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Desde 2005 a Vale voltou a ser uma empresa estatal, mas muita gente ainda não sabe disso

Por Redação

03 de dezembro de 2016 : 14h24

Por Cláudio da Costa Oliveira, colunista do Cafezinho

Notícia de ontem (02/11) no Blog do Kennedy Alencar alertava: “Padilha quer dar comando da Vale ao PSDB” e dizia: “O ministro Eliseu Padilha da Casa Civil, trabalha para derrubar o atual presidente da Vale, Murilo Ferreira, e indicar um nome avalizado pela cúpula do PSDB, ouvindo com destaque as opiniões do senador Aécio Neves e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ”

Logo depois, neste mesmo dia, veio um desmentido: “Padilha diz que Ferreira pode ser mantido no comando da Vale” e acrescenta: “Ministro afirma que governo busca solução de mercado no devido tempo. ”

Para entender esta agitação em relação à Vale, precisamos voltar no tempo, para 1993, no governo Itamar Franco, quando Benjamin Steinbruch dono de uma empresa têxtil chamada Vicunha, comprou a maior siderúrgica brasileira, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por um preço, segundo consta, 30 vezes inferior ao seu valor real e com financiamento do BNDES.

Posteriormente, em 1997 no governo Fernando Henrique Cardoso, o mesmo Benjamin Steinbruch comprou a maior mineradora do mundo, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) hoje Vale, por US$ 3 bilhões, dando como garantia a própria CSN que ele havia comprado e ainda estava pagando e com mais financiamento do BNDES. A Vale foi vendida e seu passivo trabalhista ficou todo com o governo federal. Grande negociata.

Já em 2005 no primeiro governo Lula, a dívida em atraso de Steinbruch com o BNDES era enorme. O então presidente do BNDES, Carlos Lessa, fez então um acordo, sendo criada uma “sociedade de propósito específico” (SPE) com as fundações de estatais, Previ, Funcef e Petros, que compraram as ações da CSN na Vale.

Neste momento somadas as ações ordinárias da Vale pertencentes ao Tesouro Nacional mais as do BNDESPAR e da sociedade das Fundações, o governo passou a deter 60% das ações ordinárias da Vale. Ou seja, a Vale voltou a ser uma empresa estatal. Mas para isto foi necessário entregar a CSN, de graça, para o Steinbruch.

Creio que para não agitar o mercado, através de um acordo de acionistas, a administração da empresa foi entregue ao segundo maior acionista, o Bradesco. Mas o governo federal sempre teve ingerência na empresa, basta lembrar o ocorrido em 2008, quando o presidente da Vale Roger Agnelli anunciou que estava fechando a compra da mineradora anglo-holandesa Corus, por US$ 90 bilhões. O ex-presidente Lula mandou suspender o negócio, dizendo que a Vale tinha de aplicar em projetos no Brasil. Roger Agnelli se defendeu dizendo que a Vale não tinha projetos para desenvolver no Brasil, mas Lula insistiu alegando que ele deveria procurar os projetos, e o negócio não foi fechado. E podemos dizer, por sorte não foi fechado, pois meses depois quando eclodiu a crise financeira nos Estados Unidos, o valor da Corus caiu para menos de US$ 10 bilhões.

Vocês poderiam me perguntar: O que tem haver esta história toda com a atual agitação sobre a administração da Vale?

Ocorre que o acordo de acionistas feito em 2005, em que a administração da empresa foi entregue ao Bradesco, expira em agosto de 2017 (vide observação no final). Portanto, se quiser, o governo poderá assumir a direção da Vale com todos os seus cargos e de suas subsidiárias.

Temo que a Vale possa ser novamente privatizada a preço de banana. Desta vez talvez vendida para um banco. Quem sabe o Itaú, que a revenderia logo depois com bom lucro. Façam suas apostas. É fantástico.

Obs: Os dados relativos ao capital da Vale e aos acordos de acionistas, constam dos relatórios anuais publicados pela empresa e podem ser vistos no seu site na internet.

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14 comentários

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Raphael Feitosa

31 de janeiro de 2019 às 10h59

Foi privatizada com golden share.

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Felipe

27 de janeiro de 2019 às 12h15

Qual fonte que corrobora com essa história?

