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Qual o lado certo da história?

Por Redação

17 de abril de 2016 : 11h48

Charge: Latuff / Sul21

por Pablo Villaça, no Facebook

E aqui estamos, às vésperas de um dos dias mais importantes de nossa ainda tão jovem democracia. Vinte e sete anos depois do fim da ditadura – o maior período democrático de nossa República -, o próximo domingo representará um daqueles momentos que entrarão para os livros de História.

A pergunta é: será uma página que marcará o início de um governo ilegítimo, conquistado graças ao tapetão e às manobras de uma oposição frustrada por não conseguir o apoio da população nas urnas, ou uma lembrança importante de como as forças democráticas se uniram para derrotar mais uma tentativa de golpe?

Que o que está havendo é um esforço golpista não há mais qualquer dúvida: até a imprensa internacional (incluindo veículos “petralhas” como a Forbes e o New York Times) já se convenceu de que o impeachment é movido pelos interesses de políticos determinados a conquistar o poder a fim de se manterem impunes diante de diversas denúncias de corrupção, derrubando, para isso, uma presidenta que NINGUÉM acusou de se envolver em qualquer crime com o objetivo de ganhos pessoais.

Não, Dilma não é uma boa governante. Tenho inúmeras críticas à sua gestão (e já expressei várias aqui e no Twitter) e me senti traído ao perceber que boa parte das propostas apresentadas durante a campanha acabou cedendo espaço aos interesses do “mercado” e de setores mais conservadores.

Mas má gestão não é crime de responsabilidade e, portanto, não é motivo para impeachment. (Sobre as tais “pedaladas fiscais”, já comentei em posts mais abaixo.)

Aliás, a questão é muito mais grave: se a oposição conseguir derrubar Dilma, o princípio democrático da escolha de nossos representantes pelas urnas ruirá, comprovando que qualquer presidente que não ceda às chantagens do Congresso poderá ser removido sumariamente. A partir daí, nossa democracia já terá oficialmente fracassado.

Para piorar, os substitutos, sem legitimidade alguma, seriam impossibilitados de governar – e considerando o caráter de Temer/Cunha/Serra/etc, não seria de se espantar caso passassem a usar a força para reprimir movimentos sociais determinados ao protesto.

O nome disso é Ditadura, não interessando se nascida de um golpe militar ou parlamentar.

Sim, porque é preciso dar nome aos bois; linguagem é fundamental. Não é à toa que a mídia diz que Dilma “negocia ministérios” e que Temer “estuda composição ministerial”. Os militares também não aceitavam chamar o golpe por este nome, preferindo batizá-lo de “revolução”.

Mas lutar pela democracia – especialmente por um governo que não inspira fidelidade – não é fácil. Seria mais simples deixar para lá, ver em que número o dado vai cair e regular as apostas a partir daí. Seria também mais prudente.

E seria também uma tremenda covardia.

Há anos venho escrevendo sobre o perigo do crescimento da bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia) e desde outubro de 2014 venho alertando sobre os movimentos golpistas (basta conferir o histórico aqui do Facebook e do Twitter). Durante a maior parte do ano passado, éramos poucos a apontar o que estava acontecendo – e, claro, recebíamos também toda a fúria dos perfis e das páginas de direita, que disparavam ameaças, insultos e acusações de estarmos recebendo dinheiro do governo para defendê-lo. Espalharam, por exemplo, um projeto de 2007 com meu nome alegando que eu havia recebido 170 mil reais – mas removendo, claro, a parte do processo que esclarecia que eu não havia recebido um centavo sequer. (E sejamos francos: MESMO que eu tivesse captado algo por uma lei de incentivo – e não captei -, isto não seria crime. Ou Danilo Gentili pode captar mais de um milhão para seu filme enquanto a esquerda é proibida de usar os recursos da lei?)

Perdi NO MÍNIMO um terço de meus leitores. Perdi apoios comerciais do site. Perdi meus sócios. E ainda assim, ignorei conselhos de amigos e parentes e segui adiante.

Sabem por quê? Porque há lutas que são maiores do que a gente. E quando o país começou a acordar para o golpismo e a se manifestar nas ruas, senti um tremendo alívio ao perceber que já não éramos mais poucos e que não havíamos insistido à toa.

Cada um de vocês é um aliado fundamental nesta luta. Cada voz é instrumental. Por muito tempo, as forças conservadoras ganharam no grito nas redes sociais e, consequentemente, na condução da narrativa. Mas com a SUA voz, com SEU grito de indignação, a narrativa foi mudando aos poucos.

Estamos do lado certo da História, lindezas. Para ter certeza disso, não precisamos apenas saber que estamos lutando pela manutenção do resultado democrático das urnas; podemos também simplesmente ver quem está do outro lado. Bolsonaros, Felicianos, Malafaias, Caiados e Cunhas são relíquias, anacronismos, artefatos do passado. Representam ideias vencidas, com cheiro de mofo. Representam a intolerância, o desrespeito e o preconceito.

Venceremos no próximo domingo. E ainda mais importante que isso: saberemos que quando a História for escrita, poderemos manter as cabeças erguidas sabendo que nos mantivemos firmes do lado do progresso e da democracia.

Restará apenas exigir que o governo que elegemos nos represente de verdade – e duvido muito que não tenha aprendido sua lição.

