo, ele ainda acumula cargos na UERJ, recebe um gordo salário dos tucanos , via IDESB, além das mordomias e empregos para familiares que a Globo tem lhe dado, temos uma situação extremamente grave em termos de isenção e ética.

O Brasil terá que criar regras, sobretudo, para que juízes não mais fiquem tão a mercê das corporações midiáticas.

 

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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