CPI da Fake News, com Joice Hasselmann

Terroristas atiram e ferem manifestantes lulistas em Curitiba

Por Miguel do Rosário

28 de abril de 2018 : 09h11

(Ato de violência contra manifestantes do acampamento Marisa Letícia não pode ficar impune / Foto: MST)

No Brasil de Fato

Ataque a tiros contra o acampamento pró-Lula deixa duas pessoas feridas

Um jovem foi atingido no pescoço e está na UTI; ataque aconteceu na madrugada em Curitiba

Brasil de Fato | Curitiba (PR), 28 de Abril de 2018 às 08:20

Um atentado a tiros aconteceu nesta madrugada de sábado (28) no acampamento Marisa Letícia, em Curitiba, onde estavam manifestantes que defendem a liberdade do ex-presidente Lula.

Segundo informações do acampamento, duas pessoas foram baleadas. Um rapaz foi atingido no pescoço e está na UTI. Leia a nota conjunta dos movimentos populares que compõe o acampamento.

Até o momento, as autoridades de Curitiba não se manifestaram sobre o ataque.

Leia a nota na íntegra

NOTA DA VIGÍLIA LULA LIVRE

A vigília Lula Livre e as diversas organizações que a integram repudiam de forma veemente o ataque a tiros contra o acampamento Marisa Letícia, ocorrido na madrugada de hoje (28) e que resultou em duas pessoas feridas, uma delas de forma grave, com um tiro no pescoço.

A sorte de não ter havido vítimas fatais não diminui o fato da tentativa de homicídio, motivada pelo ódio e provocação de quem não aceita que a vigília é pacífica, alcança três semanas e vai receber um Primeiro de Maio com presença massiva em Curitiba. Não nos intimidarão!

No fundo, é uma crônica anunciada. Desde o dia quando houve a mudança de local de acampamento (17), cumprindo demanda judicial, integrantes do movimento social haviam sido atacados na região. Desde aquele momento, a coordenação da vigília já exigia policiamento e apoio de viaturas, como foi inclusive sinalizado nos acordos para mudança no local do acampamento.

“Nós desmanchamos o acampamento cumprindo ordem oficial. Fizemos a opção de ir para um terreno e seria garantida a segurança. Agora o que cobramos da Secretaria de Segurança Pública é investigação, que identifique o atirador”, enfatiza Dr Rosinha, presidente do PT estadual e integrante da coordenação da vigília.

Seguiremos com nossas atividades, lutas, programação e debates da vigília. A cada dia vai se tornando cada vez mais impressionante como, mesmo preso, a figura do ex-presidente Lula, a força moral que ganha, as denúncias contra a injustiça de sua prisão, tudo isso causa desespero nos seus algozes.

Por isso, estamos no caminho certo e venceremos! Em repúdio contra a violência, realizamos o trancamento da rua na região e seguiremos lutando.

Convocamos a sociedade e as pessoas que prezam pela democracia, pelo livre direito à expressão, pela diversidade de vozes na política, que somem-se a nós na vigília. Não aceitaremos tentativas de retrocesso que já nos custaram muitas lutas e vidas.

Vigília Lula Livre, 28 de abril de 2018.

Edição: Juca Guimarães

***

Atualização 1: Mensagem de uma testemunha do acampamento, enviado por whatsapp às redes de apoio: “Relato do estado de exceção: Após os disparos covardes que atingiram dois companheiros, uma viatura da PM chegou ao local. Um policial saiu desta viatura, recolheu as cápsulas do chão, enfiou no bolso, entrou na viatura e foi embora.”

Atualização 2: O professor Wilson Ramos Filho, o Xixo, presidente do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora, sobre o atentado de ontem à noite:

“Quando mandarins de piso fazem o que querem, desdenhando da lei e da Constituição, sem que os tribunais lhe coloquem limites, meganhas se esbaldam com a certeza de que não serão reprimidos pela hierarquia. O atentado fascista, terrorista, que, aos gritos de Bolsonaro, abala convicções democráticas, pode causar a morte de um trabalhador.

O que assistimos em Curitiba deve ser compreendido no contexto de desestabilização institucional decorrente da ausência de focinheiras nos meganhas de toga e de farda.”

Xixo, professor na UFPR, reside em Curitiba.

Atualização 3: Jeferson Lima de Menezes, de São Paulo, que foi atingido no pescoço, está na UTI.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

16 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

jose carlos lima

28 de abril de 2018 às 17h08

Como na Siria, as pessoas começam a não entender que a guerra não é entre patriotas e sim de interesse do imperialismo contra o povo brasileiro

Responder

ALUISIO GOMES

28 de abril de 2018 às 16h34

Até quando? É possível ficar omisso? Quando iremos revidar, já que o justiça não estabelece um equilíbrio?

