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Alexandre Meneghini/AP

De 2003 até 2018, Brasil acumula saldo positivo de R$ 155 bilhões com Venezuela

Por Miguel do Rosário

17 de dezembro de 2018 : 13h17

Hoje passou na minha Linha do Tempo do twitter uma mensagem do Antagonista sobre a mais recente decisão do governo Bolsonaro, de “desconvidar” os “ditadores” da Venezuela e Cuba à posse do novo presidente. O post é uma crítica lacônica à Veja, que chamou o gesto de Bolsonaro de “deselegante”.

O Antagonista conclui que “espera que ele [Bolsonaro] cometa outro gesto deselegante e boicote o comércio com esses dois países.”

Eu fui ao site da Secretaria de Comércio Exterior, e levantei o comércio entre Brasil e Venezuela de 2003 a 2018, e, para efeito de comparação, também levantei o comércio entre Brasil e EUA.

Descobri, então, que no acumulado de 16 anos de 2003 a 2018, o Brasil obteve um saldo positivo com a Venezuela de quase 40 bilhões de dólares, ou 155 bilhões de reais.

No mesmo período, o saldo comercial do Brasil com os Estados Unidos ficou negativo em 2,7 bilhões de dólares, ou quase 11 bilhões de reais.

Nem preciso lembrar, aos gênios do Antagonista, que Arábia Saudita e China também não são exatamente modelos padrão de democracia ocidental, e ninguém pensa em cobrar do governo brasileiro que corte relações comerciais com esses países.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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euclides de oliveira pinto neto

15 de janeiro de 2019 às 19h11

O Brasil têm um considerável superavit nas relações comerciais com a Venezuela, que podem ser incrementadas ainda mais. São 330 bilhões de barris de petróleo – as maiores reservas do mundo, motivo da guerra economica-midiática contra o nosso vizinho sul-americano, que nacionalizou as reservas venezuelanas após a revolução bolivariana de 1998, afastando a Shell e a Exxon do país. Sem estas reservas, as multinacionais brevemente serão obrigadas a encerrar suas atividades, porque as reservas que dispõem estão em fase final de exploração. Irão contar somente com as reservas do pré-sal brasileiro, calculadas em torno de 176 milhões de barris de petróleo, que estão sendo entregues pelos governos golpistas a preços ridículos, caracterizando o maior saqueio já praticado contra o Brasil, com a conivência e apoio ostensivo dos nossos militares “nacionalistas”…

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Guimarães Roberto

19 de dezembro de 2018 às 04h42

É um erro acreditar que essa medida (desconvidar) é decisão do Coiso, não é. É ordem vinda dos Isteites, pois são eles é que mandam por aqui agora. Outra coisa, parece que a intervenção em Roraima serviu para colocar soldados brasileiros na fronteira com a Venezuela. Devem estar aguardando ordens da matriz sobre uma possível invasão ao país vizinho. E os bolsonaristas continuam achando que o motivo não é o petróleo. Acordem, acéfalos.

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Gustavo

18 de dezembro de 2018 às 21h33

Ideais democráticos as vezes são convenientemente utilizados quando se convém (Estados Unidos detona a Venezuela mas um dia desses estava ali na Coreia do Norte). Bolsonaro parece ir na mesma hipócrita linha ou ainda pior, ou seja, criando confusões desnecessárias que vão afetar o comércio exterior.

A bandeira da negação do viés ideológico parece muito mais uma adoção de viés ideológico (só que anti-esquerda). Mais médicos, Mercosul, Capital de Israel, acordo de Paris, etc pra um governo que sequer entrou. É uma coleção de trabalhadas que certa ou erradas foram conduzidas com uma brutal falta de diplomacia. Torço para não entrarmos na guerra comercial de China e Estados Unidos.

Especificamente sobre o artigo, acho que valem algumas ponderações, pois, os números que se apresentam estão com uma leve distorção.

Considerando as referidas fontes, é inegável que foram negociados 40 bilhões de dólares todavia é incorreto afirmar que isso correspondeu a 155 bilhões de reais. Em boa parte do período a cotação do dólar estava bem inferior ao patamar atual (em 2010 chegou a 1,77 por exemplo). Mesmo se aplicando a inflação não chegaríamos a esse montante (que curiosamente chega próximo do déficit da dívida).

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