Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Brasília- DF 09-08-2016 Planário do senado durante discurssão do relatório do senador Antonio Anastasia. Presidente do STF, Ricardo Lewandowisck preside a sessão. Foto Lula Marques/Agência PT2016 Foto Lula Marques/Agência PT

Após ampla derrota no Senado, aliados de Dilma dizem que só Lava Jato muda impeachment

Por Redação

10 de agosto de 2016 : 11h31

O Senado Federal aprovou por ampla maioria a continuidade do processo de impeachment contra a presidente afastada Dilma Rousseff

na BBC Brasil

O resultado da votação (59 contra 21), na madrugada desta quarta-feira, transforma a petista em ré e evidencia o quão difícil será seu retorno ao Palácio do Planalto. A expectativa é que ela seja julgada no final do mês.

Nessa fase, bastava o apoio da maioria simples (mais da metade dos senadores presentes) para que o impeachment seguisse adiante. No entanto, 59 votaram pela realização do julgamento – mais do que os 54 necessários para condená-la ao final do processo. Dos 81 senadores, apenas o presidente da Casa, Renan Calheiros, deixou de votar.

Apesar da ampla derrota desta madrugada, senadores aliados de Dilma insistiam na possibilidade de virar o placar.

Para expoentes importantes do PT no Senado, como Humberto Costa (PT-PE) e Lindbergh Farias (PT-RJ), o elemento fundamental nos rumos do impeachment será a Operação Lava Jato, com eventual surgimento de novas revelações que comprometam o presidente interino Michel Temer.

No fim de semana, a imprensa brasileira divulgou que o empresário Marcelo Odebrecht disse, em prévia para acordo de delação premiada, ter doado R$ 10 milhões em dinheiro para o PMDB a pedido de Temer em 2014.

“Há uma dose de imponderável (nesse processo)”, afirmou Farias, para em seguida reconhecer: “A gente sabe que é um processo difícil.”

Carta

Em nova tentativa de mudar votos a seu favor, Dilma vai divulgar uma carta pública defendendo que a população seja consultada sobre a antecipação da eleição presidencial. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na noite desta terça-feira com sua sucessora para fechar o texto.

A intenção de Dilma é se comprometer em apoiar a realização de um plebiscito caso seja absolvida e retorne à presidência. Alguns parlamentares aliados de Dilma, no entanto, avaliam que a carta chega tarde.

“A carta ajuda, mas não conseguiu virar votos (na votação dessa quarta)”, reconheceu Costa.

Já o senador Romero Jucá (PMDB-RO), importante aliado de Temer, chamou a proposta de Dilma pela realização de um plebiscito de “peça de ficção política”.

A aprovação de uma consulta popular para antecipar a eleição exigiria uma mudança na Constituição (três quintos dos votos do Congresso), mas a maioria dos parlamentares hoje apoia o governo Temer.

Jucá comemorou o resultado “expressivo” de 59 votos pela continuidade do impeachment. “Isso sinaliza que esse processo já está bastante discutido aqui no Senado. É muito difícil que haja um fato novo que em tese mude esse resultado”, afirmou.

Para Jucá, o fato de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, ter presidido a sessão que aprovou a continuidade do processo contra Dilma afasta a tese de que o impeachment seria um golpe.

“Acho que agora temos que ter tranquilidade, cumprir o rito, dar todo o direito de defesa e, a partir daí, ainda no mês de agosto, concluir essa matéria, que é uma página que precisa ser virada para o país se reorientar e voltar a crescer”, disse ainda.

Provas x fraude

A etapa do impeachment que acaba de ser concluída, chamada fase de pronúncia, serviu para os senadores analisarem a existência de provas de que Dilma cometeu crime de responsabilidade.

Ela está sendo acusada de operações ilegais na gestão das contas públicas, e o entendimento que prevaleceu é de que há indícios suficientes de responsabilidade da presidente nesses atos. Seus aliados, porém, negam qualquer irregularidade e chamam o processo de fraude.

A sessão teve início pela manhã e se estendeu por mais de 16 horas devido aos discursos dos senadores, às falas de acusação e defesa e aos requerimentos apresentados por aliados de Dilma.

