Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

A incompetência das empresas privadas

Por Miguel do Rosário

29 de maio de 2014 : 10h51

Você já deve estar cansado de ouvir a ladainha neoliberal sobre a deficiência orgânica do Estado. Segundo essa visão, o Estado é ruim e corrupto por natureza.

O bom é a iniciativa privada. Essa sempre foi a justificativa para a privatização. Aqui no Brasil a gente sofreu de perto esse preconceito. Perdemos inúmeras empresas públicas importantes, como a Telebrás e a Vale, porque a mídia martelava essa teoria dia e noite.

Só que essa teoria é uma falácia. Empresas privadas tem os mesmos problemas que as públicas, com um agravante: não tem transparência nenhuma, sonegam impostos, não passam por tribunais de conta, não tem sistemas democráticos de controle e governança.

Nos últimos anos, Estados do mundo inteiro tiveram que torrar trilhões de dólares para tampar buracos provocados pela incompetência e corrupção de empresas privadas.

Não estou aqui falando mal de todas as empresas privadas, ou dizendo que elas não tem espaço no mundo. Ao contrário, acredito no empreendedorismo e eu mesmo, como blogueiro, sou um empresário de comunicação na internet, afora vários outros rolos que já vivenciei, sempre como micro-empresário (jornal de café, empresa de legendagem e tradução, etc).

Acredita na democracia e no poder do Estado de reduzir as desigualdades sociais.  Procuro não ter uma visão apocalíptica do mundo, apesar de tentar estar sempre consciente de nossos inúmeros problemas.

Suponho que o futuro da humanidade será uma espécie de socialismo democrático e avançado, num mundo regido por instituições e leis internacionais democráticas e humanistas.

Mas acredito também que deverão existir leis para determinar regras democráticas também para o ambiente empresarial, sobretudo para grandes empresas e corporações.

Enfim, hoje me deparo com a seguinte notícia no Terra. Imagina se isso acontecesse numa empresa pública?

*

Recall da GM: engenheiro esqueceu de mudar ignição de carros

A GM ligou 13 mortes a acidentes relacionados à chave de ignição

Um engenheiro suspenso da General Motors (GM), que trabalhou na defeituosa chave de ignição no centro de um recall gigantesco, disse para encarregados da investigação no Congresso norte-americano que esqueceu de ter ordenado uma mudança na chave de ignição, em depoimento no ano passado, segundo o New York Times.

O engenheiro da GM Ray DeGiorgio não disse nada aos encarregados pelo inquérito sugerindo que a presidente-executiva Mary Barra sabia sobre a ignição defeituosa antes de assumir o comando da companhia neste ano, de acordo com o Times, citando pessoas familiarizadas com a sessão.

DeGiorgio, que foi suspenso pela GM no dia 10 de abril, projetou a chave de ignição para o Saturn Ion de 2003 e outros modelos, incluindo o Chevrolet Cobalt, que foi chamado para recall. A GM ligou 13 mortes a acidentes relacionados à chave de ignição.

A chave de ignição defeituosa foi reprojetada em 2006 sem uma mudança no número da peça, o que mais tarde confundiu encarregados pelo inquérito que averiguavam os acidentes dos carros agora chamados para recall. Os encarregados apresentaram um documento interno da GM mostrando que DeGiorgio havia autorizado a mudança em abril de 2006.

Em um depoimento no ano passado em um processo relacionado a um acidente fatal em 2010 na Georgia, DeGiorgio negou que sabia sobre a mudança. O New York Times relatou que ele disse recentemente aos encarregados pelo inquérito que, no momento do depoimento, ele havia esquecido sobre a mudança, pois ela fazia parte de um pacote de mudanças.

A General Motors não estava disponível para comentários fora do horário comercial regular.

