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Bresser-Pereira: “A desconstrução do Brasil está em marcha”

Por Redação

27 de dezembro de 2016 : 16h52

Ex-ministro da Fazenda, em editorial nesta terça-feira, 27, na Folha de SP, analisa o governo de Michel Temer e afirma: “a desconstrução do Brasil está em marcha”.

Na Folha de São Paulo

A desconstrução do Brasil

Por Luiz Carlos Bresser Pereira

A história das nações é uma história de construção política, mas hoje minha sensação dolorosa é a de que estamos desconstruindo o Brasil.

Desde 1980 a economia brasileira cresce pouco mais de 1% ao ano, per capita; nos dois últimos anos essa renda caiu cerca de 8,4%; o desemprego alcança índices inimagináveis; os resultados decepcionantes do PIB trimestral e da indústria sugerem que a recessão se estenderá por mais um ano.

O baixo crescimento está associado ao regime econômico liberal-conservador instaurado pelas “reformas”: abertura comercial e financeira de 1990-92, as desnacionalizações e privatizações de 1995 e o “tripé macroeconômico” de 1999.

Nesse quadro, o crescimento teria que ser necessariamente baixo, porque duas das pernas do tripé impedem o investimento e o crescimento: juros altos (“meta de inflação”) e câmbio apreciado no longo prazo (“câmbio flutuante”).

E teria que ser entremeado de crises financeiras (1998, 2002, 2015), porque a moeda nacional apreciada e os correspondentes deficit em conta-corrente são desejados pela ortodoxia liberal, que os identifica com “poupança externa”, a qual aumentaria os investimentos.

Na verdade, os deficit desejados apreciam o câmbio, aumentam o consumo e a dívida privada e levam o país à crise financeira.

Em 2003 Lula chegou ao poder. Em seus oito anos de governo manteve o regime liberal-conservador intacto; os rentistas continuando a capturar 6% do PIB graças a uma taxa de juros altíssima.

Lula apenas usou o excedente produzido pelo boom de commodities para aumentar o salário mínimo e as transferências aos pobres. Dessa maneira, rentistas e financistas, que já eram os grandes beneficiados do sistema, continuaram a sê-lo, mas agora a eles se juntavam os pobres.

E a classe média tradicional? Foi esquecida, tanto no período conservador (1990-2002) quanto no social-democrático (2003-2014). Frustrada e indignada com a corrupção generalizada, em 2013 a classe média fletiu para a direita liberal.

Antes disto, em 2011, Dilma Rousseff tentara mudar esse regime ao baixar a taxa de juros, mas o câmbio estava enormemente apreciado, e as empresas industriais, sem lucro, não investiram.

Não podiam investir. Como a baixa dos juros não foi acompanhada de ajuste fiscal, a inflação aumentou, a crítica generalizou-se, e o governo bateu em retirada.

Em 2013, já sem apoio na sociedade, decidiu adotar injustificável desoneração de impostos, que destruiu o equilíbrio fiscal que prevalecia desde 1999.

Reeleita, a presidente viu-se diante de crise financeira -a principal causa da recessão. Não uma crise de balanço de pagamentos, nem uma crise bancária, mas uma crise financeira das empresas, quebradas pelos juros altos e o câmbio apreciado.

Para enfrentá-la, acreditou na tese ortodoxa de que a falta de investimentos era problema de “confiança” e nomeou um ministro liberal, que, em plena recessão, realizou um ajuste fiscal. As empresas continuaram sem poder investir, a crise agravou-se.

Seguiu-se o impeachment. A ortodoxia liberal, agora no poder, só viu dois problemas: a inflação (já vencida) e a crise fiscal (que a recessão agravara). Enfrentados eles, novamente a “confiança” e os investimentos voltariam.

Continuou assim a manter os juros altíssimos e a cortar os investimentos públicos. Previsivelmente, a crise econômica aprofundou-se, já que as oportunidades de investimento deterioraram-se ainda mais, ao mesmo tempo em que o governo perdia apoio político. A desconstrução do Brasil está em marcha.