O Congresso foi isolado por medidas de segurança, mas apenas um pequeno grupo de manifestantes favoráveis ao impeachment fazia um certo de barulho na via lateral do Senado. Dentro do plenário, jornalistas e senadores acompanhavam os resultados das competições olímpicas pelo celular.

Manifestante defende afastamento definitivo de Dilma Rousseff fora do Congresso (Foto: AFP)

Manifestante defende afastamento definitivo de Dilma Rousseff fora do Congresso (Foto: AFP)

Próximas etapas

Agora, tem início o julgamento de fato de Dilma – os senadores serão os juízes, mas os trabalhos são guiados por Lewandowski.

Os autores da denúncia – os juristas Hélio Pereira Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Conceição Paschoal – têm 48 horas para apresentar o libelo, ou seja, um consolidado das acusações contra Dilma. A expectativa, porém, é que eles já apresentem o documento nesta quarta-feira. Além disso, poderão apontar seis testemunhas a serem ouvidas pelos senadores.

Assim que os autores da denúncia protocolarem o libelo, é aberto o prazo de mais 48 horas para que o advogado da petista, José Eduardo Cardozo, apresente a defesa, contestando o documento da acusação. Ele também deve indicar seis testemunhas.

Em seguida, após um prazo mínimo de dez dias, Lewandowski deve marcar uma data para o julgamento e convocar as partes e as testemunhas. Há expectativa de que a sessão final comece dia 25 e dure ao menos dois dias, mas isso ainda não foi confirmado.

Segundo senadores aliados de Dilma, ela ainda não decidiu se irá ao Senado pessoalmente fazer sua defesa.

Em entrevista à BBC Brasil no final de julho, ela disse que gostaria. “Eu quero muito ir. Depende das condições. Como o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, presidirá (o julgamento), acredito que haverá condições”, afirmou.

No entanto, ainda está sendo analisado se esta é a melhor estratégia política, já que a petista ficaria sujeita a enfrentar perguntas duras de parte dos senadores. Dilma tem o direito constitucional (garantido à defesa) de ficar calada, mas não responder às perguntas certamente repercutiria mal junto à população.

Panteão da história

Embora a presidente siga lutando para retornar à Presidência, dentro de sua base política há quem considere que isso seria até ruim para o PT, que hoje teria um espaço político mais confortável como oposição ao governo Temer, para disputar em melhores condições as eleições municipais de outubro.

Antes do resultado da etapa de pronúncia, durante seu discurso nesta terça-feira, Lindbergh Farias chegou a indicar que a confirmação do afastamento seria positiva para a imagem da presidente afastada. Ele a comparou aos ex-presidentes João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964, e Getúlio Vargas, que se matou em 1954, após forte pressão para que deixasse o governo.

“Quanto à presidenta Dilma, eu estou tranquilo. Porque sei que se esse golpe se consumar, uma coisa ela vai conquistar: é seu espaço na história. A Dilma vai estar no panteão da história, junto com Getúlio e Jango, vítimas de um golpe perpetrados por essas elites conservadoras do nosso país”, discursou.

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12 comentários

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Paulo Roberto Àlvares de Souza

10 de agosto de 2016 às 18h57

Escárnio, a foto de Aécio cochichando com o Presidente do STF. Este, visto de lado, revela, quem sabe, um traço, antes dissimulado, de conluio e cumplicidade com os golpistas.

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Maria Thereza G. de Freitas

10 de agosto de 2016 às 17h44

contar com as revelações da lava jato pra reverter alguma coisa é absurdo até como cogitação. Se essa operação, com a leniência do STF e do próprio ex-ministro da justiça é que nos levou ao caos, não dá pra entender essa expectativa.

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Jst

10 de agosto de 2016 às 15h50

Se foi a própria lava jato que pavimentou o caminho do golpe com vazamentos seletivos de delações mais seletivas ainda, como esperam que a lava jato os salve?
A lava jato é o golpe chancelado pelo STF em duas ocasiões principais: quando o ministro(sic) teori(minúsculo mesmo) enfiou na gaveta o pedido de afastamento do Cunha(isto já estava combinado com o PGR para aparentar que o PGR era imparcial) até que ele aprovasse o pedido de impeachment e quando o famigerado gilmar(mais minúsculo ainda) impediu a posse do Lula.
Noto que os senadores do PT estão perdidinhos. Agora não tem jeito. Só disturbios de rua violentos com o povo linchando os golpistas para parar o golpe, senão, a Dilma já era e as eleições de 2018 também.
Somos uma vergonha mundial. O Grupo globo encaminhou três golpes de estado em menos de 50 anos, 64(Jango), 92(Collor) e 2016(Dilma). Isto sem contar o Getúlio Vargas.
Este fato me faz acreditar que o Brasil somente será um país de verdade quando o grupo globo for destruído e seus proprietários e herdeiros eliminados.

