O depoimento de Lula à juíza Gabriela Hardt

The Last Supper Restored, Leonardo Da Vinic

A barbárie e a compaixão

Por Miguel do Rosário

13 de setembro de 2018 : 13h36

A carta do professor Wanderley a PHA está muito boa. Reproduzo-a abaixo.

Do Conversa Afiada
O ansioso blogueiro recebeu uma carta do professor Wanderley Guilherme dos Santos:

PH,
O mais desanimador destas eleições é reconhecer que vasta maioria da população irá votar por barbárie inicialmente, e agora por compaixão pela barbárie (Bolsonaro hospitalizado) ou por compaixão a injustiçado (Lula).

Sem demérito a Fernando Haddad, cuja competência para as monumentais tarefas do momento é desconhecida, mas cujas vestes são as de um pregador em nome de um crucificado.

Neste exato instante, a maioria da população se reparte entre a barbárie hospitalizada e o injustiçado em busca de remissão ao preço de um país.

O mais dramático explode na evidência de que, vítimas ou não, as respectivas mensagens são selvagens, por um lado (e me refiro tanto a Jair Bolsonaro quanto a Paulo Guedes), ou obsoletas, quase reacionárias; de outro, e me refiro ao programa do PT, ciceroniado por Fernando Haddad.

O PT perdeu substância intelectual com o afastamento de praticamente todos os grandes quadros de formuladores, em parte pelo preconceito original contra títulos universitários, em parte pela gradativa deterioração da burocracia estatal e pela oligarquização do partido, resultando em propostas de governo em descompasso com a agenda urgente que o espera. Caso vença, o PT, com ou sem o controle remoto do prisioneiro de Curitiba, fará um péssimo governo, está incapacitado para melhor. E não haverá compaixão que o salve.

Do programa de Paulo Guedes/Bolsonaro mais caberia designá-lo por assalto sem fazer prisioneiros. Trata-se de uma queima de mercadorias para transmissão dos negócios a nova gerência: o capital predatório e politicamente comprometido dos Estados Unidos.
Espanta o número de pessoas, em geral dotadas de excelente tino humano e intelectual, atualmente em transe, tomadas por surtos de compaixão ou violência de tal intensidade que se recusam sequer a conversar sobre o que está ocorrendo a olhos vistos. Talvez o subconsciente lhes sussurre que estão embriagadas, mas temem o retorno ao real, algo comum aos desarranjados da cabeça. Têm medo.

Os mortos de medo do PT, independente de renda ou educação, aderem à selvageria de Bolsonaro, nele descobrindo alucinadas virtudes.

Os cegos de compaixão também morrem de medo e do mesmo PT, assediados pela sentença de traidores que lhes passam, antecipadamente, os beneficiários efetivos da compaixão: aqueles que carregam o crucificado em busca de votos que os levem, não a Curitiba, mas à Câmara ou ao Senado, em Brasília.

O próximo Legislativo estará repleto de energúmenos dessas duas espécies.

Entendo que a declaração de Ciro Gomes de que o Brasil “não aguenta mais outra Dilma” quer dizer que o Brasil “não aguentará outro golpe”. O segundo governo de Dilma Rousseff não chegou a existir, a desorientação evidente do início foi imposta pelo PT e seu líder máximo, não importa como os aproveitadores queiram reescrever a história, e, de qualquer modo, não é prova de virilidade política atingir a quem o PT escolheu para servir de bode expiatório de seus desmandos, em condomínio com o PMDB, com o qual voltou a se aliar.

Quando o furacão reacionário passar, o PT permitindo, aí será tempestivo avaliar a quem cabe o que nos doze anos de governos petistas.

O de bom e o de ruim.

Abraço,
Wanderley

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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31 comentários

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zazul

15 de setembro de 2018 às 11h45

O autor parece que abandonou as Ciências Sociais e abraçou a futurologia. Ele está lendo o futuro em bolas de cristal ou borras de café?

