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A mídia brasileira não defende a liberdade de expressão!

Por Miguel do Rosário

19 de janeiro de 2015 : 16h49

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É preciso enterrar esta mentira.

A mídia brasileira não defende a liberdade de expressão.

Nem absoluta, nem parcial, nem nenhum tipo de liberdade de expressão.

A única liberdade que a mídia conhece é aquela que lhe interessa comercialmente.

A mídia brasileira não deu quase nada sobre a sonegação da Rede Globo.

Houve um sinistro pacto de silêncio em torno do assunto, apesar de envolver 1 bilhão de reais, roubo de processo e lavagem de dinheiro em diversas off shore no exterior.

A mídia brasileira apoiou o golpe, sustentou a ditadura e se enriqueceu à margem de um regime totalitário que censurava, matava e prendia quem tinha coragem de se expressar livremente.

Além disso, a liberdade de expressão não existe num regime de monopólio.

O sistema de comunicação brasileiro não é democrático e, portanto, não é livre.

E se não é livre, não existe liberdade de expressão.

O poder de poucas famílias sobre tvs, rádios e jornais, não encontra paralelo no mundo democrático.

O arcabouço legal, após o fim da lei de imprensa, também não colabora para a liberdade de expressão.

Ricos e poderosos podem processar judicialmente qualquer um que lhes incomode. Como não há lei, depende-se da opinião de juízes, que infelizmente ainda formam, no Brasil, um estamento patrimonialista a serviço da classe dominante

É o caso, por exemplo, de Ali Kamel, que processa vários blogueiros, por conta de ninharias. Ninguém lhe chamou de ladrão. Ninguém ofendeu sua família. Ninguém o desrespeitou como pessoa.

Houve apenas humor, chiste e, no meu caso, uma crítica política ao chefe do jornalismo do maior monopólio da América Latina.

Não existe liberdade de expressão nem na própria mídia.

Se alguém elogiar um político do qual a mídia não gosta, é demitido.

Se alguém fizer uma charge crítica ao político que a mídia gosta, é demitido.

O jornalismo brasileiro encontra-se cada vez mais oprimido por um patronato sectário.

Não há liberdade nenhuma!

Enquanto todas as profissões liberais se expandem no Brasil (médicos, advogados, arquitetos, etc), o jornalismo declina.

Os salários são cada vez menores, há cada vez menos empregos. Os jornalistas se sentem cada vez mais oprimidos nas redações.

Não podem pensar, não podem falar, não podem desenhar, não podem sequer desabafar nas redes sociais.

Quer dizer, podem desabafar sim, desde que o desabafo seja agradável aos patrões!

Podem falar o que quiser, desde que toquem conforme a música dos barões da mídia!

E agora a mídia brasileira, uma mídia monopolista, conservadora, golpista, astutamente, toma para si a bandeira de Charlie, um jornalzinho nascido na luta contra os monopólios, contra os conservadores, e que sempre defendeu, de verdade, a democracia.

No enterro de Charb, seus amigos cantaram a Internacional, a famosa canção revolucionária, com os punhos erguidos, e Jean-Luc Melechon, uma das principais lideranças da esquerda francesa, fez o discurso principal.

Melechon foi o candidato a presidente da Frente de Esquerda, nas eleições de 2012. É um homem público extremamente sério e respeitado pela esquerda européia.

A esquerda francesa defende a Palestina, defende os imigrantes, defende todas as minorias, lança candidatos muçulmanos, contra uma direita cada vez mais racista, cada vez mais reacionária quando o tema é imigração.

A nossa mídia nunca fez um “Globo Repórter” em detalhes sobre o socialismo francês, que inclui um sistema tributário progressivo, leis sobre a herança e sobre as grandes fortunas, educação e saúde públicas para todos.

