Randolfe Rodrigues no Jornal da Gazeta

Candidato a presidente da República Ciro Gomes (PDT) votou na Secretaria Estadual de Saúde. (Foto: Letícia Lima – do Diário do Nordeste)

Ciro critica proposta de previdência de Bolsonaro e “lei anticrime” de Moro

Por Redação

06 de fevereiro de 2019 : 12h02

No Diário do Nordeste

Ciro Gomes critica proposta de Reforma da Previdência do Governo Federal

19:00 / 05 de Fevereiro de 2019 ATUALIZADO ÀS 19:35

O ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) se manifestou nesta terça-feira (5) contra a proposta do Governo Federal em fixar a idade mínima para aposentadoria em 65 anos, tanto para homens, quanto para mulheres.

“Isso é um estilo do Bolsonaro. Essa proposta que vazou para o jornal, como se fosse um acidente, não é uma proposta. Ele está fazendo aquele ‘se colar, colou’, está jogando a proposta com casca e tudo, muito pior, para ter o que negociar. A nossa proposta em relação à idade é diferente. Nós queremos fazer com que a idade evolua assim. Na medida em que a expectativa de vida oficialmente anunciada pelo IBGE aumenta, automaticamente aumenta a cada ano três ou quatro meses a idade mínima para a aposentadoria”, colocou.

O comentário foi feito na posse do deputado estadual Zezinho Albuquerque como titular da Secretaria das Cidades, realizada nesta terça-feira (5), na sala de reuniões do Palácio da Abolição, em Fortaleza.

Ciro criticou também a tentativa de estipular o direito à previdência somente após 40 anos de contribuição. “Nós também não concordamos que determinadas profissões tenham que contribuir o mesmo tempo das outras, porque são profissões atípicas. Por exemplo, um professor não tem como dar 40 anos de aula para merecer o provento integral. Um policial não tem como correr atrás de bandido por 40 anos para ter direito a provento especial”, disse.

Outra proposta

“Nós temos um projeto que procura resolver o problema da Previdência, porém respeitando as diferenças do Brasil, que é um país muito desigual. Por exemplo, nosso projeto não aceita que se imponha ao trabalhador rural a mesma idade mínima que se dá ao trabalhador engravatado do ar-condicionado. Não é que um não seja tão respeitável quanto o outro, é que a vida do campo, especialmente no sertão, no interior da Amazônia, no Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, é uma vida que muito precocemente envelhece o nosso povo”, afirmou.

A plataforma para mulheres também deve ser diferenciada, conforme opina o político. “As mulheres no Brasil jogam uma dupla jornada de trabalho. Por mais que a gente esteja modernizando a nossa sociedade, ainda é fato que a mulher ganha 70% do salário que o homem ganha, pelo mesmo trabalho, e ainda é fato que ela joga uma dupla jornada, tomando conta de casa, tomando conta dos filhos, ainda que isso não seja justo e esteja mudando. Portanto a previdência também tem que entender isso. São determinadas coisas que a gente considera que têm que ser levadas em conta. Se forem levadas em conta, a gente continuará colaborando. Se, entretanto, esses valores, do compromisso que nós temos com os mais pobres, forem abandonados, nós também iremos ficar contra a proposta”.

Lei Anticrime

Ciro Gomes também aproveitou para criticar a Lei Anticrime, apresentada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, na última segunda-feira (4). A proposta traz medidas para o combate de crimes contra corrupção, crime organizado e crime violento e deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional nos próximos dias.

“É bobagem. Mal pensada, mal estudada. Não vai ao ponto. O grande problema do Brasil é que hoje nós temos 760 mil pessoas presas, em presídios que têm capacidade de reter 350 mil. Ou seja, nós temos dois presos para cada vaga. E quando a gente vai olhar, quase 70% disso são jovens presos com minúsculas quantidades de droga, para a polícia e para o Judiciário fazerem de conta que estão enfrentando, enquanto o verdadeiro banditismo, responsável pela violência, charla por aí afora morando nos bairros ricos, e não nas favelas. O Brasil precisa considerar isso se quiser fazer de fato uma reforma”, avalia.

Atualização Cafezinho: o economista e deputado Mauro Benevides (PDT-CE), responsável pelo programa econômico de Ciro, ex-secretário da Fazenda em governos do Ceará e especialista em previdência pública, fez seu primeiro pronunciamento na Câmara com críticas ao texto preliminar da reforma da previdência divulgado pela imprensa.

Mauro Benevides faz alerta sobre proposta da Reforma da Previdência

Deputado Mauro Benevides (PDT-CE) faz alerta sobre o texto da Reforma da Previdência, divulgado pela imprensa, e adimite ter ficado surpreso com o conteúdo da proposta. Segundo o pedetista, a proposta é um perigo para o sistema previdenciário brasileiro por eliminar definitivamente o regime de repartição.