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    Maria Thereza G. de Freitas

    10 de agosto de 2016 às 17h47

    exatamente. não consigo entender essa afirmativa nem como simples cogitação. 2018? não creio que tenham feito esse escarcéu pra ficar 2 anos no governo. A não ser que consigam entregar tudo nesse prazo e nos anexem aos EUA.

    Responder

Fernando Santos

10 de agosto de 2016 às 14h02

pq a esquerda desse país não pega em armas para barrar o golpe????

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Marcvs Antonivs

10 de agosto de 2016 às 12h57

Uma coisa se pode dizer disso tudo: A Direita brasileira se superou! Aperfeiçoou, depois de tantos anos e tantas experiências sanguinárias, o modus operandis de um golpe fino, elegante, suave, fácil, com um mínimo de trauma, sem muito alarde – apesar dos esperneios do Aécio. A Esquerda, coitada, sofrida e chorosa como sempre, covaaaaaaarde como ninguém mais nesse mundo – já vi até grupo de oração por Dilma…pobre Dilma, se depender do povo vai pro céu! – “assistiu a tudo bestializada”, apenas choramingou por justiça, apelou pro papa, pra ONU e pras forças celestiais. Ameaçou nas redes sociais dizendo que o mundo ia acabar, se houvesse golpe: “Não vai haver golpe, vai haver luta”…LUTA??? QUE LUTA????…. O golpe veio e como sempre faz nessas ocasiões, claro, vai aceitar o resultado que a Direita vai impor ao país – duvido que hoje em dia vá surgir resistência de algum tipo. Não tem como…tenho que admitir que a Direita brasileira é competente e consegue se reciclar, se refinar. Convenceu o país inteiro de que o que está fazendo é pelo bem do povo. Conseguiu transformar Cunha em herói nacional, vejam só! Realmente, estão de parabéns.

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    Carlos

    10 de agosto de 2016 às 14h35

    Desculpe mas chamar isso de sofisticado só pra quem for burro ou que acredita em tudo! Em 64, houve muito mais sofisticação, tanto que houve uma grande tentativa de manter a aparência de legalidade. Hoje, nem isso, nem escondem mais as aparências. E o pior é a esquerda que paga um pau pra eles como se fossem sofisticados. Eles estão parecendo aquele juiz do jogo entre Corinthians e Boca Juniors, que fez uma arbitragem descara a favor do Boca, que ganhou do Corinthians. Só não ver quem não sabe, quem é movido a ódio e quem não quer ver.

    Responder

Paulo Roberto Àlvares de Souza

10 de agosto de 2016 às 12h46

E a foto do Presidente do STF com o Aécio? Pode haver maior escárnio? E ainda nos enganamos com os canalhas travestidos de homens bons.

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    Elena Osawa

    10 de agosto de 2016 às 14h09

    Lewandowski é um traidor, da mesma estirpe do Temer. Lamento ter assinado o Manifesto de Solidariedade a sua pessoa promovido pelo blogueiro Edu Guimarães na época do julgamento da AP470. Estou decepcionada com esse senhor.

    Responder

      Maria Thereza G. de Freitas

      10 de agosto de 2016 às 17h49

      decepcionante de cabo a rabo. mas não está preocupado com as consequências de seus atos. Afinal, tem alguma garantias nada desprezíveis (a não ser que o golpista-mor – não é o temer- resolva fechar o stf)

      Responder

Luiz Henrique Coelho Garcia

10 de agosto de 2016 às 12h09

Tem gente que acha que fazer críticas é ser contra. Ai, ai. Traram política como se fosse religião ou time de futebol. Ou está comigo ou contra mim. Se essas pessoas não aceitam nem críticas, pertinentes, vindas da esquerda, imagine vindas da direita. A tolerância e respeito ao outro mandam lembrança. Típico de postura protofascista.