O socialismo francês hoje está em crise inclusive por seus excessos, e pelos vícios do próprio homem. Por exemplo, há 25 anos, o Estado francês, a partir de conselhos de psicanalistas, começou uma nova política em relação aos órfãos. Ao invés de orfanatos, as crianças eram alocadas em famílias que receberiam auxílio do Estado para criá-las. Resultado: uma quantidade crescente de famílias que rejeitavam os filhos quando este completavam 18 anos, e o Estado parava de pagar o auxílio.

Os terroristas do atentado são um exemplo. Eles foram criados por famílias que recebiam auxílio do Estado, e foram rejeitados em seguida, ingressando no mundo do crime e, depois, aderindo ao terrorismo.

A mídia brasileira é uma talentosa alquimista. Ela consegue inverter tudo. No primeiro dia da ditadura, os jornais diziam que a democracia tinha voltado.

Transformaram a democracia de Jango em ditadura, e a ditadura em democracia.

E agora transformam um jornalzinho comunista-libertário de Paris em ícone da sua visão distorcida, monopolista, hipócrita de liberdade de expressão!

Os chargistas do Globo apenas podem fazer charges que corroborem a linha reacionária do jornal.

Nenhum chargista do Globo tem ou terá liberdade de expressão para praticar uma arte livre e irreverente!

Sobretudo se a crítica deriva de uma ideologia socialista, anarquista ou libertária, como era a dos chargistas do Charlie.

Ao contrário, a mídia demite imediatamente qualquer empregado que se manifeste com liberdade, sobretudo se esta liberdade se volta em defesa da classe trabalhadora.

O controle da narrativa permite à mídia criar um universo paralelo, para dentro do qual até mesmo a esquerda se vê abduzida.

No afã de ser contra a mídia, muitas vezes fazemos exatamente o jogo dela.

A mídia, malandramente, pegou o discurso de liberdade de expressão, que é um discurso vencedor, e passou a defender um Charlie e uma França que sempre representaram tudo que a nossa mídia não é: socialista e libertária.

No grande jogo da geopolítica mundial, um jogo hoje profundamente midiatizado, a mídia brasileira quer posar ao lado dos vencedores, mesmo que estejamos falando de um jornaliznho comunista e libertário de Paris.

No fundo, ela age certo.

A esquerda, neste caso, é que pode ter cometido um erro, ao se deixar levar por um pensamento binário (a mídia é favor, então sou contra), permitindo que a mídia brasileira se finja de paladina de valores que ela, a mídia, historicamente, nunca defendeu: a democracia e a liberdade de expressão.

A mídia brasileira, tal como ela é hoje, se consolidou na ditadura.

Jornalzinhos como Charlie Hebdo, havia de montão no Brasil nos anos 60 e 70, atendendo a atmosfera da época, profundamente libertária. Todos foram censurados. Os jornalistas e chargistas só encontraram emprego em dois ou três jornais do eixo Rio e São Paulo.

Sem concorrentes, sem outros jornais, empresas como Globo e Folha passaram a dar as cartas na opinião pública brasileira, durante décadas, e sua influência cresce vertiginosamente após a redemocratização.

Os poucos artistas do texto e da charge que sobreviveram à hecatombe da ditadura e às terríveis crises econômicas das décadas de 80 e 90, tiveram que se tornar submissos intérpretes do pensamento patronal.

Em suma, temos que deixar isso bem claro: a mídia brasileira é exatamente o contrário de tudo que se pode chamar de liberdade de expressão.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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Guilherme