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Victoria Espiñeira

14 de setembro de 2018 às 02h07

Só diria ao prof Wanderley. Saibamos envelhecer. Envelhecer como Mujica, como Oscar, como o Papa Francisco . Não entendi como as sua posição diante do PT e de Lula desabona as reflexões que voce fazia ao PT no período dos protestos 2013- 2015 nas suas entrevistas . Quando reconhecia que havia um enorme pressão da direita nas ruas. E agora simplifica as suas analises . A sua acidez devia ter um alvo mais coerente

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gusfonseca

13 de setembro de 2018 às 22h55

Entrevista com Pablo Ortellado – que sirva de auxílio na interpretação da carta de Wanderley. Notar a parte em que fala de certa “falta de pensamento”.

http://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/566032-o-principal-desafio-da-esquerda-e-enterrar-o-pt-para-ir-alem-do-pt-entrevista-especial-com-pablo-ortellado

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    Renata

    14 de setembro de 2018 às 13h21

    Renovar a esquerda no meio de um Golpe é, antes de tudo fazê-la sobreviver e resistir ao Golpe. Mas podemos deixar o bonde desgovernado do país seguir seu curso e daqui a 20 anos a gente faz uma abertura suave.

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    zazul

    15 de setembro de 2018 às 11h49

    Primeiro venceremos os golpistas, fascistas, racistas, corruptos, entreguistas, oportunistas. A desigualdade absurda e a ignorância sistêmica. Depois a gente fala em “ir além do pt”.

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Beto Castro

13 de setembro de 2018 às 21h06

Esse professor coxinha é uma mistura perfeita do Pitágoras Savanarola da Torre de Curitiba e seus escudeiros de Porto Alegre, com os comediantes em pé do Merdal Pedreira, além de assessorado pelos especialistas do mercado do Skafandro, da Maçonaria e de Mira Leitoa. Pior do que ele somente a Raquel Doida, o Barroso do pó vieste e ao pó voltarás com relatoria do Faquinha, Fux Trumphinha e Tobogã de Ratos Morais. Um Bárbaro travestido de carpideira compadecida.

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    Marcos Pinto Basto

    14 de setembro de 2018 às 11h41

    Francamente gostei muito da classificação dada aos terráqueos que perambulam pelos palácios da republiqueta tupiniquim, um autêntico balaio de gatos esfomeados misturados com ratazanas ensandecidas pela facilidade em roer e abocanhar tudo que tenha valor, incluindo aí a honestidade dum Povo crédulo demais. Enquanto isso, as hienas, mabecos e piranhas, preparam-se para devorar os otários muito trouxas que forem eleitos como espantalhos oficiais duma democracia esfarrapada pelas espertezas dos vilões que se dizem arautos das multidões. Aqui tudo dá, mas temos malandros demais!

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Juan Carlos

13 de setembro de 2018 às 19h36

Saudades da época em q só a direita tinha essa luta diária contra a realidade…

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Franklin Caetano de Freitas.

13 de setembro de 2018 às 19h13

Não concordo. O voto no PT em Lula e agora em Haddad é pelo crescimento na era Lula. O emocional existe, mas não é determinante. O professor interpreta erradamente o cenário tá viajando na maionese.

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Franklin Caetano de Freitas.

13 de setembro de 2018 às 19h08

Não concordo. Quem vota no PT em Lula e agora em Haddad vota por causa da era Lula. Por empregos e crescimento econômico. Tem a questão emocional, a causa Lula causa indignação e óbvio. Mas o voto é por causa do crescimento econômico na era Lula. Tá viajando o professor.

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Renata

13 de setembro de 2018 às 18h49

Talvez um pouco da compaixão que eu desejaria que os golpistas tivessem pela Soberania Popular também fizesse bem ao Dr. Wanderley.

