Entrevista de Haddad ao SBT

As mochilas das crianças e o helicóptero dos políticos

Por Pedro Breier

27 de fevereiro de 2018 : 17h59

(Foto: Domingos Peixoto/O Globo)

Por Pedro Breier

As fotos de soldados do exército revistando mochilas de crianças negras, no Rio de Janeiro, são o retrato escarrado do nosso país.

Especialmente se fizermos um paralelo com o helicóptero da família dos Perrella, tradicionais políticos da direita mineira, aliados históricos de Aécio Neves e tucanos em geral, apreendido em 2013 carregando 445kg de pasta base de cocaína – o que pode render em torno de 2.225kg de cocaína refinada.

Seriam necessárias 445 mochilas abarrotadas com 5kg de cocaína cada uma para chegar à quantidade encontrada no helicóptero. Os números, assim como as grotescas imagens, evidenciam o ridículo de um exército revistando crianças.

O que aconteceu com os donos do helicóptero? Absolutamente nada.

O delegado responsável pelo caso disse que “o fato de (o helicóptero) pertencer a quem quer que seja não significa que essa pessoa esteja envolvida com o crime praticado”. O piloto, assessor de Gustavo Perrella, ficou preso por um tempo, depois foi solto e… mais nada. Devolveram o helicóptero para os Perrella. Case closed.

Conclusão óbvia: o objetivo da patacoada militar de Temer não é combater o tráfico ou a criminalidade ou o que quer que seja.

Além dos objetivos políticos e eleitorais do vampirão, trata-se de uma demonstração prática dos vários benefícios que a proibição das drogas gera para alguns poucos poderosos sem escrúpulos.

O mercado das drogas é um dos mais lucrativos do mundo, justamente porque é ilegal e, portanto, não incide sobre o comércio de entorpecentes imposto algum.

Obviamente, não é o dono da boca quem leva a grande fatia desse enorme lucro. A favela é o varejo. O grande comerciante, que vende no atacado, não tem ponto em vielas no morro; faz a entrega do produto de helicóptero mesmo.

Como o aparato repressor do Estado – Justiça, polícia, exército – funciona muito bem contra os pobres mas protege desavergonhadamente os poderosos, a proibição das drogas é um bálsamo para os grandes tubarões do tráfico.

A proibição gera dividendos aos representantes do status quo em duas frentes, portanto.

De um lado, altíssimos rendimentos para quem tem cacife para transportar altas quantidades de droga em, por exemplo, helicópteros.

De outro, é a desculpa perfeita para fingir que se está combatendo a insegurança enquanto, na verdade, busca-se manter o patamar obsceno de desigualdade social do Brasil por meio da prisão indiscriminada de jovens – negros e pobres em sua maioria.

Uma brutalidade racista e criminosa que conta com o aval da classe média/alta, embrutecida e emburrecida pela mídia hegemônica.

A legalização e regulamentação das drogas, por esses e muitos outros motivos, é urgente.

 

Pedro Breier

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.

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17 comentários

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Adalberto

28 de fevereiro de 2018 às 13h53

OK. A Globo esta falando demais do Jungmann. Estou sentindo cheiro de candidatura para presidente.

Blogs e nossos congressistas “progressistas” : abram o olho! Não estou entendo por que a “Tsar Bomb” do DE ainda não detonou. Pelo que estou sabendo, só o Requião se manisfestou.

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Reginaldo Gomes

28 de fevereiro de 2018 às 13h14

Guerra Híbrida
” O que é imprescindível em uma guerra híbrida?”
– São o s soldados híbridos!!!!
” O que são eles ?”
– São uns cabra safado que não tem pátria , ou pensam ter várias, porém, não são uma coisa e nem outra , são híbridos. Para entender melhor pense num animal híbrido , “a mula” , que não é nem burro e nem égua, é somente uma mula estéril.
Exemplo brasileiro dessa mutação genética são os fanfarrões da lava jato que passaram por modificações do genoma em suas temporadas no ee.uu (havard e outras espeluncas). Eles tem certeza que não são brasileiros , pensam que são americano, porém, são híbridos, sem pátria, sem vergonha. Por isso cometem todo tipo de desatino contra o povo brasileiro.
Não existe guerra híbrida sem soldado híbrido. Essa praga já contaminou todas as instituições, judiciário, STF, pgr, partidos políticos, ongs, policia federal, pig, etc…
É o batalhão híbrido que é o responsável pelo serviço sujo da guerra híbrida feita pelas multinacionais sem pátria.

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ari

28 de fevereiro de 2018 às 11h00

O curioso é que, nestes últimos dias, especialmente no G1 e no UOL/Folha, pode-se ver inúmeros comentários aprovando a revista em crianças, hc coletivo, identificação de moradores e outras coisas. Pelo perfil nos que assim falam, nenhum negro e certamente não moram em favelas.

