Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

O grande golpe. Por Mauro Santayana

Por Redação

15 de junho de 2016 : 23h21

por Mauro Santayana, em seu blog

A direita trabalha agora no sentido de alcançar a aprovação e a conclusão definitiva do processo de impeachment da presidente da República. A frente formada com esse intuito é ampla, reúne a mídia parcial e conservadora, a parte mais corrupta e fisiológica do Congresso, setores do Ministério Público,­ do STF, da Polícia Federal e do Judiciário contra o PT e a esquerda nacionalista. Apesar das dificuldades vividas pelo governo interino, o processo não será fácil de ser revertido.

Não tendo sabido enfrentar, de forma organizada e decidida – a começar pela internet –, os ataques que vinha sofrendo desde 2013; não tendo estabelecido um discurso abrangente que defendesse minimamente suas conquistas, que ocorreram, sim, em importantes momentos dos últimos 13 anos; tendo cometido erros grosseiros do ponto de vista estratégico, político e eleitoral, o que resta ao PT e aos grupos que o apoiam é parar de se equivocar, de serem pautados pelas circunstâncias e pela imprensa adversária, e entender o que realmente ocorre com o país neste momento.

Manter a realização de protestos isolados e constantes contra o governo Temer – acusando-o de golpista – pode ser um exercício retórico, e uma forma de fugir do imobilismo, mas essa abordagem não deve ser a única, nem a principal, nem ser levada às últimas consequências, porque pode conduzir a graves equívocos dos pontos de vista tático e histórico. Não se discute a questão da legitimidade do voto. Mas é rasteira simplificação – que colabora com os conspiradores ocultos, muitíssimo mais perigosos – dizer que o golpe partiu do PMDB, como se ele tivesse nascido quando essa legenda abandonou o governo Dilma.

Dizer que quem compõe o governo interino é corrupto é outra simplificação que também não resolve, nem agora, nem a médio prazo, o problema. Por um lado, porque reproduz em parte o discurso adversário, minimizando o fato de que muitos dos que estão sendo investigados pela Operação Lava Jato à direita estão sendo processados com as mesmas justificativas e argumentos espúrios usados para justificar acusações e as investigações lançadas contra membros do próprio PT.

Por outro lado, porque quem compõe o governo são, com exceção do PSDB e do DEM, basicamente as mesmas forças que estiveram durante tantos anos nos governos do PT, não por afinidade política, mas porque é assim que se estabelece o equilíbrio de governabilidade possível em um regime típico de presidencialismo de coalizão.

Seguindo esse raciocínio, por mais que seja difícil para alguns admitir isso, a mesma miríade de pequenos partidos e legendas de aluguel que apoia hoje Michel Temer, faz parte de seu governo e está sendo atacada pelo PT pode vir a ter de ser, amanhã, cooptada­ de volta por Dilma para compor seu ministério, caso ela retorne ao poder.

O próprio presidente do PT, Rui Falcão, já admitiu que não fará nada para evitar que o partido se alie ao PMDB nas eleições municipais deste ano.

Devagar, portanto, com o andor.

É preciso cautela, para não parecer hipócrita, na mesma linha de leviandade usada pela direita contra a esquerda – e pela extrema-direita contra a política de modo geral, tendo a democracia e a liberdade como alvos finais dessa linha de atuação.

Na tentativa de atingir seus adversários, a esquerda não pode cair no mesmo erro – aproveitado com deleite pelos fascistas – na tentação e na esparrela da criminalização da política. Mesmo quando atacada hipócrita e injustamente.

Pois corre o risco de legitimar o discurso de apoio à Operação Lava Jato e o discurso da mídia – muito mais importantes e deletérios do que o PMDB, no processo de golpe que estamos vivendo – e de se equiparar a quem o defende, diante da história e da população.