Agora é a vez de a oposição aprender a dela.

Pablo Villaça é Crítico de cinema desde 1994, diretor-fundador do portal Cinema em Cena e autor do livro “O Cinema Além das Montanhas”

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10 comentários

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timteobatalha

18 de abril de 2016 às 09h32

Mas é claro que o Sol…vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei…
Escuridão já vi pior, doidecer gente sã…ESPERA QUE O SOL JÁ VEM!
Tem gente que está do mesmo lado que você mas deveria estar do lado de lá…
tem gente que machuca os outros…
tem gente que não sabe amar…
tem gente enganando a gente…veja nossa vida como está…
mas eu sei um dia a gente aprende…
quem acredita sempre alcança!!

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Zeca Do Mato

17 de abril de 2016 às 23h07

finalmente

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Luís CPPrudente

17 de abril de 2016 às 20h52

STF a casa da covardia? Vai permitir o golpe?

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Anelise Pinto

17 de abril de 2016 às 20h50

Quanta mise-en-scène. Tem “dinheiros” rolando por aí. Pior é que certo que llêem a esquerda para perverter o discurso e golpear seu próprio país.Escrotos.

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Ben Alvez

17 de abril de 2016 às 14h36

Será este aqui o lado certo da história?

Liste des personnes citées dans les Panama Papers

Joaquim Barbosa, ancien président de la Cours Suprême Fédérale10 ;

Newton Cardoso Jr., membre de la Chambre des députés11 ;

Eduardo Cunha, président de la Chambre des députés12 ;

Edison Lobão, membre du Sénat et ancien Ministère des Mines et de l’Énergie du Brésil12 ;

João Lyra, membre de la Chambre des députés1 ;

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Ben Alvez

17 de abril de 2016 às 14h25

Primeiro de abril de 1964: golpe perpetrado pelos manipansos de farda.

Dezessete de abril de 2016: tentativa frustrada de golpe, perpetrada pelos manipansos de toga com ajuda dos manipansos Michel Temer (maçon) e Eduardo Cunha.

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Fábio Brito

17 de abril de 2016 às 13h40

ATENÇÃO: BOMBA!!! BOMBA!!! BOMBA!!

DIANTE DA GRAVE CRISE PELA QUAL PASSAMOS, peço a todos que leiam este texto e que, caso concordem com ele, COMPARTILHEM COM O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS E ENTIDADES POSSÍVEL, pois, somente assim, faremos com que o conteúdo do texto chegue a um número grande de pessoas e venha a contribuir com o esclarecimento acerca dos acontecimentos recentes em nosso país. Obrigado a todos, Fábio Brito.

https://rebeldesilente.wordpress.com/2016/04/16/todo-poder-emana-do-povo-e-a-verdade-nos-libertara/

Responder

    Ben Alvez

    17 de abril de 2016 às 14h41

    If there is a coup, we will get a government crisis with an unpredictable outcome because 80%
    of the population will not accept a Temer-Cunha Mendes-government, nor a neoliberal program,
    which will bring even more problems for the Brazilian people.
    So if there is a coup, the political crisis will deepen, and there will be no way out in the
    short term.

    Se houver um golpe, teremos uma crise de governo com um resultado imprevisível porque 80% da população não aceitará um Mendes-governo Temer-Cunha, nem um programa neoliberal, que vai trazer ainda mais problemas para o povo brasileiro. Portanto, se há um golpe de Estado, a crise política vai aprofundar, e não haverá saída a curto prazo.
    If there is a coup, we will get a government crisis with an unpredictable outcome because 80% of the population will not accept a Temer-Cunha Mendes-government, nor a neoliberal program, which will bring even more problems for the Brazilian people. So if there is a coup, the political crisis will deepen, and there will be no way out in the short term.

    This content was originally published by teleSUR at the following address:
    “http://www.telesurtv.net/english/opinion/Impeachment-and-Rural-Violence-2-Faces-of-Same-Class-Struggle-20160416-0048.html”. If you intend to use it, please cite the source and provide a link to the original article. http://www.teleSURtv.net/english
    If there is a coup, we will get a government crisis with an unpredictable outcome because 80% of the population will not accept a Temer-Cunha Mendes-government, nor a neoliberal program, which will bring even more problems for the Brazilian people. So if there is a coup, the political crisis will deepen, and there will be no way out in the short term.

    This content was originally published by teleSUR at the following address:
    “http://www.telesurtv.net/english/opinion/Impeachment-and-Rural-Violence-2-Faces-of-Same-Class-Struggle-20160416-0048.html”. If you intend to use it, please cite the source and provide a link to the original article. http://www.teleSURtv.net/english

    Responder

      AZ Botelho Paiva

      18 de abril de 2016 às 03h11

      Será? Num acho não!!!

      Responder

    AZ Botelho Paiva

    18 de abril de 2016 às 03h15

    Vejam a verdadeira história do falso ídolo das esquerdas que, conforme contado por quem o conheceu desde a sua aproximação ao Fidel Castro, era um preconceituoso que não gostava de negros, e nem de gays. Era falso e covarde.Alem de muito porco, não tomava banho.
    https://www.youtube.com/watch?v=oUJKNBH0RhI

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