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O conselho do Buda para lidarmos com o assanhamento dos fascistas

Por Pedro Breier

18 de setembro de 2017 : 18h53

Por Pedro Breier

Bolsonaro sugerindo o fuzilamento dos responsáveis pela exposição Queermuseu; Marco Feliciano, Magno Malta e outros próceres da crítica artística visitando museus e decidindo o que deve ou não ser exibido; judiciário proibindo peça teatral e autorizando tratar homossexualidade como doença; general do exército falando em intervenção militar.

Estes são apenas os fatos mais recentes a demonstrar o grau da escalada autoritária no nosso país. Os representantes do fascismo tupiniquim estão assanhados e escancaram suas bocarras horrendas para tentar devorar a liberdade daqueles escolhidos como os inimigos da vez.

Urge pensarmos, portanto, na melhor estratégia para lidar com os que já foram contaminados pela histeria burra e, ao mesmo tempo, trazer os ainda “neutros” para o lado da defesa das liberdades e do respeito à diversidade.

É claro que quando grupos fascistas partem para a violência física a única resposta possível é a autodefesa nos mesmos termos.

Entretanto, nos debates com a galera do “bandido bom é bandido morto”, seja nas redes sociais, seja ao vivo, creio que o caminho é outro.

A resposta está neste sutra – um ensinamento resumido em poucas palavras – de Sidarta Gautama, o Buda:

Neste mundo o ódio jamais dissipou o ódio. Somente o amor dissipa o ódio. Essa é a lei, ancestral e inexaurível.

A verdade dessas palavras é evidente.

Se você duvida, faça o teste com aquele parente que cultiva o gostoso hábito de te criticar, sempre venenosamente, ou com aquele motorista do Uber reacionário que pensa que todo mundo deve se curvar ao que ele entende por correto.

Se você responder a este tipo de pessoa agressivamente, a tendência é que a réplica venha carregada de mais ódio ainda, o que, por sua vez, irá lhe irritar profundamente, fazendo com que seu desprezo inicial transforme-se em uma raiva pastosa que acabará se tornando ódio. Se você sai de uma conversa com uma pessoa que vomita ódio odiando também, ela, de certa forma, venceu. O ódio alimenta o ódio.

Agora, se você lembrar de respirar fundo; deixar a irritação que vem do âmago do seu ser dissipar-se como uma nuvem; e explanar a sua opinião com tranquilidade na voz, serenidade no olhar e amor no coração, você desarmará completamente o odiador. Na maioria das vezes ele muda o tom imediatamente e passa a conversar de forma um pouco menos indigente.

Não estou afirmando que é fácil. Definitivamente, não é. Mas é perfeitamente possível.

Lembrem-se, para facilitar a busca do estado de tranquilidade, de que os fascistas serão derrotados novamente, sem sombra de dúvidas (meditação também ajuda). O desejo humano por liberdade é poderoso demais para ser contido por meia dúzia de obscurantistas e seu séquito.

Sidarta Gautama não se tornou um Buda – aquele que alcança a iluminação – por acaso. Ele manjava dos paranauês: somente o amor dissipa o ódio.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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17 comentários

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Giovana

21 de agosto de 2020 às 12h39

Ser budista não significa tolerar abusos e dar abracinho em fascista, até porque não há abertura nenhuma com essas pessoas.

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Mário Sérgio da Fonseca Mendes

21 de março de 2019 às 01h44

Essa imagem não é a do Buda. ?

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joao pedro quiquita

04 de março de 2019 às 13h28

Esse não é o Buda animal, é Pu Taí um monge budista.

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Mariana

09 de maio de 2018 às 13h58

Dividir o mundo entre facistas ou não é uma visão muito estreita e pouco compassiva, incompatível com a prática budista.

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    Sandrelly

    01 de setembro de 2020 às 02h11

    Esse poste é odioso disfarçado de bom. Budismo não olha e nem classifica ninguém como facista. Se você quer mudar o mundo melhores primeiro a si mesmo. O ato de criticar, expor o outro é contrário a lei e a prática budista. As palavras de irá e ódio provém do Ego.

