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Andrea Haas. Foto de Mario Camara, da Folha Press.

Pizzolato denuncia erros do processo à Justiça italiana

Por Miguel do Rosário

07 de fevereiro de 2014 : 17h42

A prisão de Pizzolato e o início de seu processo na Itália acelerou as rodas da história. O jogo do mensalão, até agora vencido de goleada pela mídia, terá uma prorrogação. E a imprensa brasileira poderá vivenciar um dos maiores vexames internacionais da atualidade. A sua parcialidade gritante no julgamento do mensalão será exposta sem dó para o mundo inteiro.

Em audiência na Justiça italiana, Henrique Pizzolato denunciou ser vítima de um processo político. Seu advogado deu uma coletiva à imprensa onde falou abertamente sobre seu cliente. Publico abaixo o texto publicado no Estadão, que é igual ao de outros jornais.

Seu advogado revelou que Pizzolato está muito sereno e confiante na Justiça italiana.

*

Qual foi o resultado da audiência?
Pizzolato vai permanecer na penitenciária de Módena até que eventualmente se modifique a medida cautelar ou terá de esperar a medida da extradição.

Porque o tribunal negou o pedido de liberdade provisória?
Não sei. Foi publicado um procedimento com uma motivação muito dura. Provavelmente pelo perigo de fuga. Não falamos de extradição. Ele apenas negou que aceitaria a extradição. Eu pedi que não fosse aplicada nenhuma medida cautelar ou que, se tivesse de ser aplicada, que fosse prisão domiciliar.

Pizzolato se pronunciou?
Sim, Pizzolato falou. Explicou as razões pelas quais ele veio do Brasil e que, segundo ele, o processo não foi administrado de uma forma correta e que era um processo político. E disse que não cometeu o que foi dito que ele cometeu. Ele disse que se trata de um processo político, mas vocês tem que entender que a natureza de um ato político é um conceito jurídico complexo. A primeira coisa que disse é que não quer ser extraditado.

Ele explicou os documentos falsos?
Ele não explicou nada disso porque não tem relação com a jurisdição italiana.

O que ocorre agora?
O Ministério da Justiça brasileiro tem que transmitir ao Ministério da Justiça da Itália uma série de atos que justifiquem um pedido de extradição. Tem um prazo e 40 dias que precisa ser respeitado e ao final do qual terá uma audiência na Corte de Apelação quando se decidira se o pedido de extradição pode ser pelo menos aceito.

Ele fica na prisão até a chegada dos documentos?
Não necessariamente. Ele vai permanecer até que o juiz julgue suficiente a medida cautelar. Ele pode até sair antes. Pode ser que haja uma mudança na medida cautelar. Pode ser que a medida cautelar seja substituída.

E o que o sr. vai fazer para mudar isso?
Não sei. Temos que refletir um pouco. O pedido de extradição ainda não chegou.

O que o juiz falou para justificar?
Justificou dizendo que há o perigo de fuga e portanto ele pensa que seja adequada permanecer na prisão.

O sr. falou sozinho com Pizzolato?
Certamente. Ele está muito sereno, muito tranquilo e tem muita confiança na Justiça italiana.

Quanto tempo acha que ele vai ficar na prisão?
Não sei. Pode ficar um mês, dois meses ou seis meses.

Ele poderia sair em uma semana?
Dificilmente.

Porque se pode mudar uma medida cautelar?
Porque o juiz tem que validar o argumento de medida cautelar. E com o decorrer do tempo, ou com a aparecimento de nova situação, ele pode mudar. Se num dado momento é necessária a custódia na prisão, passado um certo tempo e à luz, quem sabe, de novos elementos, que sejam apresentados ao juiz, pode provocar uma mudança na exigência de medida cautelar.

A juíza explicou porque ela pensa que há motivo de fuga?
Não especificou, mas ficou bem claro no discurso da juíza que ele fugiu do Brasil e ele tinha um documento falso. A razão foi essencialmente essa.

Os documentos falsos tiveram uma influência?
Talvez não tenha sido decisivo, mas teve uma influência.

Quais são os próximos passos?
Agora vamos avaliar e ver se conseguiremos alterar ou ter a substituição da medida cautelar. É prematuro dizer agora (o que vamos fazer). Precisamos pensar um pouco.

