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Mistério da Lava Jato: quem acobertou a fuga do doleiro Dario Messer?

Por Jeferson Miola

20 de maio de 2018 : 17h06

Jeferson Miola            

O “doleiro dos doleiros” do Brasil, como Alberto Youssef – o doleiro-delator íntimo do Moro, dos procuradores e dos policiais da Lava Jato – se refere a Dario Messer, foi o alvo principal da operação “Câmbio, Desligo!”, executada pela Polícia Federal em 3 de maio, depois das delações dos doleiros Vinícius Claret e Cláudio Barbosa.

Dario Messer, provavelmente avisado que seria alvo de mandado de prisão preventiva, conseguiu fugir e não foi encontrado nos endereços conhecidos no Brasil naquele dia da operação Câmbio, Desligo!.

A prisão do doleiro era tida como líquida e certa, tanto que o jornalista tarimbado e dono de fontes privilegiadíssimas d´O Globo, Lauro Jardim, no dia da operação anunciou que “Dario Messer, alvo principal da operação da Lava-Jato de hoje, e finalmente preso, é um personagem ligado aos escândalos nacionais desde o caso Banestado”.

Na coluna d´O Globo de 6 de maio de 2018, o taribado Lauro Jardim publicou a nota “Tudo errado”, com a notícia errada de que Dario Messer tinha sidopreso na quinta-feira passada”. É difícil imaginar tamanha “barrigada” jornalística de profissional bem abastecido de informações e depois de 3 dias do fato consumado! Houve alguma falha na linha direta de comunicação Globo-Lava Jato – só não se conhece o motivo para tal falha.

 

Aventou-se a hipótese de que Dario Messer pudesse estar escondido na sua mansão no Paraguai, porém lá também não foi encontrado.

Joaquim Carvalho, em minuciosa reportagem no Diário do Centro do Mundo, cita que “Antigos aliados acreditam que ele esteja em Israel, onde também tem cidadania, por ser judeu. Messer não foi o único a escapar. O doleiro René Maurício Loeb fugiu do Rio de Janeiro para a Europa a bordo de um navio de luxo, semanas antes da operação ser deflagrada”.

A fuga e o desaparecimento de Dario Messer adquire ainda maior relevância e valor investigativo depois da denúncia feita por doleiros acerca da existência de esquema mafioso mediante o qual o advogado Antônio Figueiredo Basto recebia US$ 50 mil dólares mensais como “taxa de proteção” para garantir que “eles [doleiros] seriam poupados nas delações decorrentes do caso Banestado, que correu na jurisdição de Sergio Moro” [DCM].

Esse mesmo advogado é considerado o especialista em delação premiada no Brasil – ou da indústria da delação, como o GGN e o DCM vêm investigando – cuja experiência inaugural foi a delação premiada de Alberto Youssef no rumoroso caso Banestado, conduzido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e pelo juiz Sérgio Moro.

O ministério público reconhece que a denúncia dos doleiros tem efeito devastador nos meios jurídicos, políticos e empresariais e, pode-se inferir, também sobre a força-tarefa da Lava Jato.

Não é a primeira vez que denúncias dessa índole são feitas em relação ao universo que se revela cada vez mais obscuro da chamada “república de Curitiba”, tão incensada pela Rede Globo.

Em novembro de 2017, o ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, denunciou que Carlos Zucolotto Júnior, amigo íntimo e padrinho de casamento de Sérgio Moro, intermediou acordo de delação premiada com redução de multas e sanções judiciais por US$ 5 milhões. Na ocasião, Zucolotto mencionou que um interlocutor com a sigla DD [na Lava Jato só se conhece Deltan Dallagnol com estas iniciais] seria o avalizador final do acordo.

Na sessão de 11 de abril de 2018 do STF, Gilmar Mendes denunciou que “a corrupção já entrou na Lava Jato, na Procuradoria”. Arrolando casos como o de irmão de procurador [Doutor Castor] que promove acordos de delação com a Lava Jato, Gilmar denunciou que “Estamos escolhendo advogados para delação. Ou aqueles que não poderiam sê-lo. Veja como este sistema vai engendrando armadilhas”.

É incrível que até hoje nem o STF, nem a PGR, nem a OAB e nem a Lava Jato instauraram investigações sobre denúncias tão comprometedoras e feitas por um juiz da suprema corte.

A fuga de Dario Messer, salvo a ocorrência de incríveis coincidências, foi facilitada por aqueles que fogem do “doleiro dos doleiros” como o diabo foge da cruz. É preciso, por isso, esclarecer urgentemente 3 aspectos nebulosos:

  1. quem acobertou a fuga de Dario Messer?;
  2. quem se beneficia com a “fuga” de Dario Messer?; e
  3. por que é preciso esconder Dario Messer e evitar seus depoimentos?

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5 comentários

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Elvira

21 de maio de 2018 às 14h25

Duplo Expresso tem consistentes e já antigos comentários sobre este assunto é muito antes de aparecer na mídia oficial, chapa branca

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Clip

21 de maio de 2018 às 12h23

Paraguay muda embaixada para Jerusalem.
O lobby da direita israelense deve ser muito forte no paraguay.

