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Com algumas propostas positivas “Pedro” busca esconder o “Projeto Lesa-Pátria” em andamento na Petrobras

Por Redação

02 de outubro de 2016 : 07h00

por Cláudio da Costa Oliveira, Economista aposentado da Petrobras

Em carta enviada na última segunda-feira (26/09), Pedro buscando distrair a atenção dos petroleiros para fatos relevantes que estão embutidos no novo Plano de Negócios, apresenta propostas de gestão que poderão trazer resultados positivos para a administração da empresa.

Orçamento Base Zero (OBZ) não é o que poderíamos chamar de novidade. Foi usado pela primeira vez na década de 60 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Posteriormente o ex-presidente americano Jimmy Carter, aplicou o modelo com sucesso na sua gestão como governador da Georgia (1971-1974).

Na Petrobras acredito que poderá servir para iniciar um processo de implantação de uma “cultura de redução de gastos”, se bem conduzido.

Toda empresa produtora de “commodities” concentra seus esforços nos processos de redução de gastos. Na Petrobras, infelizmente, este assunto sempre foi tratado sem a participação da estrutura da empresa. A Petrobras sempre ganhou os maiores prêmios pelo desenvolvimento de novas tecnologias de ponta, mas nunca se preocupou com os detalhes dos orçamentos.

Os orçamentos sempre foram feitos com base em dados históricos que, na maioria das vezes não retratam a realidade da empresa e seus objetivos.

A implantação do OBZ, não tenham dúvida, vai demandar muito trabalho e envolver toda a estrutura da empresa, pois cada gasto incluído no orçamento tem de ser justificado.

Segundo Lunkes (2003, pag 94) algumas perguntas devem ser feitas na elaboração do OBZ : a) O que gastar ? b) Quanto gastar ? c) Como gastar ? d) Onde gastar ? e) Porque gastar ?

Outro aspecto positivo é o de que na Petrobras as Gerências Gerais sempre atuaram de forma independente, como se fossem verdadeiros “feudos”. Cada um faz seu orçamento da forma que bem entende, sem metas e cobranças efetivas.

Com a implantação do OBZ haverá uma unificação de metodologia, e o desempenho de cada GG poderá ser cotejado, com o de outras GG’s.

Além disto, Pedro está prometendo atuar efetivamente no estabelecimento de regras na área de segurança. Esperamos que formas objetivas sejam implantadas e punindo efetivamente os desvios. Não adianta constatar um desvio, por menor que ele seja, sem que haja punição. Mas o estabelecimento de metas deve ser feito com participação ampla da força de trabalho.

Enfim vamos acompanhar e torcer pelo sucesso destas providências positivas de Pedro.

Entretanto na carta aos petroleiros Pedro não comenta sobre o “Projeto Lesa-Patria” que está em andamento.

Em artigo pulicado no último dia 23/09 no Valor Econômico e entrevistando Solange, Diretora de E&P da Petrobras, Andre Ramalho informou que: “No primeiro semestre as perfurações de poços exploratórios no Brasil caíram para os patamares mais baixos dos últimos 60 anos, segundo a ANP.”  Disse ainda: “O novo plano de negócios da Petrobras indica que a companhia pretende manter em baixa os investimentos em exploração e que a recuperação do setor dependerá essencialmente das demais petroleiras”

Ou seja, a Petrobras não vai investir em exploração para abrir mercado para as petroleiras estrangeiras, que virão em peso após a aprovação do PL 4567. ISTO É UM ABSURDO.

O presidente mundial da Shell depois de encontro com Temer disse que com todas as garantias que recebeu, a Shell vai priorizar o Brasil para seus investimentos e que pretende “colaborar” com a Petrobras.

Seguindo a Shell virão sedentas, a Exxon, Chevron, BP etc. Sendo que a Statoil já está no esquema.

De fato o novo plano de negócios apresenta a seguinte quadro de usos e fontes que é um retrato do “Projeto Lesa-Patria” em andamento na empresa:

anexo-carta-pedro-parente

Vejam que a atual direção planeja investir somente US$ 74 bilhões no período e amortizar US$ 73 bilhões da dívida e tudo será coberto com recursos próprios da empresa, objetivando atender a meta de alavancagem  de 2,5 estabelecida por Wall Street, dentro da fórmula de cálculo : dívida sobre o ebtida.

Uma empresa que tem uma grande oportunidade de investimento como a Petrobras não pode ficar “amarrada” a regras que podam seu desenvolvimento. Pior ainda, serve de motivo para entregar as oportunidades para as concorrentes.

Uma simples rolagem da dívida que vence no período (US$ 73 bilhões) poderia evitar a venda de ativos (US$19 bilhões) e aumentar os investimentos em mais de US$ 50 bilhões. De fato a Petrobras não precisa de “colaboradores” para explorar o pré-sal.

Provavelmente, no momento, o “cheque especial” de US$ 10 bilhões oferecido pela Banco de Desenvolvimento da China, que solicita como garantia apenas a promessa de fornecimento futuro de petróleo, deve estar sendo devolvido com um bilhete dizendo : “obrigado preferimos vender nossos ativos a preço de banana, assinado : Pedro ”

Com relação a alavancagem, a mesma pode também ser apurada pela fórmula : dívida sobre dívida mais patrimônio líquido. Nesta segunda fórmula de cálculo, quando as reservas do pré-sal forem contabilizadas pela Petrobras, o resultado atenderá aos mais exigentes analistas, inclusive Wall Street.

Como nossos parlamentares congressistas podem aceitar este PL 4567 ??? Ele representa a conclusão do “Projeto Lesa-Pátria”.

 

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