Como está Pizzolato?
Ele esta muito tranquilo em relação à situação do cárcere. Não está em isolamento nem tem medidas punitivas. Ele é um prisioneiro comum. Ele está absolutamente tranquilo. Sereno, lúcido e respondeu detalhadamente todas as perguntas que foram feitas.

Ele estará sozinho numa cela?
Não.

Com quantas pessoas?
Talvez com duas ou três. Não são celas individuais. Com a situação das prisões na Itália é difícil ter uma cela para uma pessoa.

E as visitas da família?
Penso que sejam de seis a oito visitas por mês.

A esposa de Pizzolato falará com a imprensa?
Ela tem a intenção de conceder entrevista à imprensa italiana: aos italianos, sim. Aos jornalistas brasileiros ela não tem nenhuma intenção de falar. O motivo é que ela não está contente com o que escreveu a imprensa brasileira no curso do processo. É uma escolha dela. Ela me disse apenas: “eu com a imprensa brasileira não tenho intenção de dar nenhuma declaração.”

O sr. tem ideia da estratégia de defesa?
Não, é muito cedo. Temos que pelo menos esperar que o Brasil envie um ato porque não mandou nada até agora. Temos somente o mandado de prisão internacional.

*

É interessante observar como os portais brasileiros reagiram à última notícia sobre Pizzolato. UOL e Estadão deram destaque às declarações de Pizzolato de que está sofrendo um “processo político”. O Globo, não, preferiu se ater à estimativa mais pessmista do advogado, de que ele pode ficar até seis meses preso, na Itália. Na verdade, seu advogado disse que ele pode ficar 1, 2 ou 6 meses, ou até mesmo uma semana.

A esposa de Pizzolato, Andrea Haas, já declarou aos repórteres brasileiros de que só dará entrevistas à imprensa italiana, e ainda tascou: “inventem o que quiserem, vocês sempre fazem isso”.

Haas vai dar trabalho. Nesses últimos oito anos, ela se tornou uma das maiores conhecedoras do processo contra seu marido. Se a imprensa italiana se interessar pelo seu caso, eu tenho pena da mídia brasileira. Quer dizer, tenho não.

Andrea Haas. Foto de Mario Camara, da Folha Press.

Andrea Haas. Foto de Mario Camara, da Folha Press.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Anchieta Vidal

07 de fevereiro de 2014 às 22h14

tucanos tudo ladrão.

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martha silva

07 de fevereiro de 2014 às 19h19

Com certeza também não falaria com a grande mídia brasileira, mas, faria exceções aos poucos jornalistas sérios e isentos que existem no Brasil. Pouquíssimos!!! Mas,existem!!!

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Rubem Gonzalez

07 de fevereiro de 2014 às 21h15

Bosteiro da paz, vai escrever merdas sobre os 22 anos que o Janot tá carcando no cu do azeredo. Matéria intereressantissima pois se o Lewandowiski usar o dominio do fato ate o Aécio , o GIlmar merdes e o filho do FHC ALÉM DO PRÓPRIO VÃO EM CANA.

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Mosteiro da Paz

07 de fevereiro de 2014 às 20h24

Levou alívio à direção do PT a notícia de que são remotas as chances de extradição de Henrique Pizzolato (foto), banqueiro do mensalão condenado a 12 anos de cadeia pelo Supremo Tribunal Federal. Os petistas temem que, “abandonado”, como já se queixou a interlocutores do partido, Pizzolato conte a quem servia e quem chefiava o esquema de corrupção do qual foi protagonista, como diretor do Banco do Brasil. DIÁRIO DO pODER

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    Luiz

    09 de fevereiro de 2014 às 01h25

    Mosteiro da Paz ou mosteiro do imbecil reacionário?

    Responder

Mosteiro da Paz

07 de fevereiro de 2014 às 20h18

Mesmo com seu irmão tendo falecido na década de setenta, Henrique Pizzolato jamais comunicou aos Cartórios. Na intenção criminosa de tirar documentos FALSOS no nome do irmão falecido! REVOLTADOS ON LINE

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Renato Abreu

07 de fevereiro de 2014 às 20h18

“Inventem o que quiserem…”!! Toma, distraído! Fim da farsa do Mentirão!

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