19 de novembro de 2016 às 15h20

vai adorar stalin vai

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Fábio Murilo Gil Brito

28 de janeiro de 2015 às 22h25

PARA UM MUNDO MELHOR QUE PODEMOS FAZER
Lamentavelmente a quase totalidade das pessoas leem apenas as manchetes, não têm tempo, ou interesse, em aprofundar a leitura para, muitas vezes e, com espanto, perceber que o corpo da manchete (seu texto), contradiz totalmente o que a manchete busca fazer acreditar.
Não percebem quando o interesse é provocar sensação de mal estar contra alguns, mesmo que estes estejam fazendo algo bom, mas, contraria os interesses desta corporação e/ou de seus anunciantes.
Não observam quando tentam proteger outros, mesmo quando suas atitudes provocaram ou provocarão algo de dimensões catastróficas. Para isso buscam outros fatores para justificar os problemas encontrados, tentando desviar o foco do fator que provocou tal problema.
Se um partido é, ideologicamente, alinhado aos interesses da empresa,
protege-se. A má administração dos recursos públicos, corrupção, incompetência, ou qualquer outro problema que se lhe apresente, alega-se que foi provocado pela crise na Conchinchina, ou outro lugar qualquer, pelo clima que gerou prejuízos, seja seca ou enchente, mesmo que este fator não seja o principal, e, sob qualquer hipótese, teria “contribuído” com mais de dez por cento com o tamanho do problema.
No caso do TRENSALÂO de SP, onde sucessivos governos do ESTADO DE SÃO PAULO, administrados pelo PSDB, partido da grande mídia brasileira, tem feito fraude na contratação de empresas para o metrô da capital, cobrando propina alta a estas empresas, o que temos a dizer?.
Se o interesse de uma empresa de comunicação qualquer, é proteger os bandidos corruptos deste partido, basta ignorar a notícia e não divulgá-la, e, quando não tiver jeito, e tiver que registrar o fato, fazê-lo invertendo a lógica da coisa e noticiar com menor destaque (menos tempo de exposição do fato).
Por exemplo, ao invés de informar o que aconteceu de forma direta, ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO DO PSDB NO METRÔ DE SÃO PAULO, podemos dizer, propinas no cartel do metrô de SP, talvez nem precise dizer que isto aconteceu em sucessivos governos do PSDB, e, talvez, nem seja preciso citar o partido querido.
Quando se quer tirar um grupo político, ou partido, que não nos interessa que esteja à frente nem de um condomínio, e busca-se destruí-lo, mostra-se o quanto imparciais são: MENSALÃO DO PT (é do PT, claro) MENSALÃO DE MINAS (do PSDB, claro, mas a gente pode fazer entender que seja do povo de Minas ou do Estado, dá no mesmo, já desviamos o foco).
Procurar saber quais os interesses que movem uma corporação de mídia qualquer, é algo obrigatório, se queremos ser cidadãos bem informados, e não queremos ser manipulados, e induzidos, por estes interesses, pois eles, na esmagadora maioria das vezes, irão nos fazer trilhar um caminho contrário ao que queremos para o nosso país, para a nossa religião, para o nosso planeta, ou para a humanidade.
Diversificar as fontes onde buscamos as informações, observando os diversos matizes em que elas são apresentadas e buscando nossa própria opinião acerca do assunto, é uma exigência para todos nós.
Somente quando analisamos a notícia com a criticidade que ela merece, e que precisamos exigir de nós mesmos, somente quando busquemos entender o que realmente está acontecendo à nossa volta, para além daquilo que nos é dito, é que estaremos protegidos daqueles interesses que não são exatamente os nossos, mas que pretendem que tenhamos atitudes para proteger os interesses deles próprios e nos posicionemos contra aquilo pelo qual deveríamos lutar.
Precisamos, antes de tudo, decidir se seremos aquela pessoa que irá repetir, divulgar, aleatoriamente, as manchetes que vemos por aí, ou iremos respeitar nossa inteligência, nossa cidadania e Nosso Pai, nos aprofundando nas “notícias e reportagens” buscando superar este clima de BA-VI, de FLA-FLU, GRE-NAL, e nos posicionar ao lado dos oprimidos e das pessoas que necessitam de nós, ou iremos defender o opressor, como dizia, aliás, MALCOLM X: “Se você não for cuidadoso a imprensa fará você odiar os oprimidos e amar os opressores”.
Na vida, queiramos ou não, é preciso nos posicionar. Antes de escolher uma notícia, ou texto, em que acreditar, antes de escolher UMA PESSOA em quem confiar, precisamos escolher um lado.
Se, do contrário, não o fizermos, podemos deixar de ser apenas uma pessoa equivocada, para nos transformarmos em pessoas de má fé, acostumadas a cometer equívocos e dar de ombros, como se nada que afete aos outros nos dissesse respeito.
Joseph Pulitzer, um dos maiores jornalistas já conhecidos, e que dá nome ao maior prêmio de jornalismo que se conhece hoje, Prêmio Pulitzer, dizia: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma.”
Fábio Murilo Gil Brito.
Itarantim-BA, 25/01/2015