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Nostradamus ( banquinho & bacia )

13 de setembro de 2018 às 18h31

Se ainda professor perdeu toda a noção didática e qualquer senso pedagógico ao ponto de sermos muito injustos ao atribuirmos a ele ainda o título. Equivocado, fora da história, um falsário cruel por iniciativa e consciência. Atribuir a culpa do golpe ao Lula. Tendo a Dilma como instrumento. O nosso homem consegue contar sua lorota a título de história citando uma única parte envolvida no fato. Fato que é um fenômeno complexo não somente nacional mas internacional. Que envolve três poderes da república a Cia, o Departamento de Estado, fundações, petroleiras… ( resumindo ) Fenômeno tão complexo que até já tem nome na literatura jurídica em inglês. Mas para o tal do Wandeco o culpado é o Lula. Escreve um artigo para dizer isso, tão somente. Convenhamos! Faça-me o favor!

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francisco hermes santiago

13 de setembro de 2018 às 15h43

Me causa uma certa estranheza, que um cidadão que se diz professor, tenha tamanha acidez quanto ao melhor presidente que este país já teve. Quando se apoia uma ideologia, uma causa, isso não quer dizer que uma outra seja tão nociva a ponto de se execrar a personalidade de um ícone mesmo que este esteja preso; o termo ” prisioneiro de curitiba” é tão chulo que me pergunto se este indivíduo é mesmo professor. Negar o que o PT fez de bom a este país é negar ao povo o direito de ser feliz outra vez. Por isso cidadão, apoie quem você achar que deve apoiar, mas peço um pouco mais de respeito quando for falar do LULA, do PT e do HADDAD…

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Nilson Messias

13 de setembro de 2018 às 15h41

Um lenço, por favor, para o “intelectual” limpar a baba de ódio e ressentimento.

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Marcus Padilha

13 de setembro de 2018 às 14h57

O fessor cirista tá mais para urubólogo. Xô mal-olhado!

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Wagner Ortiz

13 de setembro de 2018 às 14h40

Ainda que eu tenha apreço pelo cabedal intelectual do professor, ele está se esquecendo do país em que está. O Brasil é um enigma da Esfinge, em que um dos poucos brasileiros que soube decifra-lo foi Lula. Não sei o que está acontecendo com o professor, mas, assim como PHA, me parece que estão torcendo contra o país e apoiando Ciro, que ora bate no prego, ora bate na ferradura.

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THE TERROR

13 de setembro de 2018 às 14h38

Chorem mais pois é #BOLSONARO2018 mesmo esquerdopatas de merda!!!

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    Miguel do Rosário

    13 de setembro de 2018 às 14h56

    kkkkk

    Responder

      Gabriel

      13 de setembro de 2018 às 15h28

      kkkkk

      To curioso, Miguel, o “kkkkkk” desativa bolsobots?

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        Aliança Nacional Libertadora

        13 de setembro de 2018 às 15h56

        Se fizer os comentários diminuem….e pode pegar um Cirobot sem querer…

        Responder

Ultra Mario

13 de setembro de 2018 às 14h30

10 anos depois, país em ruínas, e as pessoas ainda votando em “postes do Lula”… realmente a democracia é uma delícia mas tem seus custos.

E como custa caro… não aguento mais pagar esses impostos abusivos pra sustentar os banqueiros queridinhos do PT. “Partido do povo”…

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Alberto Jorge

13 de setembro de 2018 às 14h29

Quinta Coluna!

Deveria se apresentar como candidato!

Não me recordo da sua presença nos atos se rua Brasil afora em Defesa da Democracia e do direito de Lula ser candidato!

Responder

    Miguel do Rosário

    13 de setembro de 2018 às 15h26

    Quinta coluna é quem finge ser amiguinho para se infiltrar. O professor fala na lata o que pensa, não tem nada de quinta coluna. É um intelectual comprometido com suas próprias ideias.