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Dilma Coelho

10 de agosto de 2016 às 11h58

Percebi que você, como o Nassif não gostam e nem apoiam a Dilma, ainda sim continuo acompanhando seu blog. Não sei até quando…

FORA TEMER GOLPISTA, ficha suja, traidor, invejoso, frustrado, doente e sua
gangue.

SENADOR VÍDEO PARTIDO UF – COMO VOTOU
Angela Portela PT RR Não

Armando Monteiro PTB PE Não

Elmano Férrer PTB PI Não

Fátima Bezerra PT RN Não

Gleisi Hoffmann PT PR Não

Humberto Costa PT PE Não

João Capiberibe PSB AP Não

Jorge Viana PT AC Não

José Pimentel PT CE Não

Kátia Abreu PMDB TO Não

Lídice da Mata PSB BA Não

Lindbergh Farias PT RJ Não

Otto Alencar PSD BA Não

Paulo Paim PT RS Não

Paulo Rocha PT PA Não

Randolfe Rodrigues REDE AP Não

Regina Sousa PT PI Não

Roberto Muniz PP BA Não

Roberto Requião PMDB PR Não

Telmário Mota PDT RR Não

Vanessa Grazziotin PCdoB AM Não

=====================

SENADORES PARA RISCAREM DE SUA LISTA E NÃO VOTAREM MAIS EM TAIS FIGURAS –
BANI-LOS DEFINITIVAMENTE.

Renan Calheiros *PMDB AL Não votou / (SIM)

Acir Gurgacz PDT RO Sim

Aécio Neves PSDB MG Sim

Aloysio Nunes Ferreira PSDB SP Sim

Álvaro Dias PV PR Sim

Ana Amélia PP RS Sim

Antonio Anastasia PSDB MG Sim

Antonio Carlos Valadares PSB SE Sim

Ataídes Oliveira PSDB TO Sim

Benedito de Lira PP AL Sim

Cássio Cunha Lima PSDB PB Sim

Cidinho Santos PR MT Sim

Ciro Nogueira PP PI Sim

Cristovam Buarque PPS DF Sim

Dalirio Beber PSDB SC Sim

Dário Berger PMDB SC Sim

Davi Alcolumbre DEM AP Sim

Edison Lobão PMDB MA Sim

Eduardo Amorim PSC SE Sim

Eduardo Braga PMDB AM Sim

Fernando Collor PTC AL Sim

Flexa Ribeiro PSDB PA Sim

Garibaldi Alves Filho PMDB RN Sim

Eduardo Lopes PRB RJ Sim

Eunício Oliveira PMDB CE Sim

Fernando Bezerra Coelho PSB PE Sim

Gladson Cameli PP AC Sim

Hélio José PMDB DF Sim

Ivo Cassol PP RO Sim

Jader Barbalho PMDB PA Sim

João Alberto Souza PMDB MA Sim

José Agripino DEM RN Sim

José Aníbal PSDB SP Sim

José Maranhão PMDB PB Sim

José Medeiros PSD MT Sim

Lasier Martins PDT RS Sim

Lúcia Vânia PSB GO Sim

Magno Malta PR ES Sim

Marta Suplicy PMDB SP Sim

Omar Aziz PSD AM Sim

Paulo Bauer PSDB SC Sim

Pedro Chaves PSC MS Sim

Raimundo Lira PMDB PB Sim

Reguffe sem partido DF Sim

Ricardo Ferraço PSDB ES Sim

Ricardo Franco DEM SE Sim

Roberto Rocha PSB MA Sim

Romário PSB RJ Sim

Romero Jucá PMDB RR Sim

Ronaldo Caiado DEM GO Sim

Rose de Freitas PMDB ES Sim

Sérgio Petecão PSD AC Sim

Simone Tebet PMDB MS Sim

Tasso Jereissati PSDB CE Sim

Valdir Raupp PMDB RO Sim

Vicentinho Alves PR TO Sim

Waldemir Moka PMDB MS Sim

Wellington Fagundes PR MT Sim

Wilder Morais PP GO Sim

Zeze Perrella PTB MG S

Responder

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