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Política no Brasil está mais para ‘Walking Dead’ do que ‘House of Cards’, diz Financial Times

Por Redação

12 de abril de 2016 : 10h24

Foto: Divulgação / AMC

na BBC Brasil

O enredo da atual crise política no Brasil já foi muito comparado à série americana de ficção House of Cards, pelo teor de intrigas e reviravoltas na trama.

Mas o agravamento da crise está tornando esse roteiro mais parecido com o da série de TV The Walking Dead, uma história de zumbis, avalia o correspondente do jornal britânico Financial Times no Brasil, Joe Leahy.

“Pelo seu envolvimento em corrupção, ou apenas pelo oportunismo cínico, os principais atores políticos do Brasil estão rapidamente perdendo legitimidade aos olhos de um eleitorado cansado”, escreve Leahy em coluna na edição do jornal desta terça-feira.

Para Leary, “mais e mais brasileiros” estão dispostos a aderir a um movimento “fora todos”, pela saída da presidente Dilma Rousseff e de todo o Congresso por meio de novas eleições.

Ele cita a alta frequência de protestos no país nos últimos meses – e a polarização entre o verde-amarelo do pró-impeachment e o vermelho do “não vai ter golpe” -, mas identifica o “fora todos” como “novo tipo de manifestação”.

Menciona como exemplo um ato que reuniu 5 mil pessoas em São Paulo no último dia 1º, identificado pelos organizadores como “apartidário e contra a corrupção” – o protesto teve apoio do PSTU e da central sindical Conlutas.

houseofcards

Foto: Divulgação / Netflix

“A crescente natureza bizantina de uma batalha pelo impeachment de Rousseff significa que mais e mais brasileiros estão inclinados a se render ao desgosto e se unir ao movimento fora todos”, diz Leahy.

Corrupção

O jornalista cita os problemas de Dilma – “profundamente impopular, presidindo a pior recessão em um século e com seu partido acusado de corrupção desenfreada” – e a acusação de manipulação de contas públicas que sustenta o atual processo de impeachment.

Menciona o recente desembarque do PMDB do governo “em preparação para o impeachment”, mas diz que o partido está envolvido “até as orelhas” em denúncias de corrupção da Operação Lava Jato, que apura, entre outros, crimes na Petrobras.

Leahy diz que “pesos pesados” do PMDB, como os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, estão sob investigação de corrupção, e conclui que isso “tira certa legitimidade do impeachment”. “Pois muitos analistas acreditam que (eles) queiram assumir o poder de forma a protegê-los das acusações.”

O correspondente afirma que o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), até agora “tem estado fora de investigações de corrupção”, mas também é alvo de um pedido de impeachment.

“Com todos sofrendo impeachment ou implicados em corrupção, o movimento Fora Todos está ganhando terreno”, afirma ele, citando a defesa recente de novas eleições pela ex-candidata à Presidência Marina Silva (Rede).

Mas essa saída da “limpeza geral” é improvável, avalia Leary, porque não há uma alternativa constitucional para isso, a não ser que Dilma e Temer sofram impeachment, renunciem ou a chapa seja cassada pela Justiça Eleitoral. “Com ambos (Dilma e Temer) não mostrando sinais de querer o afastamento, é improvável que o impasse se resolva logo.”

“Enquanto isso, os políticos ‘zumbis’ de Brasília ameaçam tornar um país que já esteve entre as histórias globais mais vibrantes de crescimento em uma economia zumbi do mundo emergente”, diz.

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8 comentários

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Vera Lucia

12 de abril de 2016 às 21h31

“Manipulação de contas públicas que o sustentam” ….parei por aí….desculpe não deu para ler adiante…..e outra….fora todos…..liderado pelo PSTU e Conlutas…… e quem vai se candidatar…..rsss….. os mesmos de sempre…. ou acha que vai ter uma leva nova de políticos surgido assim do nada……. o perigo do militarismo assumir nisso é alto…… povo louco……

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Rachel

12 de abril de 2016 às 15h10

Ah o cara é do “Financial Times”……. Entendi. Que distraída.

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Rachel

12 de abril de 2016 às 15h05

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
A serviço de quem este Sr. está? Pensa o que? Ele que leia a constituição e a lei de impeachment e todas as outras que tratam de improbidade e etc. Talvez ele consiga entender que impopularidade não é motivo para impedimento, para golpe sim. Por outro lado falar em “maior crise do século é exercício de retórica inútil. O século mal começou dear…. Respeite pelo meu voto. E também ´não sou zumbi. Não faço política profissional mas faço política diuturnamente.

Por acaso o Sr. está pensando que vamos deixar barato para uma ex senadora oportunista que em vez de ser uma voz importante e critica dentro do partido que a elegeu e do governo do qual fazia parte, saltou fora quando as coisas não iam bem ao invés de fortalecer uma parcela do partido que estava descontente com o rumo do governo? Não a perdoo por ter tirado o corpo fora quando precisávamos de críticas bem intencionadas.. Com ela ajudando a corrigir o rumo quem sabe não estaríamos vivendo outro momento neste país? Penso que ela contribuiu para fazer Dilma sangrar . De boas intenções o inferno está cheio….Pureza, limpeza total é coisa de nazi.

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gilberto

12 de abril de 2016 às 14h51

Se a grande imprensa -PiG- fosse independente e noticiasse a verdade não estaríamos nessa situação. O golpe é desejado e patrocinado pela imprensa.

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YorkshireTea

12 de abril de 2016 às 14h17

“…tira certa legitimidade do impeachment”. Parei de ler aqui. Como algo que não tem legitimidade alguma pode ter “certa legitimidade”? Por falar em mortos-vivos (ou seriam moros-vivos?), esse cara anda assistindo muito o jornal do vampiro…

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Esquerda Valente

12 de abril de 2016 às 14h12

Os zumbis seriam aqueles que acreditam na Globo!

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TioDrakul

12 de abril de 2016 às 14h11

Duas coisas. Primeiro, fico de cara como a imprensa internacional está desinformada sobre o que está acontecendo aqui. Segundo, os golpistas não estão NEM AÍ se estão perdendo legitimidade, eles são arrogantes demais para se preocupar com o que o povão vai pensar deles. O negócio deles é tomar o poder custe o que custar para abafar as investigações contra eles e poder usar o exército contra quem se revoltar.

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    Rachel

    12 de abril de 2016 às 15h07

    Os estrangeiros na sua maioria ainda pensam que a capital do Brasil é BA, ou quase.

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