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PSDB precisa urgente refazer a maquiagem

Por Denise Assis

31 de outubro de 2017 : 08h44

Por Denise Assis, colunista do Cafezinho

Tal como as geleiras da Antártida, que derretem com o aquecimento global, o PSDB vê se dissolver, a cada dia, as suas chances de influir no eleitorado, ou qualquer possibilidade de eleger um dos seus para a presidência, em 2018. O quadro se agrava, se a disputa contiver o nome do ex-presidente, Luis Inácio Lula da Silva, que segue em ascensão, embora se saiba da carga de munição reunida para acertá-lo em pleno voo e tirá-lo da disputa.

Matéria publicada ontem no site 247 cita pesquisa encomendada pelo partido, e divulgada na coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, em que fica demonstrado o acelerado desmoronamento da legenda, nascida da costela de um PMDB fragmentado durante os trabalhos da Assembleia Constituinte, em 1988.

O racha entre os congressistas da corrente ligada ao ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, e os seguidores do governador de Minas, Newton Cardoso, tornou-se insustentável ao longo das discussões, principalmente com relação ao sistema de governo. O grupo favorável ao parlamentarismo, (que se considerava “mais à esquerda”, vejam vocês!), deixou a legenda e subiu no muro, constituindo-se no bando de tucanos, sob a legenda do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Assim, fruto da fragmentação da fragmentação, nasceu o desde sempre hesitante partido, que agora bate cabeça internamente, e é desprezado pela população. Longe de ser boba, ela já percebeu a ligação umbilical dos tucanos com o golpe e suas falcatruas, tornadas mais explícitas pela figura do (ex-atual) senador e ex-presidente da legenda, Aécio Neves.

A péssima imagem da barraquinha de camelô montada por Michel para vender votos com o dinheiro do povo, e a custa da redução de programas sociais e de reformas que transformam o trabalhador em verdadeiro escravo, contaminou as aves tucanas. Logo eles, que mantiveram uma distância estratégica do golpe, deixando à frente o síndico, Michel, enquanto na sombra se movimentava por cargos, negociatas em torno do pré-sal e o projeto de 2018. Como diria o assaltante: “perdeu, playboy”.

O partido, que já nasceu ostentando sete senadores e 37 deputados federais, (todos egressos do PMDB); agora amarga 75% de descrédito junto à população em geral, e 84% no Nordeste, de onde veio Lula. A ligação umbilical com Michel, a enxovalhada biografia de Aécio, e o constante engalfinhar dos seus pares, apontam para o fim do partido. A menos que passem pela sala de maquiagem e de lá ressurjam com outra coloração, um batom 24 horas, cílios mais longos, implantados fio a fio, sem esquecer um reforço no design de sobrancelhas, muito em voga no momento. Ou seja, re-pa-gi-na-do. E, ainda assim, a ligação entre as maldades de Michel contra a população, com o total consentimento do tucanato, estará indelevelmente grudada em suas cores.

A definição, um dia formulada por FH, para ser usada na primeira campanha e conquista da presidência: “uma corrente política que quer corrigir as injustiças sociais e melhorar as condições de vida do povo, por meio de reformas livremente consentidas pela sociedade dentro de um regime democrático”, virou um tremendo estelionato. Primeiro, porque eles de verdade não estavam nem aí para as injustiças sociais. Segundo, porque o povo sabe que as duras reformas aprovadas contra ele têm a co-autoria do PSDB. E, vamos combinar, democrático, o regime já deixou de ser há muito tempo. Desde 2016, quando os tucanos sacudiram a plumagem, subiram em carros de som na paulista, e endossaram o cheque em branco que era Michel, na cadeira da presidência. Tchau, queridos.

Denise Assis

Denise Assis é jornalista e autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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1 comentário

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Eloiza Augusta

31 de outubro de 2017 às 11h54

Esse MAL tem que se Banido do mapa. Moral nenhuma

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