O depoimento de Lula à juíza Gabriela Hardt

O medo de Bolsonaro

Por Pedro Breier

17 de outubro de 2018 : 16h58

Depois dos dois primeiros debates do primeiro turno, aos quais Bolsonaro compareceu, o presidente do seu partido disse que não havia “planejamento de ir a nenhum debate” a partir daquele momento. A desculpa: “Nosso tempo é muito escasso. As viagens nossas são todas de avião de carreira e a equipe é muito pequena. Para nós, é melhor ter contato direto com o povo”.

Pouco tempo depois, Bolsonaro sofreu um atentado.

No segundo turno, ele continua não indo aos debates, seguindo recomendação médica. O candidato do PSL, entretanto, segue fazendo suas lives e já comparece a compromissos de campanha externos.

Uma nova avaliação médica será feita amanhã. Se os médicos liberarem, teremos debate, correto?

Não é bem assim.

Bolsonaro falou hoje que pode faltar aos debates, mesmo que seja liberado, “por estratégia”. “Vou debater com um poste, com um cara que é um pau mandado do Lula?”, disse ele.

Perceberam?

No primeiro turno, era o tempo escasso. Depois, orientações médicas (lógico que em um primeiro momento não se tratava de uma desculpa). Agora, é “estratégia” ou o papo de “não debater com um poste”.

Vocês sabem o que está por trás quando a pessoa inventa várias desculpas para fugir de algo ou alguém, não é? Chama-se medo.

Bolsonaro é tão tosco que sabe que só terá prejuízos se for ao debate.

Igualmente tosco é o fato de seus eleitores não se importarem em votar em um fujão para a presidência do país.

Um bom presidente tem que se mostrar preparado para o debate, para o contraditório, para o diálogo. O autoritarismo de Bolsonaro faz com que ele não saiba lidar com esse tipo de coisa.

Como ele vai fazer nas negociações com outros países, com organismos internacionais, com setores da sociedade civil? Gravar uma live falando groselhas e pronto? Estaremos bem arranjados…

Haddad intimou-o no Twitter : “Tuitar e fazer live é fácil, deputado. Vamos debater frente a frente, com educação, em uma enfermaria se precisar”. Bolsonaro respondeu com um “quem conversa com poste é bêbado”.

Não é com o Haddad que você vai conversar em um debate, Bolsonaro. É com o povo do país que você quer presidir.

De qualquer forma, é até previsível essa postura.

Não dá para esperar algo muito diferente disso de quem apoia ditadura militar.

Pedro Breier

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.

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11 comentários

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Roque

18 de outubro de 2018 às 10h41

Pedrinho, de novo chateado com a vovó por causa do todinho sem açúcar? Não vimos todo este seu discurso quando o condenado e a sua cria Dilmanta fugiram dos debates em 2006, 2010 e 2014. Haja óleo de peroba nesta sua cara de pau…

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Serg1o Se7e

18 de outubro de 2018 às 09h29

“Vocês sabem o que está por trás quando a pessoa inventa várias desculpas para fugir de algo ou alguém, não é? Chama-se medo.”

Caro “jornalista” que escreveu a frase acima, sabe o nome disso?
Mau caratismo.
Ou você agora, além de médico, é também coordenador da campanha do Bozo que tudo sabe, tudo vê?

Primeiro, não há obrigação legal para participar de debates. Vai quem quer.
Segundo, até meu cachorro sabe que o poste é um poste, que quem de fato está mandando na coisa toda é o presidiário de dentro da cadeia. Não há porque debater com quem não vai mandar nem fazer nada – se quer debater, que seja com o chefe. Ops! Mas ele não pode….
Terceiro, seu ídolo presidiário também faltou a debates e, até onde lembro, ninguém se opôs. Estava o corrupto preso com medo também?

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Nostradamus ( consultoria & bacia )

18 de outubro de 2018 às 08h07

O Haddad deveria ir ao nordeste e voltar só no domingo. Deixar a Manoela conhecer a Amazônia e o norte do país. Botar o Lula de volta na TV. Isso para virar o jogo. Avisem a Gleise que está falando que o PT subestimou o WhatsApp que é melhor ao vivo no meio do povão. Sigam as obras do São Francisco. Deixa a imprensa ir atrás. Chamar de nazistas eles acham graça e riem na nossa cara.

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Chauke Stephan Filho

17 de outubro de 2018 às 23h16

Haddad predispôs-se a debater com Bolsonaro até mesmo na UTI. Quanta gentileza do petista!

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Ricardo

17 de outubro de 2018 às 22h43

E Lula? Será que morreu? Ninguém mais fala nele !

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Ricardo

17 de outubro de 2018 às 22h32

Não nos esqueçamos que Lula e Dilma também fugiram de debates. Eram covardes também ou foi estratégia ?

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Heitor

17 de outubro de 2018 às 22h11

É sério isso? Bolsonaro destrói o poste fácil! Tem munição de sobra… Kit gay, soltar criminosos, visita íntima com presidiário, o lance da igreja, Cid Gomes, Etc….Nosso Presidente tem que ficar em casa mesmo, pois, nesse caminho pro debate, pode acontecer algum “acidente” aí já viu né. Fora que estaria indo chutar cachorro morto. BOLSONARO 17!

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Paulo

17 de outubro de 2018 às 21h31

Em termos de estratégia, até acho que não deveria comparecer, mesmo. A eleição está ganha e ele só tem a perder. Mas, como ex-Capitão do Exército e candidato ao mais alto posto da República, não deveria fugir do pau e deixar de esclarecer o povo brasileiro a respeito de suas propostas e do antagonismo que marca as duas candidaturas …

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carlos

17 de outubro de 2018 às 20h59

eu fico imaginando o que realmente vai acontecer no debate: Haddad parte pra cima repetindo os cliches que nao colam no eleitorado bolsonarista: racista/homofobico/bla bla bla. Ai o Bolsonaro vai repetir os cliches que nao colam no eleitorado petista: corrupto, ladráo, poste/ bla bla bla.

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Justiceiro

17 de outubro de 2018 às 18h49

Do jeito que Addad é fraco, amarelão, frouxo, Bolsonaro vai é lhe dar uma surra se for ao debate.

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    Ricardo

    17 de outubro de 2018 às 22h31

    Verdade, mas acho que Bolsonaro não deve dar cartaz, indo a debate, ao poste de Lula !

    Responder

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