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Tensão comercial entre EUA e China abala produção industrial no mundo

Por Redação

04 de outubro de 2019 : 18h44

No IEDI

Carta Iedi Ed.950

A indústria de transformação mundial no segundo trimestre de 2019

O relatório para o 2º trimestre de 2019 da indústria manufatureira mundial da UNIDO (United Nations Industrial Development Organization), divulgado em setembro último, reitera a trajetória de desaceleração do crescimento da produção industrial no presente ano. De acordo com o documento, as tensões comerciais entre Estados Unidos e China e entre Estados Unidos e União Europeia são os principais responsáveis por essa diminuição do ritmo de produção em 2019. Cabe destacar que os produtos manufaturados representam cerca de 80% da pauta exportadora de EUA e China.

De acordo com o relatório da UNIDO, a variação do valor agregado da indústria será de 2,7%, frente ao resultado de 3,2% de 2018. Ainda sobre as projeções para a indústria manufatureira em 2019, estima-se que a indústria americana vai atingir um aumento do valor agregado de 1,9% em 2019, taxa bastante inferior à de 2018 (3,0%). Espera-se que a indústria da China, por sua vez, apesar de mostrar um desempenho dinâmico, observe um crescimento de 5,6%, enquanto que no ano anterior a variação foi de 6,1%.

No segundo trimestre de 2019, houve nova desaceleração do crescimento industrial, retomando o movimento iniciado ainda em 2018. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a produção da indústria de transformação cresceu 1,7%, vis-à-vis uma variação de 2,2% do trimestre anterior na mesma comparação. Frente ao 1º trim/19, já descontados os efeitos sazonais, a variação foi de apenas 0,2%, isto é, houve uma virtual estagnação na produção.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, as economias industrializadas registraram queda da produção manufatureira (-0,4%), após 14 trimestres consecutivas de variações positivas, embora cadentes nos últimos meses. Cabe destacar que no trimestre anterior o crescimento da indústria foi de 0,4%.

A China registrou crescimento de 5,8% da produção de manufaturas no segundo trimestre de 2019 frente a igual período do ano anterior, a primeira variação abaixo de 6,0% desde que a UNIDO divulga as informações da produção industrial trimestral chinesa.

Nas economias em desenvolvimento e emergentes, excluindo a China, o segundo trimestre de 2019 indicou uma leve tendência de estabilidade a taxas baixas, após a abrupta queda no último trimestre de 2018. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a indústria de transformação desses países cresceu 1,0% e no trimestre anterior a variação havia sido de 0,9%.

Resultados por grupos de países

Economias industrializadas. O recuo da indústria de transformação desse grupo de países se deveu, essencialmente, às variações negativas nas economias industrializadas da Europa e do Leste Asiático, que assinalaram, respectivamente, decréscimo de 0,8% e 1,3% no segundo trimestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado.

Na América do Norte, a taxa de crescimento da produção manufatureira foi baixa (0,5%), puxada pela desaceleração da indústria dos Estados Unidos, que assinalou um crescimento modesto de 0,4%, frente ao resultado de +1,6% no trimestre imediatamente anterior. Esse resultado, como aponta o relatório, deve-se em parte ao enfraquecimento do estímulo fiscal.

Na Europa, o relatório cita mais uma vez o clima de incerteza em relação à data de saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) como destacado fator que levou a um resultado de baixo crescimento na produção industrial. No segundo trimestre de 2019, a produção de manufaturas registrou queda em duas grandes economias do bloco, puxadas pelo desempenho negativo do setor automobilístico: Alemanha (-5,0%) e Itália (-1,5%). França e Espanha, por sua vez, registraram alta na produção industrial de 1,0% e 1,4%, respectivamente. Fora da zona do Euro, os destaques positivos foram: Dinamarca (7,4%), Hungria (5,3%) e Suécia (1,7%). O Reino Unido assinalou queda de 1,0%.

As economias desenvolvidas do Leste Asiático assinalaram contração da atividade manufatureira de 1,3%, que atingiu os países do bloco de forma generalizada. A produção da indústria de transformação do Japão obteve variação negativa de 1,2% no segundo trimestre de 2019, relativamente a igual trimestre de 2018. Outros países do grupo também apontaram queda, com destaque para Cingapura (-3,1%), Coréia (-2,6%) e Taiwan (-0,6%). Malásia (4,1%) e Hong Kong (0,9%), por sua vez, conseguiram resistir à tendência de queda da produção na região.

Economias em desenvolvimento e emergentes. No primeiro trimestre de 2019, indústria de transformação chinesa registrou a menor taxa de crescimento trimestral desde 2006, atingindo variação de 5,8%, que ocorreu após um bom resultado no primeiro trimestre do ano (+6,6%). Esta piora na produção industrial está ligada a uma conjuntura de falta de evidências sobre uma resolução rápida na disputa comercial com os Estados Unidos.

Pressões comerciais intensificadas desde maio de 2019 podem levar empresas instaladas na China a transferir capacidade produtiva para países vizinhos. Os setores que apresentaram melhor desempenho foram: metais básicos (11,5%) e eletrônicos e computadores (10,5%), enquanto o crescimento de máquinas, outra indústria importante na manufatura chinesa, desacelerou para 3,7% após um crescimento de 8,7% no primeiro trimestre de 2019.