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Moacyr Medeiros Alves

20 de maio de 2018 às 21h32

É decepcionante saber que nós brasileiros somos um povo muito pretensioso, que se julga o mais esperto do mundo, quando, na realidade, não passamos de um enorme exército de mais de 200 milhões de pacóvios imbecis e inconsequentes cidadãos que nos deixamos explorar por meia dúzia de espertalhões que nos trazem na coleira, fazendo-nos de idiotas, metendo descaradamente a mão em nossos parcos e minguados bolsos, e ordenando desdenhosamente o que devemos fazer, pensar e valorizar!
Patriotismo, dizem esses espertalhões, é torcer pela seleção canarinho! E nós, bovinamente, acreditamos.
Xuxa Meneghel, ninfeta no filme nacional “Amor, estranho amor”, que conta uma história passada num prostíbulo de luxo, tornou-se, com amplo beneplácito dos pais, “a rainha dos baixinhos”!;
Senor Abravanel, vulgo Sílvio Santos — este então merecia um livro! — renomado charlatão de riso fácil e debochado, que ficou bilionário explorando com muito tacto essa singular faceta de nosso “esperto” caráter, é o brasileiro mais admirado pela turba que se julga esperta e que, por ser esperta, admira demais sua invulgar astúcia para o charlatanismo, e o tem como um deus, sem se dar conta que esse perspicaz espertalhão ficou bilionário tomando o suado dinheirinho de seus irmãos, notadamente dos menos favorecidos que, acreditando em sua afiada lábia de hábil camelô, compravam o seu Baú da Felicidade: arapuca comercial que vendia um carnê pagável em prestações mensais e concorria a sorteios feitos no programa televisivo do astuto e debochado apresentador; esses carnês quando quitados, se não tivessem sido contemplados nos sorteios, retiravam seus valores em mercadorias vendidas nas Lojas do Baú a preços escorchantes; não obstante pagas antecipadamente pelas vítimas do inescrupuloso apresentador, as mesmas mercadorias, quando compradas — a prazo, — no comércio normal, saiam por metade do preço.
Mas a falta de escrúpulos desse vil e talentoso senhor Senor Abravanel, quando se trata de tomar dinheiro dos trouxas, não tem limites. Vieram em seguida os infames jogos telefônicos: arapuca em que a vítima fazia sua fézinha por telefone, para concorrer igualmente a prêmios, nos programas televisivos do espertalhão; a cobrança vinha na conta telefônica e deu a ele muito lucro!
Hoje, já octogenário, o infame talento do sórdido beldroegas continua operando a todo vapor! Atualmente ele explora a “tele-sena”, jogo que concorre com os jogos oficiais da Caixa Econômica Federal — loteria federal, quina, lotofácil, lotomania, mega sena, etc. — e fazem parte do monopólio governamental de exploração dos jogos de azar; isso leva a crer que para continuar explorando a tele-sena, o ilustre mentirocrata está utilizando, além de sua invejável e insidiosa verve, muito cacau de sua bilionária fortuna para “convencer” a fiscalização a deixá-lo em paz.
Para finalizar, vale lembrar que foi badalando os milicos no tempo da ditadura militar que ele ganhou a concessão do seu canal de televisão!
E por aí afora vamos assistindo a uma sequência infindável de ladroeiras e malandragens que esses espertalhões inventam pra nos levar no tapa, e que nós, “verdadeiros otários”, obedientemente adotamos como lei ou religião.
Face a essa triste, lamentável e caricata realidade, foi muito fácil para os ditos espertalhões, seus correligionários e adeptos, com receio de perder a mui farta, rendosa e inescrupulosa boquinha, depor uma presidenta honesta, que vinha dando sequência a uma fase de governos eficientes que muito nos valorizaram, substituindo-a por essa quadrilha de corruptos que está no poder

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Everton P.

20 de maio de 2018 às 18h32

O governo turco fez o movimento dramático de repatriar todas as suas reservas de ouro que estão atualmente abrigadas no Federal Reserve dos Estados Unidos, em um movimento que o presidente Erdogan diz que abrirá caminho para a Turquia conduzir o comércio internacional bilateral de ouro em vez de dólares americanos. Isso acontece logo depois que o Irã anunciou que mudará do dólar para o euro como moeda oficial de divulgação.

https://www.eurasiafuture.com/2018/04/20/turkey-takes-all-of-its-gold-back-from-us-plans-to-ditch-dollar/

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Lâmpada

20 de maio de 2018 às 17h29

Como as pessoas são ingênuas. O tal doleiro dos doleiros nunca, jamais, será pego a não ser que deliberadamente ele o queira. Ele não depende de ajudinha de qualquer bostinha brazuquinha. Por que? Um doleiro dos doleiros, judeu e com livre trânsito na tríplice fronteira e em Israel está, obviamente, umbilicalmente ligado ao Mossad. O Mossad, como o melhor serviço de inteligência do mundo, nunca deixa os seus para trás. No que, aliás, fazem muitíssimo bem, pois um país quando age em favor de seu povo tem o meu total respeito. O Brasil deveria é seguir o exemplo, ao invés de se tornar serviçal de outros países e entreguista de seu próprio povo.

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