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A direita está certa! Vamos copiar os EUA! E legalizar maconha, casamento gay e aborto

Por Miguel do Rosário

06 de agosto de 2014 : 14h45

Reproduzo um instigante artigo de Cynara Menezes, blogueira e jornalista da Carta Capital.

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A direita está certa: devemos imitar os EUA. E legalizar maconha, casamento gay e aborto

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena.

1977:  Women taking part in a demonstration in New York demanding safe legal abortions for all women.  (Photo by Peter Keegan/Keystone/Getty Images)
(Marcha pró-aborto nos EUA. O aborto é legalizado no país desde 1973. Foto: Peter Keegan)

Os reacionários brasileiros adoram os Estados Unidos. Costumam passar, inclusive, as férias em Miami –o que corrobora seu profundo mau gosto, já que o país é imenso e tem dezenas de outras cidades mais interessantes. Para a direita tupiniquim, os EUA são a Terra Prometida, onde jorra leite e mel. A economia deles é fantástica, a educação, a saúde, o cinema… Eles admiram até a junkie food, aquela comida péssima que fez os índices de obesidade irem à estratosfera por lá. Enfim, se dependesse dos reaças, o Brasil imitaria o Tio Sam em tudo. Tudo mesmo? Será?

Claro que não! Existem conquistas dos norte-americanos que a direita brasileira faz tudo para esconder de você.

Quando se trata destes assuntos, eles preferem mirar o Irã, o Afeganistão ou qualquer nação islâmica radical onde as mulheres andam de burca e onde tudo é proibido em nome de Deus. A Terra Prometida dos reaças, na verdade, é um mix de Estados Unidos por fora e país fundamentalista por dentro. Uma miragem para enganar trouxa.

Imagine se a reaçada brasileira, que adora macaquear os EUA, iria querer que nós imitássemos, por exemplo, a lei de aborto norte-americana. A obscura direita nativa, que em toda eleição tenta criar celeuma em torno do aborto, prefere ocultar do povo que, na terra de George Bush e Barack Obama, pode-se interromper a gravidez legalmente em absolutamente TODOS os 50 Estados desde 1973. A interrupção pode ser feita até a 22ª semana de gestação e, em 17 Estados, o atendimento ao aborto é realizado pelo serviço público de saúde. Nos demais, em clínicas particulares.

O aborto, além de ser um direito e uma escolha da mulher, é uma questão de saúde pública. Centenas de mulheres morrem anualmente por causa de abortos mal-sucedidos no Brasil, porque, é claro, eles continuam a ocorrer mesmo proibidos por lei. E o número de abortos com a legalização, ao contrário do que a direita costuma dizer, vem caindo a cada ano nos EUA. Segundo um estudo divulgado em março deste ano, o total de abortos praticados nos EUA caiu para o mesmo patamar de antes da decisão da Suprema Corte, em 1973 (leia aqui).

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Outra coisa que nós poderíamos imitar dos gringos: 23 Estados e o Distrito de Colúmbia, onde está situada a capital, Washington, já aprovaram leis descriminalizando o porte de pequenas quantidades de maconha; 22 Estados permitem o seu uso medicinal; e dois deles, Colorado e Washington, legalizaram a maconha inclusive para o uso recreativo.

Um dos argumentos patéticos da direita burra (ups, pleonasmo) contra a legalização da maconha –e contra até se discutir abertamente este tema– é que existem “assuntos mais importantes” para se tratar. Nada mais falso. A proibição da maconha sustenta o tráfico de drogas e aumenta a criminalidade. Quer assunto mais urgente do que reduzir a violência? Só para se ter uma ideia, em Denver, no Colorado, os crimes caíram em 10,6% apenas cinco meses após a legalização da maconha no Estado.

A legalização da maconha nos EUA também está quebrando o narcotráfico no país vizinho, o México. Outro aspecto importantíssimo: com a legalização, as cadeias dos EUA, as mais populosas do mundo, não vão lotar de meninos negros levados em cana apenas porque fumavam um baseado, como ocorre hoje. O próprio presidente Barack Obama denunciou: “Garotos de classe média não são presos por fumar maconha. Garotos pobres são. E há mais garotos afro-americanos e latinos entre os pobres e com menos condições de se defender para evitar penas duras”. A criminalização da juventude pobre e negra por causa da maconha também ocorre no Brasil. Mas a direita não está nem aí.

Um terceiro item para imitarmos dos norte-americanos: o casamento gay. O governo federal, 21 Estados e o Distrito de Colúmbia reconheceram legalmente a validade dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em junho deste ano, o presidente Barack Obama estendeu todos os benefícios federais do matrimônio tradicional aos casais gays. Isso inclui as leis de imigração: estrangeiros casados com gays norte-americanos passaram a ter o direito de permanecer no país, como acontece com os heterossexuais.

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(Obama e Michelle recepcionam o casal gay Jim Darby e Patrick Bova durante a recepção do Orgulho LGBT na Casa Branca, em junho. Foto: Pete Souza)

O mais interessante é que Obama nem sempre pensou assim. Seu pensamento sobre o casamento gay evoluiu a partir de 2012, quando declarou publicamente: “Em certo momento eu concluí que para mim é importante ir em frente e afirmar que casais do mesmo sexo devem ter o direito de se casar legalmente”. Em junho, durante uma recepção para gays e lésbicas na Casa Branca, Obama disse: “Se nós somos de fato criados iguais, então a maneira que amamos outra pessoa também deve ser igual”.