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Marcos Rizzatti

25 de janeiro de 2015 às 15h58

Miguel e leitores deste blog, enquanto o PIG (Globo e CIA) tiver RABO PRESO com o P$DB e o P$DB também estar com RABO PRESO com o PIG, a coisa vai ser assim por muito tempo, teria que algum “FIGURÃO” de um dos lados CHUTAR O BALDE e ENTREGAR TUUUUUDOOOOO QUE SABE DO OUTRO, tipo uma “delação premiada” ás avessas e POR VONTADE PRÓPRIA.
Enquanto isso o Brasil vai sendo “surrado” pelos bandidos e os mocinhos acuados de medo (PT, blogosfera “suja” e uma boa parte de população (maioria de nós) ), sim temos medo, afinal todos nós percebemos que algo estranho acontece desde 2003, estamos vendo a “parceria” entre PIG e P$DB e nenhum de nós temos a coragem de dizer em alto e bom som “PIG E P$DB usufrui da privataria, lavajato, BANESTADO, FURNAS, ETC..” e NÓS fazemos de conta que a parceria é APENAS POR IDEOLOGIA.. hahaha (eles dão risada de nós, enchendo o bolso) e nós querendo saber por que PIG E P$DB SE AMAM TANTO???

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Renato

21 de janeiro de 2015 às 00h11

“Enquanto todas as profissões liberais se expandem no Brasil (médicos, advogados, arquitetos, etc), o jornalismo declina”. Acontece caro Miguel que o que um médico faz, só um médico faz; o que um advogado faz, só um advogado faz; o que um arquiteto faz, só um arquiteto faz. Mas o que um jornalista faz, qualquer um faz. Só um idiota e preguiçoso para, nos dias de hoje, fazer curso de jornalismo!

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Jadson Oliveira

20 de janeiro de 2015 às 23h29

Caro Miguel do Rosário, reproduzi este teu artigo no meu blog. Este, na minha opinião, é o tema prioritário na política. No caso do Brasil, é fundamental a luta não só para a regulação da mídia, mas também para a construção de uma mídia contra-hegemônica. Sobre isso publiquei artigo ontem no meu blog. Envio para maior divulgação, grande abraço, Jadson

NA AMÉRICA LATINA PROGRESSISTA, HÁ GOVERNOS ARMADOS E GOVERNOS DESARMADOS

Os governos do Brasil, Chile e Peru são desarmados: não têm poder de mobilização popular, não regularam a mídia e não construíram uma mídia contra-hegemônica. Centrando o olhar no Brasil: o governo vive permanentemente acuado, à mercê da agenda imposta e conduzida pela TV Globo, jornalões e revistas, a serviço das forças de direita.

Por Jadson Oliveira, jornalista/blogueiro – editor do blog Evidentemente (artigo publicado em 19/01/2015)

De Salvador (Bahia) – O “armados” e “desarmados” aí no título não tem nada a ver com fuzil, metralhadora, míssil e etc, mas tem tudo a ver com uma arma moderna muito letal na guerra chamada de quarta geração: a informação, a desinformação, a contra-informação para construir a hegemonia no pensar e no sentir.