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15 comentários

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Italo Rosa

27 de dezembro de 2016 às 20h07

não adianta apresentar Bresser Pereira, um dos fundadores do PSDB, do qual se desligou quando o partido virou o testa-de-ferro da direita escravocrata e subserviente aos americanos. Esses comentaristas que não lêem um texto ou, se o lêem, não o entendem, devido aos seus (deles) antolhos ideológicos, deveriam seguir o conselho do Senador Requião: vão comer alfafa.

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Dr. Teodoro Toledo

27 de dezembro de 2016 às 18h16

Por que diabos este blog só referencia jornalistas desconhecidos ou algo que vem da folha de são paulo, sempre a folha? Por que fazer isso se já não recebem o jaba da Dilma… Desapeguem, vamos fazer jornalismo isento de vez em quando galera.
Em tempo, VIVA MORO!

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    migueldorosario

    27 de dezembro de 2016 às 20h23

    O Temer resolveu pagar exército de aloprados para comentar nos blogs?

    Responder

      Sandra Brea

      27 de dezembro de 2016 às 21h10

      E parece que paga bem mal, dada a competência atestada desse pessoal….

      Responder

        MR1 3rd Strike

        27 de dezembro de 2016 às 21h22

        Fazem de graça, esse é o nível que chegamos.

        Responder

          Dr. Teodoro Toledo

          27 de dezembro de 2016 às 21h49

          Qual o problema em fazer de graça? Você é muito capitalista amigo, você só vem aqui comentar no cafezinho enquanto pagam o seu jabá? Ou seria pão com mortadela?

          MR1 3rd Strike

          27 de dezembro de 2016 às 21h51

          Então, o problema é esse, eu sou o capitalista e você faz de graça. Seja ao menos liberal meu amigo.

        Dr. Teodoro Toledo

        27 de dezembro de 2016 às 21h48

        Sandrinha, voce já parou pra pensar que todo mundo que pensa diferente de você, ainda que seja a maioria esmagadora das pessoas, é incompetente?! Já parou pra refletir se seus conceitos não estão errados e a incompetente é você?

        Responder

          MR1 3rd Strike

          27 de dezembro de 2016 às 22h01

          A maioria dos nazistas apoiavam os nazistas, a maioria… é sempre burra e teleguiada, por isso o termo lúmpen. seu lúmpen!

          Dr. Teodoro Toledo

          27 de dezembro de 2016 às 22h44

          Isso explica o motivo de vocês terem elegido Lula 2x, Dilma 2x e Temer?

          Antonio Carlos Lima Conceicao

          28 de dezembro de 2016 às 14h18

          Quem elegeu Temer?
          Quando apertei 13 escolhi Dilma e o seu programa de governo, não Temer e o programa de governo do PSDB. Dilma sofreu um golpe. Não fui consultado sobre o golpe!
          Votei em Lula e Dilma e vendo como está o país e os planos do PSDB sendo tocado não tenho dúvidas de que minha decisão foi acertadíssima.

      Dr. Teodoro Toledo

      27 de dezembro de 2016 às 21h47

      Ué, qual é o problema? Essa prática foi lançada pela Dilma e funcionou muito bem por muito tempo até que os cofres publicos parassem de sangrar em prol de blogs como esse cafezinho e brasil 247, por exemplo.

      Responder

    Raimundo Nonato de Castro

    28 de dezembro de 2016 às 09h30

    Temos que combater a midía corrupta e covarde de alguma forma, e este blog e um dos que ainda fala as verdades que por lá são destorcidas, e eu particularmente agradeço e muito por este meio existir, pois só assim não me torno uma maria vai com a globo e paneleiro ou mesmo coxinha ou pato da fiesp desenformado e alienado. bom dia.

    Responder

    Antonio Carlos Lima Conceicao

    28 de dezembro de 2016 às 14h14

    Isenção política é uma miragem.

    Responder

Torres

27 de dezembro de 2016 às 17h20

Gostei dos apontamentos sobre a incompetência de Dilma.

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