Zeitgeist BWhite

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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Gustavo Henrique

01 de junho de 2019 às 01h29

Boa Noite!! Gostei do seu post mesmo não concordando com ele 100 %.
Vou deixar minha visão, esta que passou pela experiência pública da pesquisa até mesmo da prestação de serviço e união deste um município até o estado com uma empresa (e eu representando a empresa).
Eu concordo com você que a privatização não é a melhor solução em todos os pontos, principalmente, no seu argumento que as aplicações do estado realmente possibilitam a melhoria direta de todos os indivíduos, além de, realmente se bem administrados trazerem desenvolvimento para regiões onde sozinhas não possuem pernas. Gosto de pensar que, uma empresa privada ela lógico tem o obejtivo do dinheiro como carro chefe (e este fator deve ser usado à favor nos serviços). Porque, as empresas privadas de fato executam mais rápido e tem obrigações contratuais, como por exemplo à serviço do estado, mas aplicar as mesmas em escopos (que o dinheiro não é o demandante que vejo o problema), pois, ela optar sempre pelo dinheiro em primeiro lugar (Fator que é diferente do estado que leva a ética, a distribuição da renda entre outros fatores que estão em nossas leis). Desta forma, vejo que os dois são fundamentais para o desenvolvimento e como um organismo devem ser trabalhados juntos, sendo, portanto, cada um executando seus objetivos e metas. “Só assim vejo desenvolvimento de fato acontecendo”.

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Duílio

01 de junho de 2014 às 21h19

Competentes devem ser o Vicentinho e o Maluf!

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Vitor

29 de maio de 2014 às 14h09

Miguel, acho que na média as empresas privadas são sim mais eficientes que estatais… O exemplo dos aeroportos privatizados é latente! Olha o que fizeram em pouquíssimo tempo!

Claro que toda empresa tem problema, há inúmeros casos de incompetência em empresa privada e excelência nas públicas, mas a diferença ainda é grande…

Já tive vivência nos dois tipos de empresa e posso afirmar sem susto que existem pessoas excelentes em empresas públicas e privadas, assim como profissionais ruins nas duas… Mas acho que o grande vilão é a tal da estabilidade na empresa pública! Já vi muita gente que passa em concurso e acha que por isso merece o salário e não pelo trabalho que irá realizar. Alguns não encaram o concurso como uma forma de “entrevista de emprego” e sim como um trabalho pelo qual merecem ser remunerados posteriormente…

Enfim, essa é minha experiência, abraço!

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    Miguel do Rosário

    29 de maio de 2014 às 14h36

    sim, concordo.

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Mário SF Alves

29 de maio de 2014 às 13h56

“O bom é a iniciativa privada. Essa sempre foi a justificativa para a privatização. Aqui no Brasil a gente sofreu de perto esse preconceito. Perdemos inúmeras empresas públicas importantes, como a Telebrás e a Vale, porque a mídia martelava essa teoria dia e noite.”

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Se tivessem tido mais tempo, tucanos e associados, teriam rifado o Brasil inteiro e de quebra, privatizado até à medula o Estado.

Imagino o que teria dito sobre o isso o eterno Darcy Ribeiro. Ele não se resignaria nunca.

“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.”

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alexandre a. moreira

29 de maio de 2014 às 13h42

melhor não misturar a organicidade que resta de alguma competiçao sadia que existe no ambiente privado que a empresa estatal não tem. Acho que o que falta nesta discussão é o fato do estado ser a “empresa” política de uma nação perante seu povo e frente a comunidade mundial. Uma empresa como a petrobrás que NO MOMENTO funciona como nossa NASA ou até mesmo o papel semelhante ao que tem as FORÇAS ARMADAS para o desenvolvimento tecnológico nos EUA é que devem ser esclarecido para todos assim evitariamos um pouco ataques frívolos e inconsequentes sobre o papel do estado sem que se apresente todas as complexidades.

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    Miguel do Rosário

    29 de maio de 2014 às 13h44

    sim, tem razão. também acho a concorrência importante.

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    Miguel do Rosário

    29 de maio de 2014 às 13h46

    teste

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