Comecei a pensar nisso quando li, num dia desses, no site Brasil 247, uma matéria com o título “Como e porque a esquerda tomou a América Latina”. Foi logo encima da vitória da Frente Ampla na última eleição no Uruguai. É um primor de simplificação e exagerado otimismo, do ponto de vista nosso, da esquerda.

A matéria alinhava na esquerda os governos, considerados progressistas, de oito países: além do Uruguai, eram incluídos Argentina, Brasil, Bolívia, Venezuela, Equador, Chile e Peru (às vezes a gente fala “América Latina” quando na verdade estamos falando apenas da América do Sul, é o caso. Ficam de fora, portanto, Colômbia e Paraguai, com governos claramente de direita; e os três lá encima no mapa: Guiana e Suriname, sobre os quais geralmente nada sabemos, e Guiana Francesa, que ainda é colônia).

Ora, alinhar os oito governos citados como progressistas já é forçar a barra, citá-los como de esquerda é dose pra leão, mesmo mencionando as naturais diferenças e/ou as supostas diferenças, como a matéria faz. Aliás, na imprensa brasileira, inclusive na blogosfera progressista, na qual modestamente insiro este blog Evidentemente, acredito que o conceito de esquerda é muito impreciso. Para exemplificar com o governo brasileiro: não seria mais preciso defini-lo, no espectro político-ideológico, como de centro-esquerda (com elásticas alianças ao centro e à direita que se estendem até a ultra-direita)?

Talvez possamos, didática e simplificadamente, ainda dentro duma visão tradicional da esquerda, ortodoxa, tentar um tipo de classificação desses oito governos, passando ao largo da realidade da economia – ou seja, deixando de fora um aspecto fundamental -, que se mantém nos marcos do capitalismo, alguns majoritariamente, outros totalmente.

Então – vamos em frente no “talvez” -, talvez possamos classificar os governos da Venezuela, Bolívia e Equador como de esquerda, porque abraçam, assim ou assado, a luta pela construção do Poder Popular, do socialismo, a luta anti-capitalista. Os do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile podem ser arrolados como de centro-esquerda. No caso do governo do Peru, creio que o mais correto é considerá-lo de centro ou centro-direita, embora tenha sido eleito com um programa de centro-esquerda.

Vejamos os armados e os desarmados

Mas o que eu queria realmente com este artigo era sair desta visão tradicional da esquerda e propor uma classificação inovadora, como dou a entender no título: governos armados e governos desarmados. Devido à visão que venho desenvolvendo nesses últimos oito anos de viagens e acompanhamento (inclusive via Internet) da política na América Latina, o que tento refletir neste meu blog.

Vamos lá: dentre os oito aqui na berlinda, quais seriam os governos armados? Os da Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador. Por que? Porque conseguem atuar em conjunto com a mobilização e participação popular e avançaram na regulação dos meios de comunicação e na construção de uma mídia contra-hegemônica.

Já os governos do Brasil, Chile e Peru são desarmados: não têm poder de mobilização popular, não regularam a mídia e não construíram uma mídia contra-hegemônica. Centrando o olhar no Brasil: o governo vive permanentemente acuado, à mercê da agenda imposta e conduzida pela TV Globo, jornalões e revistas, a serviço das forças de direita, dos interesses anti-nacionais e anti-populares. E não é apenas a agenda política propriamente dita. Trata-se de uma hegemonia esmagadora na linguagem, nos costumes, no entretenimento, nos temas culturais em geral. O governo e as forças democráticas, populares e de esquerda exercem apenas o direito de espernear através de alguns poucos veículos de imprensa, e através da blogosfera e redes sociais. A Constituição proíbe monopólios e oligopólios, mas é letra morta, e o governo ainda ajuda a enriquecer os barões da mídia com as verbas de publicidade.