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WALDOMIRO PEREIRA DA SILVA

28 de fevereiro de 2018 às 10h00

Na imagem n]ao pude deixar de enxergar o Sargento Garcia, que para mim é o simbolo deste governo.

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jose carlos lima

28 de fevereiro de 2018 às 09h59

Na outra ponta da linha o Brasil é entregue aos abutres….

Nassif: O xadrez da venda da Eletrobrás

https://jornalggn.com.br/noticia/o-xadrez-da-venda-da-eletrobras-por-luis-nassif

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Rogério Bezerra

28 de fevereiro de 2018 às 09h25

Disse tudo!
Os militares sempre ficaram ao lado dos ricos.
Pior agora, porém, quando sustentam um governo oficialmente entreguista… Viralata!
E a nossa honesta, competente e NACIONALISTA Dilma eles largaram na estrada… Vergonha!

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Afrânio

28 de fevereiro de 2018 às 08h03

PERDEU, BRUXA!

Fora de Pauta, mas tudo relacionado

Destaque

STF pode discutir caso Lula sem Cármen Lúcia
27 de Fevereiro de 2018

O Blog da Cidadania ouviu juristas e checou o Regimento Interno do STF e descobriu que Cármen Lúcia não conseguirá impedir que a Corte delibere sobre prisão após condenação em 2a instância se os outros ministros quiserem discutir o assuto – e a maioria quer. O artigo 83 do Regimento Interno do STF obriga a discussão de Habeas Corpus INDEPENDENTEMENTE da pauta decidida pela presidência da Corte. Não será surpresa se ela decidir pautar o assunto para não ser ATROPELADA.

https://blogdacidadania.com.br/2018/02/stf-pode-discutir-caso-lula-sem-carmen-lucia/

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Cláudio

28 de fevereiro de 2018 às 04h13

LULA 2018 ! ! ! ! !

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Lemes

28 de fevereiro de 2018 às 01h34

Enquanto o exército revistar a população mais vunerável.
Os políticos do PMDB e PSDB são pegos com milhões em malas de dinheiro, transportando malas, com dinheiro na suíça e mais milhões em dinheiro em nome de laranjas.
Nazi fascistas hipócritas.

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Eva

27 de fevereiro de 2018 às 23h00

Mochilas de crianças pobres.

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Ronaldo de Almeida Bezerra

27 de fevereiro de 2018 às 22h24

É um absurdo, as mochilas das crianças, essas são as imagem chegando a todos os continentes, o tratamento que as crianças estão recebendo quando vão para escola no Brasil, sendo recebidas como bandidos, é isso o que o governo golpista faz e recebe apoio da impressa conservadora. É Nojo, e o judiciário ao se acovardar passa a ser convivente com esse abuso.

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    Nelson

    27 de fevereiro de 2018 às 22h28

    “Traficante esconde drogas na bolsa do filho de três anos e é presa”
    “Presa por tráfico com a irmã, jovem usava filha de 1 mês para disfarçar – ”
    . Sabe onde aconteceu isso, caro militonto ? Na Alemanha ! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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      Luiz Carlos P. Oliveira

      28 de fevereiro de 2018 às 14h01

      Babaca, cocaína é consumida pela classe média. Pobre usa maconha ou crack. Nos bairros nobres moram os maiores consumidores de cocaína, extase e heroína. Além, claro, de donos de barcos e aeronaves que trazem essas drogas, os chamados “atacadistas”. No morro mora o traficante menor.

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        Francisco

        28 de fevereiro de 2018 às 17h01

        Onde está , no texto, caro babaca, escrito cocaína ? Você nunca deve ter entrado numa favela carioca para saber que droga de consome . A cocaína é bastante democrática; é consumida pelo pobre e pelo rico !

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          Luiz Carlos P. Oliveira

          01 de março de 2018 às 10h03

          Ah, a cocaína não tem nada a ver com a intervenção nas favelas. O exército está lá para caçar comunistas, não? Cara, tu é trouxa ou mal intencionado? Não entendeu o meu texto? Acreditas mesmo que o traficante da favela é o que traz a droga para o Brasil? Já ouviu falar no triângulo da maconha no Nordeste? Ou do refino de cocaína na Amazônia brasileira? Claro que não, pois tua fonte de informação não mostra isso.

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Nelson

27 de fevereiro de 2018 às 19h54

As mochilas das crianças e o Triplex e Sítio de Lula !kkkkkkkkkkkkkkkk

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    Elias

    28 de fevereiro de 2018 às 10h30

    Deixa de ser Babaca Nelson.

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