Bate papo com Joana Mortágua, deputada portuguesa!

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Por Miguel do Rosário

12 de Fevereiro de 2014 : 11h03

Me desculpem pela ausência ontem.

Compareci pela manhã ao tribunal para o julgamento do processo que Ali Kamel move contra mim. Ontem houve só uma tentativa de conciliação, que não rolou. A decisão só sai em alguns dias, ou semanas. Só quero adiantar que está tudo bem. Meu advogado está otimista.  E mesmo se eu perder, está tudo bem. Isso não vai afetar uma vírgula o meu trabalho por aqui, não se preocupem. Depois eu dou mais detalhes, porque o dia tem assuntos mais importantes.

Aliás, há tantos assuntos a tratar hoje que, para organizar minha cabeça, vou listar os principais tópicos e rascunhar alguns comentários sobre cada um.

1 – A última truculência de Barbosa. O presidente do STF entrou numa espécie de surto psicótico e merece o impeachment. A Folha de hoje tenta uns mandrakes semióticos para salvar sua pele. Mas não adianta. Está claro que ele está agindo de maneira totalitária.

2 – Hoje no Globo há uma nota intitulada “Pizzolato ainda tem que devolver R$ 5,5 milhões ao BB”. A nota é um primor de distorção, tanto que nem dá para entender. Fala que “até agora, o ex-diretor (…) escapou de obrigação de ressarcir os cofres públicos nos casos relacionaos aos bônus de volume (…)” E “Pizzolato está longe de ser responsabilizado em cinco processos abertos pelo TCU para apurar suposto dano ao erário de R$ 5,5 milhões.” A única coisa de concreto é que, conforme a própria matéria, “a maioria dos ministros [do TCU] seguiu o relatório da ministra Ana Arraes e considerou regular as operações de publicidade, que não devolveu dinheiro ao banco.” O cinismo da mídia é impressionante. Ela recebeu dinheiro da Visanet, ela pagou bônus de volume às agências de Valério, como faz com todas as agências, e não fala nada. O BB não recebeu bônus de volume porque nunca recebe. Há vários comunicados, auditorias e relatórios que explicam isso.  Interessante ver que a mãe de Eduardo Campos, ministra do TCU, Ana Arraes, atestou a regularidade das operações da DNA junto ao Banco do Brasil. O Globo agora está pressionando para o MP rever a decisão. Mas só está adiando o seu próprio fiasco enquanto imprensa e forçando mais golpes. A operação foi legal.

3 – Não tive tempo de comentar o ridículo sensacionalismo do Globo em torno da participação de Marcelo Freixo no episódio do repórter morto. Faltou pouco para o Globo chamar Freixo de terrorista. Não vou fazer críticas a Freixo nesse momento. Apenas lhe prestar solidariedade irrestrita, apesar de que (ops, lá vai uma crítica) acho que ele, assim como o PSOL como um todo, foram muito condescendentes, quase cúmplices, com essa “estética da violência” que predominou nas manifestações.  Mas, evidentemente, nenhum deles jamais pensou em ferir um ser humano.

4 – Também é um exagero essa paranoia terrorista. Temos alertado, há tempos, que havia um forte componente fascista na violência das manifestações. Mas não é preciso endurecer lei nenhuma. Já existe lei. Nem é preciso prender o tal Fabio Raposo por 30 anos. Isso é um exagero ridículo. Aquele norueguês que matou 50 pessoas há alguns anos, vai pegar pouco mais de 15 anos. Basta prender esses garotos mimados que brincam de revolução por algumas semanas, ou meses. E sobretudo investigar se há grupos por trás deles.

5 – É saudável que a sociedade, finalmente, esteja refletindo sobre o ovo de serpente que estava chocando, com essa condescendência absurda em relação à violência. Infelizmente, não é correto dizer que a violência parte de “infiltrados” nas manifestações “populares”, como alguns colunistas afirmam hoje, entre eles Zuenir Ventura. As próprias manifestações, lideradas por garotos violentos de classe média, tiveram um espírito essencialmente violento, autoritário. É como se repetissem as Marchas da Família, que antecederam o golpe, agora com um verniz pseudo-esquerdista. E os black blocs não são apenas aceitos. Eles fazem parte do núcleo político dessas manifestações.