Ainda de olho no Brasil, vou dar um exemplo que considero escandaloso: como admitir que um juiz do Supremo Tribunal Federal bloqueie na corte de justiça mais alta do país a tramitação de uma ação, já com decisão definida – está em 6 a 1, já com a maioria garantida -, durante meses e meses (se chegar até abril completa um ano), num assunto da mais alta relevância: derrubar o financiamento das campanhas eleitorais pelos empresários, uma fonte inesgotável de corrupção, conforme ação impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E esse juiz passa ileso perante a sociedade, porque sua atuação política se coaduna com a posição da grande imprensa. Seus colegas de corte não reclamam ou sua reclamação não consegue obter eco na mídia?

Deixei à parte o governo do Uruguai, porque está numa posição intermediária. Seu projeto de regulação da mídia acaba de ser aprovado no Senado e deverá ser aprovado também na Câmara dos Deputados, proibindo o monopólio na radiodifusão. Já existe uma certa regulação feita através de decretos e a tendência agora é que tal regulação se amplie e se consolide. Além disso, o Uruguai tem um passo à frente neste tema, ao contrário do que acontece com seus vizinhos Brasil e Argentina: é estatal a forte empresa de telecomunicações, a Antel.

Este é o quadro, pintado a largos traços, na nossa Pátria Grande, denominação de uso frequente entre nossos vizinhos – menos no Brasil, claro. Faltaria afunilar muitas das informações apenas anunciadas. Por exemplo: como se manifesta esse “desarmamento”? No caso do Brasil, teríamos muito a estudar e discutir. E nos outros casos também. Penso em fazê-lo na medida do possível.

Última observação: a fraqueza ou a força do governo “progressista” tem tudo a ver com a fraqueza ou a força do movimento democrático, popular e de esquerda (partidos, sindicatos e demais movimentos sociais).

Responder

DANIEL BERNARDES

20 de janeiro de 2015 às 10h58

Nao e somente a midia e os patroes que nao defendem a liberdade de expressao. Todos a qles que trabalham em jornaloes, radios, tvs e revistas, ligadas aos oligopolios, tambem nao defendem liberdade alguma. Aqui no Rio Gr do Sul, em epoca recente, o chargista Marco Aurelio publicou uma charge por ocasiao da tragedia ocorrida na Boate Kiss, em Sta Maria. A tal charge aludia a recepcao dos estudantes mortos (a cidade de Sta Maria e polo Universitario…) por personagens reconhecidos em suas atividades no Brasil. Pois a tal charge nao foi “bem” aceita por uma parte arcaica da sociedade gauderia, inclusive o Marco Aurelio teve seu end eletronico invadido por insultos. O jornalao aonde o tal chargista posta suas insercoes e a Zero Hora, do grupo RBS, retransmissora da Globo. Pois bem, o chargista foi suspenso pelo JUDEU Nelson, entao Dir Pres e herdeiro da fami”g”lia dona do jornalao e, PASMEM, NENHUM jornalista companheiro do Marco Aurelio, que diga se trabalha na tal RBS desde seus primordios, saiu em defesa do colega. Nem os jornalistas que trabalham no jornalao, nem aqles que trabalham nas Radio do grupo e tao pouco aqles que trabalham na Televisao. Portanto, meu caro, jornalista e patrao, como diz o Mino Carta, ocupam o mesmo corpo. Mas o triste mesmo e que estes escroquis se auto definem como jornalistas, profissao que foi tao bem defendida pelo saudoso Barbosa Lima Sobrinho. Este sim, UM JORNALISTA.

Responder

Marcio Wilk

20 de janeiro de 2015 às 10h44

E tem as concessões de mídia regionais, sempre nas garras de políticos da direita, por convicção ou por conveniência, porque senão não conseguem patrocínio dos empresários locais. Mídia regional somente comunitária, já é possível captar sinal das grandes diretamente por satélite, se você optar, e assistir produção regional, sem a porcaria da grande mídia e seus a programas dirigidos á bestialidade. Isso me parece ser DEMOCRACIA.

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Cintia de Oliveira

19 de janeiro de 2015 às 21h22

Como o jornal do pasquim, que não deixou herdeiros…

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