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O anuário de energia 2019 da BP

Por Redação

09 de agosto de 2019 : 20h31

A British Petroleum, que faz parte do seleto grupo das maiores corporações privadas de petróleo do mundo, lançou a edição de 2019 de seu Anuário de Energia. Você pode baixá-lo aqui.

Eu reproduzo abaixo algumas tabelas e gráficos e comento-as a seguir.

 

Primeiros comentários:

  • As reservas mundiais aumentaram bastante nos últimos 10 anos, contrariando algumas previsões de que o petróleo iria “acabar”.
  • As reservas mundiais atingiram 1,73 trilhão de barris em 2018.
  • 17% das reservas mundiais estão na Venezuela, que sozinha tem reservas provadas de 303 bilhões de barris.
  • Entretanto, a produção da Venezuela caiu quase 30% em 2018, para apenas 1,5 milhão de barris por dia, ou 1,6% da produção mundial.
  • Os EUA se tornaram o maior produtor mundial. Segundo o relatório da BP, o país produziu, em 2018, um total de 15,3 milhões de barris por dia, ou 16% da produção mundial, com um crescimento de 17% em 2018.
  • A Arábia Saudita veio em segundo, com produção diária de 12,2 milhões de barris no ano passado.
  • A Rússia, em terceiro lugar no ranking global, produziu 11,4 milhões de barris por dia em 2018.
  • As reservas de petróleo do Brasil provadas não são tão relevantes assim: apenas 13,4 bilhões de barris; para efeito de comparação, os EUA tem hoje mais de 60 bilhões de barris de reserva, e o Canadá, 168 bilhões de barris.
  • Esse aumento das reservas provadas nos EUA é bem recente, aconteceu entre 2008 e 2017, quando passam de menos de 30 bilhões de barris para 61 bilhões; o aumento das reservas do Canadá se dá entre 1998 e 2008.
  • A China tem 26 bilhões de barris de reserva e produziu, em 2018, um total de 3,8 milhões de barris por dia.
  • Em relação ao gás natural (tabela abaixo), os EUA lideram de maneira absoluta: eles respondem por 48% da oferta global, ou 4,3 milhões de barris por dia. O Brasil produz apenas 96 mil barris por dia.
  • Arábia Saudita, em segundo no ranking, produz 1,7 milhão de barris de gás natural por dia; é seguida por Irã (559 mil), Noruega (329 mil), e Rússia, com 237 mil/dia.

Agora vamos olhar para a demanda.

  • O maior consumidor mundial de petróleo são os Estados Unidos, que sozinhos consumiram mais de 20% da demanda global em 2018, ou 20,5 milhões de barris por dia; o segundo lugar pertence à China, queimando 13,5 milhões de barris por dia no ano passado.
  • Em seguida, vem a Índia, consumindo 5 milhões de barris diariamente, e o Brasil, cuja demanda subiu para 3,0 milhões de barris em 2018.
  • Tinha esquecido o Japão, que está em terceiro lugar, consumindo um pouco mais que o Brasil: 3,8 milhões de barris ao dia.

  • O gráfico abaixo refere-se à utilização das capacidades instaladas das refinarias de petróleo, em diferentes regiões do mundo. A linha verde escura mostra a queda acelerada, intensa, da utilização de sua própria capacidade de refino na América do Sul e Central (em especial Brasil, maior país da região). Repare como todas as regiões, com exceção da África, estão elevando a utilização de sua capacidade instalada.

  • A tabela acima, referente à produção mundial de derivados de petróleo, é um retrato do imperialismo moderno.
  • Os EUA refinam, por dia, 17 milhões de barris, ou 20% da produção mundial.
  • O Brasil refina apenas 1,7 milhão de barris por dia, exatamente um décimo da produção estadunidense.
  • A Rússia refina quase 6 milhões de barris por dia; a China já está produzindo 12,4 milhões de barris em derivados, por dia.
  • Na tabela abaixo, veremos o fluxo comercial das principais regiões e países do mundo. A Europa é o maior importador do mundo, comprando 15 milhões de barris por dia em 2018, ou 21% de todas as compras globais.
  • Em segundo lugar, vem a China, importando 11 milhões de barris por dia em 2018, e os EUA, em terceiro, comprando 9,9 milhões de barris por dia.
  • Os EUA, porém, também se tornaram grandes exportadores, assumindo o terceiro lugar no ranking global, atrás apenas da Arábica Saudita, que exportou 16 milhões de barris por dia em 2018, e da Rússia, que exportou 9,1 milhões de barris no mesmo ano.

  • A tabela seguinte ainda é sempre comércio, porém mostrando a relação fornecedor – comprador. Eu fiz algumas marcas na tabela, para vocês prestarem bastante atenção.
  • A metade de cima é sobre petróleo cru, a de baixo, sobre derivados. Os EUA são, de longe, o maior exportador de derivados do mundo; em 2018, exportou 252 milhões de barris diários; desse total, 80,7 milhões de barris se destinaram à América do Sul/Central.
  • A Rússia vende a maior parte de seus derivados à Europa.

  • Por fim vamos olhar as tabelas que tratam, primeiro, do tipo de matriz energética de cada país; e, em seguida, dos percentuais de participação dos diferentes combustíveis na geração de eletricidade.
  • É impressionante a importância, ainda, de mecanismos de hidroenergia, para a geração de energia elétrica no Brasil. Perdemos apenas para a China em volume total de energia elétrica.

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