Portanto, faço aqui um reconhecimento: a direita está certa! Vamos copiar os Estados Unidos já. Eles são realmente um modelo para nós.

Publicado em 5 de agosto de 2014

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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14 comentários

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Mauro

09 de agosto de 2014 às 19h32

Em relação ao casamento gay, eu sou a favor,porque a legalização beneficia os gays, e não causa impacto negativo à coletividade, nem aos não gays.

Quanto ao aborto, antes é preciso uma campanha ( melhor do que a que já existe) de educação sexual nas escolas e na midia, para que quando ele for legalizado, as crianças e os adolescentes já sejam pessoas mais maduras e conscientes.

Quanto à maconha, há que se fazer uma distinção: não é a maconha que é medicinal, e sim substâncias que a compõem .

Bem antes de se legalizar a maconha, é preciso ter mais estudos conclusivos sobre o efeito de sua legalização, na sociedade.Ainda não existem estudos que comprovem se vai ser melhor ou pior.O próprio presidente do Uruguai, que liberou, não sabe a resposta.

Não tenho opinião formada mas eu sou contra a liberação de uma coisa que não se sabe o efeito.Acho uma irresponsabilidade.
É preciso pensar em todos os envolvidos, e nas consequências.O direito de quem não usar tem que ser tão preservado quanto o do usuário.
Vivemos num país em que as pessoas não respeitam as leis, se respeitassem não estaríamos discutindo isso , porque não teríamos os usuários de drogas.
O cigarro, para quem não fuma, é insuportável, provoca alergias e males decorrentes da ingestão passiva.E o fumante não paga indenização ao fumante passivo para isso.Muitas pessoas que fumam são mal-educadas e não respeitam os não-fumantes.Se liberar a maconha, sem leis rígidas do seu uso, como é que ficam os que não fumam e acham o cheiro insuportável?Vamos ter praias para “maconheiros e não-maconheiros”?Já que o cheiro vai longe.
Discordo totalmente da autora do texto no sentido de que não se trata de discussões de direita e de esquerda.E sim, o que é melhor ou pior para a sociedade como um todo.Não podemos reduzir o discurso a essa dicotomia.

Nos EUA existe um estudo que mostra que o número de acidentes com automóveis nas estradas americanas com usuários de maconha é parecido com o de álcool.E aqui?Quantos são causados com a proibição, e quantos se for liberado?E acidente de trabalho?Quais seriam as penas e as indenizações?
Quais as consequências para os usuários passivos, se é que é possível de ocorrer?
Geraria intolerância?
Qual é o custo social com a proibição e qual seria com a legalização?
A rede de saúde está preparada para as consequências?

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Miguel Angelo da Silveira

08 de agosto de 2014 às 02h24

Gente fina!

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Paloma Gomes da Silva

07 de agosto de 2014 às 14h28

Sou favorável à descriminização do aborto. Mas 22 semanas (cinco meses e meio) já é uma gestação em fase bem avançada. Não precisamos copiar isso não. O aborto deveria ser tolerado até a 10ª semana. As chances de o aborto ser aceito e aprovado aumentariam se ficasse claro que no Brasil este prazo seria menor.

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henrique de oliveira

07 de agosto de 2014 às 09h45

Poderíamos tambem copiar o tratamento dado aos policiais que cometem crimes, lá nos EUA se um policial cometer um crime ele vai para um presidio comum junto com presos comuns , e não para uma colônia de férias como o Romão Gomes.

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Vitor

07 de agosto de 2014 às 09h39

Esse texto da Cynara tinha tudo para ser bacana, mas essa moça cai em um monte de clichês e é bem mal educada…
No mais, espero que o Brasil siga o exemplos dos EUA e libere aborto, maconha e casamento gay!

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Danilo F. Amorim

07 de agosto de 2014 às 03h40

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Eupídio Soares

06 de agosto de 2014 às 22h48

Ainda temos muitas coisas para “copiar” os Estates: A principal e mais urgente é o IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS.

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Rodrigo Toledo

07 de agosto de 2014 às 01h01

Eu achava que o casamento gay já estava legalizadi no Brasil..nao está?

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Noronha

06 de agosto de 2014 às 21h46

Pra quem legalizou a cracolândia, e apoia as Farc não é muito coerente falar mal dos outros!

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    Elder

    07 de agosto de 2014 às 12h53

    Que pobreza!

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Pedro GOmes

07 de agosto de 2014 às 00h35

GENIAL!

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Pedro GOmes

07 de agosto de 2014 às 00h35

genial miguel

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Fernanda D. Scherer

07 de agosto de 2014 às 00h28

Acho que a Globo esqueceu desse vídeo comprometedor.

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Fernanda D. Scherer

07 de agosto de 2014 às 00h27

Miguel Do Rosario !!! Olha o titio do Aécio Aeroneves assumindo pagamento para liberar da prisão traficantes de COCAÍNA !!!! http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/v/desembargador-libera-traficantes-em-troca-de-dinheiro/1915359/

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