Vamos ser francos – mesmo que as conversas tenham sido propositadamente gravadas e conduzidas para ser usadas como habeas corpus por um dos interlocutores – os diálogos entre o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado e autoridades como Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney não podem ser rotulados com o mesmo grau de subjetividade dirigida com que se julgaram e disseminaram outros diálogos gravados com a mesma intenção, e divulgados fora de contexto, como os de Delcídio do Amaral, ou o de Lula e Dilma.

Ao dizer que a Lava Jato representou uma sangria, por exemplo, o senador Romero Jucá diz não mais que o óbvio. Uma sangria em empregos, em interrupção de negócios, em sucateamento de obras e projetos, em desvalorização de ações e ativos, em contratos interrompidos, em prejuízos institucionais e contábeis para as empresas acusadas, com terríveis resultados para o país, em termos estratégicos, de defesa, energia e infraestrutura, e para milhares de empregados e acionistas, o que é evidente e redundante.

Da mesma forma que dizer que era preciso costurar um diá­logo nacional para analisar o assunto, com a participação do próprio STF, a quem cabe corrigir eventuais desvios e ações polêmicas – principalmente no âmbito jurídico –, colidentes com o texto constitucional, seria uma afirmação consequente, lógica, e, no correr da conversa, óbvia e ululante.

Ou será que a Lava Jato não poderia ter investigado e condenado os corruptos efetivamente identificados, com dinheiro em contas no exterior, como Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, sem precisar destruir algumas das maiores empresas de engenharia do país?

Ou sem atrasar e prejudicar tantos projetos e programas de interesse nacional, colocando no mesmo balaio de gatos gente que se locupletou pessoalmente – gastando acintosamente o dinheiro roubado à nação, em farras, mesmo que familiares,  bo exterior – e funcionários de partidos que obtiveram doações eleitorais registradas, à época, como rigorosamente normais e legais?

Soltando os primeiros e encarcerando os segundos?

A Lava Jato pode ter tido, indiretamente, alguma influência positiva, sobretudo na identificação do fato de que não existem corrompidos no setor público se não houver os corruptores no âmbito privado.

Facilitando a aprovação de leis como a que acabou com o financiamento privado de campanha.

Mas o que está ocorrendo é que direita, centro e esquerda estão cometendo o erro primário de não entender que o que se está enfrentando é um grupo de forças que se opõem à própria atividade política, por princípio.

E que ao se digladiarem fora do campo das ideias não estão fazendo mais do que favorecer os inimigos da liberdade, saudosos do autoritarismo, que se aproveitam das falhas normais de um regime – que, como diria Churchill, não é perfeito, mas é o melhor que se conhece – para jogar a população contra a democracia e promover e preparar, diligente e coordenadamente, a chegada do fascismo aos cargos mais altos da República.

O processo de impeachment é um golpe jurídico-midiático, mas ele representa apenas um passo, mais uma etapa, para a deflagração de um golpe maior contra a Nação, que levará à derrocada da democracia no Brasil, à aprovação de leis que lembram os nazistas, como a exigência de diploma superior para ministros e presidente, fim do voto obrigatório, volta do escrutínio manual, cassação de registros de partidos políticos, repressão ao trabalho de educadores na sala de aula, criminalização dos movimentos populares e até do comunismo – conforme propostas recentemente encaminhadas à apreciação do Congresso Nacional.

Some-se a isso a eventual chegada de um candidato de extrema-direita ao poder (há pelo menos dois sendo promovidos pela imprensa), ou a consolidação de uma massa de votos que seja suficiente para transformá-la na terceira força política do país, capaz de decidir, com o seu peso, o resultado do segundo turno das eleições de 2018.

E dá para ter uma ideia concreta do que espera a Nação – se não houver urgente correção de rumo – depois da curva.