Nas demais economias em desenvolvimento da Ásia, o crescimento interanual da produção de manufaturas foi de 2,0% no segundo trimestre de 2019, apresentando desaceleração, visto que no trimestre anterior a variação havia sido de 2,5%. Os destaques positivos nessa região foram a indústria de transformação da Índia (2,9%), Indonésia (3,8%) e do Vietnã (6,8%), enquanto que Jordânia (-2,4%), Tailândia (-2,5%), Paquistão (-5,7%) e Filipinas (-8,2%) enfrentaram quedas na produção.

Na América Latina, a indústria de transformação registrou variação de +0,4% no segundo trimestre de 2019 frente ao mesmo período de 2018, após dois resultados negativos consecutivos. As duas maiores economias da região, Brasil e México, contribuíram substancialmente para esse resultado, registrando variações positivas de 2,4% e 1,4%, respectivamente.

Finalmente, as economias emergentes da África apontaram crescimento significativo de 2,0% da produção de manufaturas no segundo trimestre de 2019, após uma variação de 1,1% no trimestre imediatamente anterior. Esse resultado ocorreu devido principalmente ao desempenho da indústria de transformação da África do Sul (0,9%) e Egito (2,2%).

A indústria de transformação das economias em desenvolvimento do Leste Europeu recuou 0,7% no período de abril a junho de 2019 frente a igual período de 2018. Os destaques positivos foram a indústria manufatureira da Polônia (4,6%) e da Grécia (2,6%), enquanto a produção na Romênia e na Turquia apresentaram contração de 2,6% e 3,5%, respectivamente.

Análise setorial

Analisando-se os grupos de intensidade tecnológica, o relatório da UNIDO mostra que as indústrias de média-alta e alta tecnologia lideraram o crescimento da indústria de transformação na primeira metade de 2018, mas desde então, essa categoria de produtos tem registrado uma forte desaceleração. No segundo trimestre de 2019 frente ao mesmo período de 2018, esse grupo assinalou alta de 1,5%, após crescimento de 5,5% no primeiro trimestre do ano.

De acordo com o relatório da UNIDO, as mudanças estruturais nas indústrias de alta tecnologia são evidentes e terão um papel fundamental na promoção da inovação no longo prazo. O investimento em novas tecnologias sustentáveis continua a representar um componente importante na geração da inovação que está moldando o futuro da fabricação, tanto em países avançados quanto em economias emergentes.

As indústrias de média intensidade tecnológica, por sua vez, registraram relativa estabilidade no primeiro trimestre de 2019 (2,9%, relativamente a abril-junho de 2018) devido principalmente ao crescimento da produção de metais básicos aço na China, assim como a produção de aço no Japão.

Entre outras atividades, destacaram-se no segundo trimestre de 2019 a produção de indústria de vestuário (2,4%). Também chamaram atenção positivamente os ramos de produtos farmacêuticos básicos (3,6%), computadores, eletrônicos e produtos ópticos (4,3%) e de produtos alimentícios (1,9%). A última atividade teve grande expansão na China, bem como nos países industrializados. Produtos de papel (-0,9%), produtos de madeira (-0,8%) e coque e produtos refinados do petróleo (-1,1%) registraram as variações negativas frente ao mesmo trimestre de 2018.

Ranking Indústria Mundial

A partir dos dados coletados pela OCDE, Eurostat e pelo National Bureau of Statistics of China, o IEDI elaborou um ranking internacional de crescimento da indústria geral com 43 países para o acumulado de 2019. Para que o tamanho da amostra fosse o maior possível, optou-se por trabalhar apenas com as séries com ajuste sazonal, ainda que as comparações utilizadas sejam frente ao mesmo período do ano anterior. Usualmente, o IBGE calcula as comparações interanuais a partir das séries sem ajuste.

Cabe observar também que, em função da celeridade na divulgação dos dados da indústria pelos institutos de pesquisa estatística de cada país, o cômputo do resultado acumulado em 2019 para alguns casos considera um período menor, como janeiro-junho, enquanto que para a maioria dos países, como o Brasil, o período de referência é janeiro-julho. À medida que o ano avança, menos influência esse aspecto exerce sobre o ranking.

O resultado da produção industrial do Brasil no período janeiro-julho/19 foi negativo, chegando a -1,7%, depois de ter atingido +2,5% em igual acumulado no ano passado e +1,1% no acumulado dos doze meses de 2018.

O desempenho mais fraco da indústria brasileira em 2019 colocou o Brasil na 36ª colocação entre os países da amostra escolhidos pelo IEDI. Com isso o país voltou a integrar o grupo dos piores colocados no ranking internacional da indústria.

Apesar de negativo, a indústria brasileira registrou desempenho superior a diversos países como Coréia do Sul (-1,8%), Portugal (-3,1%), Alemanha (-3,9%) e Turquia (-4,8%). Dentre aqueles que tiveram desempenho superior ao Brasil destacam-se: China (+5,8%), EUA (+1,8%), África do Sul (+1,5%), Canadá (+1,2%), França (+0,9%) e Espanha (+0,8%).

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