Posted by PDT na Câmara on Tuesday, February 5, 2019

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11 comentários

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Paulo

07 de fevereiro de 2019 às 19h15

Os dados dos servidores públicos estão contidos no Portal da Transparência, mantido pelo Governo Federal. Ademais, a CPI do Senado, concluída em final de 2017, chegou à conclusão de que inexistia déficit na Previdência, como um todo. O que há é fraude, inoperância da fiscalização e dos órgãos de cobrança judicial e manipulação de dados. É claro que todo regime de previdência precisa ser ajustado, de tempos e tempos. Mas não estou seguro de que esse tempo é chegado, ainda mais nos termos propostos. E previdência complementar é boa para instituições financeiras. Precisamos manter o regime de repartição público e solúvel, como garantia de aposentadoria dos brasileiros! Já tivemos experiências desastrosas nesse ponto, no passado remoto e recente. Vaja o exemplo do Chile!

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    Llima

    08 de fevereiro de 2019 às 17h36

    Nenhum país com finanças medianamente equilibradas tem esse sistema. Pode até não haver deficit nominal hoje, o que é discutível. Mas é inegável que a previdência suga um número gigante de recursos de contribuições e tributos que poderiam ir pra outros fins. NO mais, Chile não é o modelo que Ciro propõe. Lá apenas o trabalhador contribui. A proposta é um sistema misto e na faixa de capitalização haveria contribuições do governo, trabalhador e de tributos.

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Marcos Videira

07 de fevereiro de 2019 às 12h02

Ciro está corretíssimo. O Governo Militar deve ser combatido pelas situações concretas. Esperar o governo apresentar as propostas de mudança para ter uma oposição racional – que é tudo o que o governo militar não deseja.
E apontar para os que serão beneficiados e os que serão prejudicados, como Ciro fez nos dois casos. É preciso Educação Política para nosso povo.

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José Campos

06 de fevereiro de 2019 às 20h58

Esse Zé ruela é do só pra contrariar. Um zero a esquerda.

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Renato

06 de fevereiro de 2019 às 12h44

“Um policial não tem como correr atrás de bandido por 40 anos para ter direito a provento especial”, Até parece que todo policial corre atrás de bandido !

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    carlos

    06 de fevereiro de 2019 às 16h37

    O Renato ou é um ET de outro planeta, ou então tem procurar uma lavagem de roupa, qual é o estado do Brasil que não é feudo? Ou Oligarquia? Com relação ao moro a lei criada por ele é simplesmente para proteger o seu padrinho bolsonaro e sua trup, quem pensa o contrário é ser a favor de milícia e organização para militar.

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Renato

06 de fevereiro de 2019 às 12h42

Bem, o coronel do Ceará não é a pessoa mais indicada para criticar qualquer coisa que vise a combater a criminalidade, né. É só dar uma olhadinha na situação em que se encontra o feudo de sua família, o Ceará. Quanto à previdência, vai uma sugestão ; que , não só o Ceará , mas todo o nordeste passe a gerenciar e arcar com a previdência social de seus cidadãos. Será que ele topa ??

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Zé Maconha

06 de fevereiro de 2019 às 12h31

Apesar da minha decepção com Ciro nos dois casos em questão ele está corretíssimo.
Ciro é um homem inteligente , pena que coloca seu desejo de poder acima dos interesses do povo.
Mas o verdadeiro crime de Ciro e do PDT é falar em oposição racional à um governo de milicianos criminosos , como se Bolsonaro fosse um presidente legítimo.
Na Europa ou nos EUA qualquer candidato que defendesse publicamente a tortura , as milícias e falasse em matar opositores seria impugnado e depois preso.

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    Luciana

    06 de fevereiro de 2019 às 22h40

    Ele não tem “desejo de poder”, tem “desejo de ser presidente”, como Lula tinha e por isso tentou 4 vezes …isso é crime?? Sobre Bolsonaro, se a justiça brasileira fosse decente, sim, ele jamais poderia ser candidato …mas sabemos que a justiça brasileira de decente não tem nada, então para todos os efeitos ele vai governar como um presidente legítimo. Então só temos duas opções, ou fazemos a revolução, ou teremos que dar um jeito de sair dessa vivos e com chances de restabelecer alguma normalidade nesse país …

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      Tiago Tavares e Silva

      07 de fevereiro de 2019 às 10h43

      Verdade, Luciana!

      Responder

      CARPOA

      07 de fevereiro de 2019 às 17h43

      E CONTRA QUEM VC FARÍA A “REVOLUÇÃO” ??JÁ IDENTIFICOU QUEM SÃO OS REAIS OPOSITORES AO DESEJO DO BRASIL DE SER UM —–PAÍS——?????

      Responder

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