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14 comentários

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Fabio Ferrara

17 de junho de 2016 às 20h43

Os petistas falam do PSDB mas o PT é tão direita quanto (só que menos
competente para gerir a economia), senão vejamos: o primeiro ato de Lula
no governo foi encaminhar e aprovar a reforma da Previdência na Câmara,
contra os trabalhadores, assumindo o discurso neoliberal de que “A
previdência está quebrada”; governou desde 2003 mantendo a política de
juros altos e câmbio flutuante, não desfez nenhuma das privatizações
realizadas sob FHC, propagandeou que “tirou 50 milhões da pobreza” ao
passo que quando se anda pelas ruas das nossas grandes cidades se vê o
dobro de miseráveis, pedintes, mendigos e trombadinhas que se via há 13
ou 15 anos; ampliou os esquemas de corrupção a níveis “nunca antes na
história desse país” alcançados, ou seja, o discurso e a cara do PT
sempre foi um – o humilde, o trabalhador, a mulher – mas a prática é a
da velha política. Porém com menos competência.

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Ben Alvez

16 de junho de 2016 às 14h55

https://goo.gl/8vAWF7

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Antonio Paulo Costa Carvalho

16 de junho de 2016 às 10h16

Antonio Paulo Costa Carvalho
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Antonio Paulo Costa Carvalho
Agora mesmo ·
Vários erros são apontados. Destaca-se principalmente, que o objetivo maior de quem está por traz do juiz Moro visa colocar os partidos políticos como organizações criminosas, o que constitui o maior golpe contra a democracia. É evidente, entre os congressistas, a presença de oportunistas que financiados nas campanhas, são piões a serviço da Casa Grande (conhecem Casa Grande e Senzala?), como FIESP e a serviços de interesses de governos e grupos financeiros internacionais. Ou seja, trabalham para que o Brasil não dê certo. Os que fazem este papel aqui dentro, o fazem por dinheiro, poder e prestígio (sarney, Cunha, Jucá, Renan, e mais 300 picaretas). Apesar disto, o judiciário também se aproveita e o ministério público, e a polícia federal idem. Muitos são inocentes úteis, pois nem conhecem na essência o que é o neoliberalismo que levou 1 milhão e meio de irlandeses a morrer de fome em 1970, quando tal política anti-social foi implantada no mundo por Regan e Margareth Teacher. Vamos por um ponto final de alguma forma na imprensa golpista que alimenta esta sangria. Vamos restaurar a democracia. Democracia é como comida: boa ou má precisamos dela. O que não pode acontecer é vir uma ditadura que mate a maioria dos brasileiros de fome!

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Sandra Lúcia Morais Lima

16 de junho de 2016 às 10h06

isto não é um Governo é uma Quadrilha muito bem montada.

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Leonardo Afonso

16 de junho de 2016 às 09h03

it’s the oil, stupid

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Daniel

16 de junho de 2016 às 09h56

Fico sempre me perguntando quem serão os procuradores regionais responsáveis em segunda instância e quem é o Desembargador Federal prevento no TRF4,em Porto Alegre, para os casos da Lava Jato. Por que nunca ouvimos falar deles????

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Antonio Passos

16 de junho de 2016 às 00h37

Perfeito, e tudo isto só vem provar a urgência de ELEIÇÕES. Este é o grande contra golpe, a única coisa que mobilizará o povo. E que colocará na presidência alguém com FORÇA pra reconduzir o país à democracia.

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    Maat

    16 de junho de 2016 às 02h12

    Pois eu acho, que pelo texto, o contra golpe seria a Dilma voltar a assumir o seu governo, que mais de 54 milhões de votos lhe outorgaram e aí se convocar o plebiscito para uma grande Reforma política. Qualquer ato de interromper um mandato que foi eleito democraticamente, sem comprovação de crime é golpe.

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      Fabio Ferrara

      17 de junho de 2016 às 21h46

      Sem comprovação seria golpe, mas a presidAnta cometeu crime contra o orçamento da nação, inciso VI do artigo 85 da Constituição Federal, deve ser afastada e não voltar mais. Temer, o vice assume até o final do mandato. Se bem que eu acho que a chapa toda (PT-PMDB) deveria ser cassada, pois a campanha de 2014 contou com recursos ilegais, desviados da Petrobrás e de outras empresas.