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Jorge Luiz Lucas neves

26 de janeiro de 2019 às 19h22

Hoje, como deveria ser considerada a Vale do Rio Doce, AUTARQUIA, FUNDAÇÃO, PRESTADORA DE SERVIÇOS PÚBLICOS OU QUAL DENOMINAÇÃO, SE POSSÍVEL COM LITERATURA!

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Michel

05 de dezembro de 2016 às 11h18

O nosso problema não está nem nos ditos comunistas nem nos entes públicos. Está em nossa Sociedade, infelizmente estamos contaminados pela cultura do ganho fácil e da corrupção. Infelizmente o povo quer um ditador com poderes divinos para resolver todas as suas mazelas. Não ao extremismo e ao discurso acéfalo de que o outro é o responsável pelas nossas mazelas. Tudo isto é culpa nossa.

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    Franco

    05 de fevereiro de 2019 às 09h03

    Desse modo, já que a culpa é nossa, que paguemos novamente o pato, enquanto os abutres de sempre enchem as burras e se locupletam.

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Hermes

04 de dezembro de 2016 às 12h04

Bolsonaro 2018! Para um Brasil grande e poderoso, contra os comunistas bolivarianos e em prol verdadeiramente do Brasil.

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    Antonio Passos

    06 de dezembro de 2016 às 15h11

    Kkkkkkk vai se tratar dessa psicose. Os milicos já ficaram 21 anos no poder e entregaram o Brasil FALIDO pro Sarney. E o Bolsonaro é muito mais estúpido do que todos os presidentes militares.

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      Hermes

      07 de dezembro de 2016 às 02h01

      Vai estudar comuna! Os Militares entregaram o Brasil como um dos mais fortes do Mundo, apesar da década de 1980 ser uma década de recessao, a década perdida. Se voce reparar bem, para o Brasil foi PERDIDA MESMO, porque foi quando os comunistas voltaram ao poder, fazendo papagaiada de diretas ja, podiam ter nomeado de comunistas ja, seria menos HIPOCRITA.

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        Juba

        30 de janeiro de 2019 às 11h42

        Vai se internar baba ovos bolsonariano.

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lara

04 de dezembro de 2016 às 04h20

se o governo reestatizar por completo a vale podem apostar no dou dois anos pra começarem a saquear a empresa como fizeram com a petrobras

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    Franco

    05 de fevereiro de 2019 às 09h08

    Se é assim, ponham o Moro e o Dallagnol e sua equipe para tomar conta. O que é recriminável é a doação do patrimônio de todos. O governo tem controle até em excesso, o problema são os controladores.

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C.Poivre

03 de dezembro de 2016 às 19h49

Eu, por exemplo, que estou sempre antenado, não sabia disso. E realmente ela sofre risco de ser novamente privatizada ou entregue de mão beijada para estrangeiros, já que as Forças Armadas se omitem diante da entrega (já iniciada na Petrobrás) do patrimônio nacional, considerando a missão do Ministério da Defesa e, consequentemente, das FFAA:

A MISSÃO DO MINISTÉRIO DA DEFESA (Do portal: http://www.defesa.gov.br/):

“Coordenar o esforço integrado de defesa, visando contribuir para a garantia da SOBERANIA, dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, do PATRIMÔNIO NACIONAL, a SALVAGUARDA DOS INTERESSES NACIONAIS e o incremento da inserção do Brasil no cenário internacional.”

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    GERALDO GALVÃO

    27 de janeiro de 2019 às 20h31

    A unica coisa que os militares de hoje estão salvaguardando é o interesse do bolso deles.

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      marco

      30 de janeiro de 2019 às 15h51

      Na verdade a Vale do Rio Doce construída com nossos impostos foi “privatizada” de araque para ser doada para os Fundos de Pensão das Estatais que estavam falidos após o fim do processo de hiper-inflação.
      A esquerda criou uma narrativa “mandrake” da privatização da empresa porém é só verificar que mais de 60 % das ações da Vale acabaram nos portifólios” dos Fundos de Pensão, Tesouro Nacional ou BNDES.
      Onde existe um monopólio: Telefonia, BrFoods,Energia a nomenklatura sindical Estatal esta presente para alavancar seu ganhos de preferência atrelados ao dólar.
      O Brasil e seu povo que se fodam.

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