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Dilma, Lula e o clamor pelo Plano B

Por Mariana T Noviello

10 de maio de 2018 : 08h09

Foto Ana Rojas: Dilma Rousseff na Universidade de Queen Mary’s, Londres

Abandonar candidatura de Lula seria legitimar golpe, diz Dilma em Londres

Em suas andanças pela Inglaterra, a Presidenta Dilma Rousseff criticou aqueles que estão clamando pelo Plano B do PT.

A Presidenta Dilma Rousseff argumenta que um plano B, seria fazer o papel de carrasco quando, na verdade, o Partido dos Trabalhadores e Lula são as vítimas.

É mais fácil e melhor para a consciência do torturador conseguir aquilo que ele quer sem ter que aplicar a tortura, pois mesmo para ele, a tortura é uma opção difícil.

Dilma argumenta que durante o seu processo de impeachment pediram que renunciasse porque seria ‘melhor para ela’, evitando desconfortos políticos, e ‘melhor para o Brasil’, pois o país não precisaria passar por este processo ‘difícil e doloroso’ que eles próprios inventaram.

Mas renunciar para quê? pergunta ela, “para perder a narrativa, perder o futuro, perder a dignidade?”

De acordo com Dilma, foi justamente a sua resistência que revelou a natureza golpista do impeachment: tiveram que inventar desculpas frágeis para justificá-lo, como as pedaladas fiscais, e nada explicitou melhor o Golpe do que aquele dia fatídico do voto na câmara dos deputados.

Ela pergunta: seria agora papel do PT de conciliar o país quando foram eles, os golpistas, que ‘abriram a caixa de Pandora dos monstros brasileiros, instilando o ódio e fazendo surgir a extrema direita’?

O mesmo argumento, diz ela, é utilizado quando se fala num Plano B para o PT.

A mídia, de repente, se ‘preocupa’ com a viabilidade política do partido que sempre atacou: com Lula na cadeia, o que vão fazer? Porque Lula, todos sabem, não vai sair e não vai governar, dizem, e PT precisa trazer o ‘novo’.

Continua Dilma: “Eles querem que nós tiremos o Lula por eles. Mas Lula não é culpado, é inocente, a prisão de Lula faz parte do processo do Golpe. Plano B é como eles queriam. Nós sustentamos a posição de inocência de Lula e não cabe a um inocente ser retirado do pleito. Quem fizer este papel perde a narrativa e perde o futuro.”

Dilma diz que Lula é expressão legítima do anseio de parte povo brasileiro, o político mais popular que o Brasil tem. E como Lula está na cadeia justamente para não participar das eleições, um Plano B implicaria em aceitar o Golpe como legítimo, condenando um homem inocente à prisão, e ainda negando ao povo brasileiro a possibilidade de elegê-lo.

Um Plano B, Dilma reitera, seria como a vítima fazer o papel do carrasco: assim, as vítimas do Golpe dão aos golpistas o que eles mais querem – Lula fora do páreo.

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