Responder

Elena

28 de abril de 2018 às 15h55

Li vários comentários nos portais IG e UOL de coxinhas dizendo que os acampados são um bando de vagabundos, que não trabalham e que recebem pão com mortadela. Agora não lembro desses mesmos comentários criticando aqueles acampados que ficaram meses na Av. Paulista, em frente à FIESP, recebendo filé mignon do sr. Paulo Skaf. Será que esqueceram disso?

Responder

edson

28 de abril de 2018 às 15h10

E de lamentar pessoa que se diz equilibrada e culturalmente preparado, apoia o crime, a agressão, e ainda pergunta se os sacrificados estão atoá na vigilia não pode ser trabalhador porque está há dias
no acampamento. Tem de ser fascista. Todavia essa pessoa esqueceu que esse fato é reencidente
no SUL do pais contra o PT de Lula. Fique tranquilo na eleição vai dar PT

Responder

Adalberto

28 de abril de 2018 às 14h44

Coisa de agroboy acéfalo. Provavelmente, a briosa polícia do estado agrícola do Brasil, vai conduzir as investigações com o mesmo empenho que teve no atentado contra a caravana do presidente Lula.
Vamos aproveitar a situação e tentar passar, nem que seja semanalmente, boletins sobre a vigília na bastilha de Curitiba. É importante que todos saibam que ela resiste bravamente.

Responder

Cícero Costa

28 de abril de 2018 às 14h24

“Após os disparos […] uma viatura da PM chegou ao local, um policial saiu desta viatura, recolheu as cápsulas do chão, enfiou no bolso, entrou na viatura e foi embora.”

Há grandes possibilidades de terem sido policiais a mando do governador os autores desse atentado.

Responder

Rogério Bezerra

28 de abril de 2018 às 11h43

Se tivéssemos Forças Armadas nacionalista o Paraná seria reincorporado na marra.
Como as FFAA fizeram décadas atrás (o que levou meu pai pelo Exército ao Rio Grande do Sul) para acabar com isso putaria separatista.
Hoje temos FFAA amiga do nosso invasor, o terrorista, EUA.
E assim o Paraná e sua eficiente Polícia continuarão tranquilos propagando a ideia separatista.

Responder

Fernando

28 de abril de 2018 às 10h44

“O atentado fascista, terrorista, que, aos gritos de Bolsonaro, abala convicções democráticas, pode causar a morte de um trabalhador.”. Eu gostaria de saber como um “trabalhador” consegue ficar acampado durante três semanas sem, obviamente, trabalhar. Esses sujeitos acampados são tudo; menos trabalhadores !

Responder

    Miguel do Rosário

    28 de abril de 2018 às 11h07

    Quem disse que ele não estava trabalhando lá? Ou que estava de férias, aposentado ou sem emprego? Que eu saiba, vivemos (ou achávamos que vivíamos) uma democracia, e cada um pode fazer o que quiser de sua vida. Você vai patrulhar a vida de quem você não conhece? Pior, vai justificar um atentado terrorista contra um civil desarmado????

    Responder

      Fernando

      28 de abril de 2018 às 11h34

      Se estava sem emprego , deveria estar a procura de um e não ficar sem fazer nada num acampamento de vagabundos defendendo a libertação de um corrupto. Entendo que ter um trabalho, uma fonte de renda lícita é mais importância do que fica batendo ponto em eventos pela libertação de criminosos. Isso é coisa típica de vagabundo !

      Responder

    Vicente

    28 de abril de 2018 às 11h23

    Teu discurso é de ódio. Se acha superior por ter um emprego em meio ao caos economico causado por um goplpe fascista.
    Pare de apertar o gatilho.

    Responder

    Erico Martins

    28 de abril de 2018 às 14h38

    Fernando, você é um calhorda que veio aqui defender os depravados que atiraram contra o acampamento.

    Responder

    Adalberto

    28 de abril de 2018 às 14h51

    Empatia e raciocínio lógico não são características de “cidadãos de bem”.

    Responder

    asd

    28 de abril de 2018 às 16h51

    Então pra resolver o problema do desemprego basta se juntar a um acampamento? Aí ficou fácil.

    Responder

    Roberto

    28 de abril de 2018 às 19h41

    Comentário típico de fascista: culpa as vítimas e relativiza um atentado criminoso. És tudo, menos um ser humano.

    Responder

João Batista

28 de abril de 2018 às 09h45

Sebe quando vão descobrir e punir os culpados? Nunca. O que está acontecendo no Brasil atual é uma onda de moralistas sem moral. E o pior é vermos o total descaso das autoridades “competentes”. Mas se o outro lado reagir aí caríssimos essas mesmas autoridades omissas agirão imediatamente punindo os culpados. E ainda tem gente que diz que estamos vivendo em um estado democrático. Na verdade estamos em uma ditadura disfarçada de democracia. Parece-me que estão querendo uma guerra civil no Brasil.

Responder

Deixe uma resposta