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A direita mostra a sua cara – Parte 1: o autoritarismo violento

Por Pedro Breier

27 de março de 2018 : 12h17

(Charge: Latuff)

Por Pedro Breier

Os últimos dias foram profícuos em demonstrações da natureza violenta e autoritária da direita brasileira.

Os ataques contra a caravana que Lula faz pelo sul do país – pedradas, ovos e até chicotadas desferidas com o beneplácito das PMs estaduais – lembram os episódios mais trágicos da história da humanidade: a naturalização da agressão física a quem pensa diferente é algo típico de um regime fascista.

O fascismo à brasileira é decorrência direta da campanha de ódio promovida pela conluio formado entre a mídia familiar e a Lava Jato desde o processo eleitoral de 2014.

O fomento e a posterior (falta de) reação da imprensa corporativa à barbárie explica porque os que estão tomados pelo ódio sentem-se tão à vontade para praticar seus crimes.

A cobertura do site da Folha sobre a violência contra Lula e seus apoiadores, por exemplo, é absolutamente cretina.

Entre as matérias em destaque, ontem, estava uma nota afirmando que o PT vai explorar os ataques à caravana com denúncias para a mídia estrangeira.

Apoiadores do partido são covardemente agredidos e a Folha, além de não publicar uma mísera crítica a esta aberração, ainda tenta pintar o PT como o malandro que vai explorar o fato politicamente.

Para quem emprestava veículos para a ditadura militar cometer seus crimes horrendos, não surpreende.

É claro que se os agressores fossem vinculados à esquerda e os agredidos à direita a postura seria diametralmente oposta. Para os nossos, liberdades democráticas. Para os deles, porrada à vontade.

A senadora Ana Amélia Lemos (cria da RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul – RBS e Globo também apoiaram a ditadura militar), do impoluto PP, escancarou o desejo sórdido dos que querem calar quem pensa diferente na base do derramamento de sangue.

A senadora elogiou quem atirou ovo, levantou o chicote e “botou a correr aquele povo que foi lá levando um condenado”. Este é o nível da escalada do fascismo que atingimos.

Para completar o quadro dantesco, o presidente ilegítimo da República, Michel Temer, falou ontem que o povo brasileiro se “regozijou” com a “centralização absoluta do poder que durou de 64 a 88”.

Para os assassinados, perseguidos, oprimidos e a população em geral é mais adequado chamar esse singelo período de ditadura militar mesmo. Pelo jeito, a tara do Vampirão por golpes vem de longa data.

Os fatos aqui narrados são apenas os mais recentes. A escalada autoritária do conservadorismo brasileiro já produziu desastres muito piores, como o assassinato político brutal da vereadora do PSOL Marielle Franco.

Não à toa a eleição de Bolsonaro – um apoiador explícito da ditadura militar  que teve a pachorra de homenagear o torturador Brilhante Ustra na votação do golpe – é um perigo cada vez mais real.

É hora de arregaçarmos as mangas e debatermos política – além de defendermo-nos das agressões físicas quando necessário – em todos os ambientes possíveis para impedir a consumação desse desastre.

P.S.: Amanhã publico a parte 2 deste artigo, sobre outra face da direita: a sede de poder.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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2 comentários

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Alexandre

27 de março de 2018 às 18h46

Boa tarde.
Se faz necessário montar um vídeo com todas as imagens de agressões. Fotos, imagens, pequenos depoimentos, uma música de fundo. Tudo para denunciar e viralizar para o Brasil inteiro saber o que esses facistas estão fazendo no sul do país. As imagens são chocantes e a internet consegue romper a barreira da mídia oficial

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Estelina Farias

27 de março de 2018 às 16h47

Os ataques contra a caravana do Lula no Sul lembram a selvageria sangrenta dos nazistas contra o judeus na Alemanha de Hitler, como a noite dos cristais. A histeria violenta da direita está enlameando a imagem do Brasil em todo o mundo, Uma vergonha.

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