6 – Recebi o áudio completo, em estado perfeito, daquele vídeo onde Barbosa diz que o Inquérito 2474 não tem nada a ver com a Ação Penal 470. Aquilo lá, a meu ver, também dá razão para seu impeachment. Depois eu disponibilizo aqui e vou tentar também sincronizá-lo com o vídeo.

7 – Tenho cá comigo uma carta assinada por importantíssimo homem de governo (na época, era um diretor do Banco do Brasil) em que ele atesta categoricamente que não houve desvio do Fundo Visanet. É mais um documento daqueles que podem derrubar o mensalão. Se tiver tempo, também a publico hoje.

8 – Notinha na coluna Painel, da Folha de ontem:

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É incrível a má vontade, a malícia, a total falta de escrúpulos generalizadas quando se trata de abordar o caso Pizzolato. É erro em cima de erro. A coluna fala que Pizzolato era “ex-presidente do BB”, e nem corrige no dia seguinte.  Ele era diretor de marketing, hierarquicamente abaixo do diretor de Varejo, na relação com a Visanet. Abaixo dos vice-presidentes e obviamente a anos-luz de distância da presidência do BB, todas essas funções entregues a servidores ligados à gestão anterior.

Cada dia me convenço mais da necessidade de defender Pizzolato. Ele falsificou documentos e preparou sua fuga depois que foi vítima, talvez a principal vítima, de uma das mais sinistras e inescrupulosas armações judiciais da história do Brasil. Não se pode julgar o que ele fez senão se entender o que foi feito com ele. Quem suportaria viver um pesadelo desse por tantos anos? E a prova é que a Globo botou uma repórter para vigiar 24 horas a porta da casa da Andrea Haas, mulher de Pizzolato, em mais uma demonstração de terrorismo midiático.

Pedro Tacques, além de senador, é promotor público, ou seja, carrega aquele espírito acusatório, rancoroso, corporativo e partidário que, infelizmente, tem contaminado o ministério público.

Houve armação, inclusive, naquele lance de ter “delatado” Gushiken, porque não tinha nada o que delatar. Houve sim uma sessão de tortura psicológica numa CPI em que arrancaram de Pizzolato a verdade singela de que Gushiken era quem “mandava assinar”, porque Gushiken controlava toda a  publicidade institucional. Qualquer um, no lugar de Pizzolato, teria respondido algo parecido. Só que Gushiken não “mandou assinar” nada de errado. Pizzolato assinou, junto com outros diretores, as notas técnicas que tratavam do Fundo Visanet. Mas não era responsável pela transferência de recursos da Visanet para a DNA. A responsabilidade era de um gestor apontado pelo Banco do Brasil, e o dinheiro era da Visanet. Não sendo público, ninguém poderia ter sido acusado de peculato. Não havendo desvio comprovado, ninguém poderia ter sido acusado de corrupção.

9 – Tenho informações muito fortes que Katia Rabelo, ex-presidente do Banco Rural, condenada no caso mensalão, é totalmente inocente.  Ela nem era presidente do Banco na época do mensalão, e só assinou o recebimento do pagamento dos empréstimos que a presidente anterior, falecida, deu ao PT.  Quando essa farsa ruir, ver-se-á que não somente os petistas foram injustiçados. Todos os réus foram, de uma forma ou outra, vítimas de uma farsa judicial. Eles podem ser até culpados por outros crimes, mas a acusação que lhes foi feita é tão errada quanto a que condenou os réus do núcleo político.

 

importante

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Zé Roberto

13 de Fevereiro de 2014 às 00h24

Força Miguel!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Cleide Portella

12 de Fevereiro de 2014 às 20h28

Tem o nosso apoio e respeito Miguel Do Rosario!!!

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Cláudio Pereira

12 de Fevereiro de 2014 às 13h08

Caraca… Junto com o vídeo dos Black Block cantando o hino de fim de ano da Globo, tudo é dinamite pura! Longa Vida, Miguel!!!!

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