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Casey Rock

20 de setembro de 2017 às 11h04

A foto na capa não pertence a Buda. É muito comum confundirem, este é o deus da felicidade salvo me engano, mas sei que não é buda kkk

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Cesar

20 de setembro de 2017 às 09h15

Concordo.
Quando eu estou em um debate com uma pessoa que eu sei que pensa diferente de mim, procuro levar a conversa para questões mais fundamentais. Nestas, há menos discordâncias. Por exemplo: “você acha que devemos atuar para reverter as causas de tudo o que causa dor, sofrimento e opressão às pessoas?” é um ponto de partida que pode levar a uma discussão mais produtiva sobre os métodos de como enfrentar essas questões.
Por outro lado, também é um ensinamento budista, que se seu oponente tira você do sério, fuja dele.

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Eloiza Augusta

19 de setembro de 2017 às 18h14

Ótima postagem. Se conseguirmos respirar e abrandar nosso coração diante de tanto ódio deslilado nos últimos tempos já está excelente. Amor antídoto p o ódio. Namaste

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Marcio Antonio de Souza

19 de setembro de 2017 às 09h47

Sou um leitor assíduo ocafezinho. Mas qnto aquilo Queermuseu discordo veementemente, definitivamente aquilo não é nem nunca foi cultura. Só não radicalizo à nível dos fascistas.

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    beth

    19 de setembro de 2017 às 11h20

    A questão não é a qualidade do material exposto. A questão é o princípio fascista da censura. “Aquilo que não me agrada não poderá ser visto por ninguém”. É contra isso que precisamos lutar. Porque amanhã chegará a mais alguma coisa, e outra e outra. Não há limites para o autoritarismo, os exemplos históricos são indiscutíveis.

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luciano paulo sanfelice

19 de setembro de 2017 às 09h33

não é exatamente o que esta acontecendo em Miamar, onde os budistas estão dizimando, matando milhares de pessoas que não pensam como eles, assim como no Brasil não adianta juizes, promotores, delgados, politicos dizerem que são honestos devem ter uma vida honesta, recebendo somente o que lhes é devido e não receberem muito acima da lei e quererem aplicar as leis que só valem para os outros.

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    Allex

    19 de setembro de 2017 às 10h52

    Não sei o que se passa em Miamar por que não estou lá e não confio no que é veiculado pela imprensa. Mas se tem gente que se diz budista oprimindo e matando outras pessoas, então é óbvio que esses opressores não são budistas coisa nenhuma, apenas pensam ou fingem que são.

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Allex

19 de setembro de 2017 às 09h02

Legal ler esse post assim de manhã, se preparando para os desafios do dia. Tentei a via do budismo durante um tempo. Na época eu não entendia muito. Hoje ,que estou afastado, compreendo muito melhor a proposta do velho e bom Sidarta. É isso mesmo: ódio se combate com amor, ressentimento com perdão (inclusive “autoperdão”), grosseria com educação, fogo com água e por aí vai. E isso não quer dizer simplesmente dar a outra face, pois que e o limite é nossa integridade física. A nossa e a daqueles que nos propomos a defender. Não é fácil, como você mesmo disse, Miguel. No entanto, não há outro caminho. Simplesmente não há.

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    Allex

    19 de setembro de 2017 às 10h54

    Correção: o ótimo texto é de Pedro Breier.

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Rosa Maria de Figueiredo Murad

19 de setembro de 2017 às 06h50

Amor a reacionários? Buda era bem irado e, não ficava passando a mão na cabeça de ninguém.

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none

19 de setembro de 2017 às 00h42

ok resumindo primeiro leva na buda kkkkk

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Christiane Petersen

18 de setembro de 2017 às 23h05

Pedro muito bom seu artigo, realmente as vezes eu esqueço de buscar o lado zen, ontem mesmo foi hard com um uma turma que conheço. Pelo andar da carruagem, digo, carruagem devida aos anos que estamos retrocedendo no tempo após o golpe, terei que andar com uma bomba de oxigênio por medida protetiva contra o ar poluído e infectado dos despojos dessas mentes fascistas! vou ligar o off OmOmOmOm… Um grande abraço!

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