    Responder

Alexandre Neres

13 de setembro de 2018 às 14h18

Mais do mesmo. Nessa altura do campeonato, expõe o desespero do professor, desvelando que serodiamente passou a ser um quinta-coluna. Como pode haver a união do campo progressista desse jeito? Se isso não significa paúra e golpe abaixo da linha da cintura, não sei o que é. O Miguel do Rosário se equivocou ao afirmar que o Ciro não iria pra cima do Haddad. Leiam o que o candidato do PDT afirmou hoje no Valor Econômico:

De Cristian Klein e Bruno Villas Bôas

Ciro Gomes (PDT) disse que não entraria em intriga, ao participar ontem, no Rio, da segunda sabatina com presidenciáveis, promovida por “O Globo”, Valor e Época. Mas partiram do ex-governador do Ceará ataques virulentos ao adversário “com punhozinho de renda” – “O [Fernando] Haddad não conhece o Brasil” -, à vice da chapa, Manuela D’Ávila (PCdoB) – criticada pela falta de experiência e maturidade -, ao padrinho da candidatura, o ex-presidente Lula, a quem vê isolado e “meio que cercado de puxa-sacos” – “Ele perdeu um pouco a percepção genial que tinha da realidade” – e ao partido que ameaça sua chegada ao segundo turno em outubro: “O PT só pensa em si”.

O ex-governador do Ceará afirmou que a petista foi incapaz de ter “um terço dos deputados para impedir um golpe contra o país no primeiro ano de [seu segundo] mandato”. “[Isso] revela. Que é o meu medo: de uma pessoa boa como o Haddad, como é? Chegou lá [à Presidência], vai encarar a turma [Congresso] e aí, com punhozinho de renda, da USP, da Maria Antonia?”, disse.

O presidenciável continuou a associação Dilma/Haddad: “A gente já viu esse filme. No auge da crise do impeachment, a Dilma nomeou Lula ministro. Eu quase morro de vergonha naquela ocasião. E agora Lula tá na cadeia. O que vai acontecer?”, perguntou, para logo desenhar uma cenário pessimista caso o PT volte ao Planalto. “Uma crise tremenda. Basta o PT voltar ao poder que essa crise vai se eternizar, porque basicamente PT e PSDB construíram isso. O espasmo mais doído e mais ameaçador é o Bolsonaro, que surgiu a partir daí”, disse.

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    Miguel do Rosário

    13 de setembro de 2018 às 14h23

    Pare de frescuras! Chamar de punhozinho de renda é “ataque virulento”? O desespero aqui é inteiramente seu. O professor está tranquilo, escrevendo o que ele pensa.

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      THE TERROR

      13 de setembro de 2018 às 14h40

      Para de choro viado pq tu é um merda mesmo profexosinho esquerdista lixo!

      Responder

        Miguel do Rosário

        13 de setembro de 2018 às 14h55

        kkkkkkkk

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          Aliança Nacional Libertadora

          13 de setembro de 2018 às 15h59

          Pra quem queria os dois como vice…..agora não prestam….é um Biruta…

          Responder

    Patrice L

    13 de setembro de 2018 às 16h10

    Eis, então, que temos de volta a contradição insanável que, de um lado, diz que o Ciro tá mais à esquerda que o PT e, de outro, afirma que um novo governo petista sofrerá a perseguição de sempre. No raciocínio enviesado, pra dizer o mínimo, o Ciro, mais à esquerda que o PT, será menos perseguido que o PT. A ideia é estapafúrdia e eu é que não caio em mais esse Canto da Cireia, como li na internet.

    Responder

bernardo

13 de setembro de 2018 às 13h53

seja qual for o presidente que ocupe o próximo ano, alguem aqui pode me informar como ele vai encontrar as contas, os recursos do país…..se vai poder gerir mesmo ? vai ter dinheiro a mão ?

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JOÃO BATISTA

13 de setembro de 2018 às 13h48

Mandou bem dessa vez, pofexô!

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