      Responder

    Solange Guedes

    16 de junho de 2016 às 14h21

    Oras bolas, eleições seriam golpe dentro do golpe e nada mais, pois se não há crimes e nada que justifique a saída de Dilma, por que haveria para desrespeitar os prazos democráticos, estabelecidos em lei?

    Responder

      Fabio Ferrara

      17 de junho de 2016 às 20h46

      “se não há crimes…” MAS HÁ: CF, artigo 85, inciso VI.

      Responder

JOHN J.

16 de junho de 2016 às 00h36

• Quem é o garoto prodígio da patifaria na política brasileira?
http://nailharga.blogspot.com.br/2014/10/prodigio-da-patifaria-aecio-foi-o-mais.html
• Pai de Aécio: http://www.viomundo.com.br/denuncias/pco-apoiador-da-ditadura-pai-de-aecio-recebeu-da-cia.html
• DELATOR YOUSSEF DENUNCIA O TUCANO AÉCIO NEVES VÁRIAS VEZES:
https://www.youtube.com/watch?v=BCNwX-jnru8
https://www.youtube.com/watch?v=bQHk5evO9VE
• AÉCIO : desde os 19 anos foi ‘funcionário fantasma’ em Brasília morando no RJ.
http://nailharga.blogspot.com.br/2014/10/prodigio-da-patifaria-aecio-foi-o-mais.html
http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FAecio-foi-CC-da-Camara-por-4-anos-enquanto-morava-no-Rio-%2F4%2F31977
• AÉCIO: vergonha internacional: https://www.facebook.com/PlantaoBrasil.com.br/videos/323626201156036/
• AÉCIO ELOGIA ARRUDA, O LADRÃO DE BRASÍLIA: https://www.youtube.com/watch?v=83GSRNdvIcg
• AÉCIO ELOGIA CAPEZ O LADRÃO DE MERENDA ESCOLA DE SP: https://www.youtube.com/watch?v=tjw3RG9JvBE
• AÉCIO É O MAIOR BENEFICIÁRIO DE DOAÇÕES FEITAS ATRAVÉS DE CONTAS FANTASMAS DO HSBC
https://www.facebook.com/Falandoverdadesbr2/videos/734878543294135/
• AÉCIO RECEBEU R$ 35 MILHÕES DE EMPRESAS CITADAS NA LAVA JATO
http://br29.com.br/ei-voce-que-ta-gritando-por-impeachment-sabia-que-eu-tambem-recebi-r-35-milhoes/
• Policial Lucas Gomes denunciou Aécio Neves e apareceu morto: https://goo.gl/4CzAiw
https://www.youtube.com/watch?v=bdzCgv2MG3Y http://www.viomundo.com.br/denuncias/policial-que-denunciou-aecio-e-encontrado-morto-a-versao-oficial-e-de-suicidio-mas-nao-se-descarta-retaliacao.html

• LISTA DE FURNAS – https://www.youtube.com/watch?v=13AS0HJDmWE
• MORTE DA MODELO MULA DE FURNAS. – http://www.midiaindependente.org/pt/red/2013/12/527556.shtml
• COM ESSES BANDIDOS NÃO SE PODE BRINCAR. JUSTIÇA NELES.

Responder

JOHN J.

15 de junho de 2016 às 23h35

ÉRAMOS TODOS AÉCIO
FOMOS MILHÕES DE CUNHA
VIRAMOS TODOS TEMER
AGORA SOMOS TODOS MORO
SERÁ QUE DEUS EXISTE, POIS ESTAMOS
RUMANDO DIRETAMENTE AO APOCALIPSE.

Responder

Daniel

15 de junho de 2016 às 23h33

Concordo, mas o que está faltando é justamente a melhor e mais correta direção… liderança… e aí?

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