Ato público pela valorização do serviço público

Desindustrialização: Brasil não cria vagas com rendimento acima de 2 salários há 14 anos

Por Redação

26 de janeiro de 2020 : 13h53

Uma reportagem publicada hoje no Globo traz uma revelação impressionante sobre o mercado de trabalho no Brasil: há 14 anos não são criadas vagas com rendimento acima de 2 salários. A conclusão dos especialistas consultados pelo Globo é que esse é um resultado da desindustrialização. 

Isso explica muita coisa sobre os sonhos frustrados que desaguaram em junho de 2013, na campanha pelo impeachment e, por fim, na eleição de Bolsonaro. 

Essa é a autocrítica principal que a esquerda deveria fazer. 

Não foram apenas fake news que levaram à vitória de Bolsonaro, foi um acúmulo de desesperança. Para o qual, infelizmente, o novo governo não oferece nenhum alívio, visto que suas escolhas até o momento estão apenas agravando o quadro de primarização da economia.

Apesar dos “índices de confiança” da CNI e do otimismo fisiológico da Fiesp, a produção industrial brasileira caiu em 2019, e perdeu ainda mais participação no PIB, e não há nenhum sinal convincente de que estará melhor este ano.

***

Trechos e gráficos da matéria:

“O Brasil não cria vagas com rendimento acima de dois salários mínimos há 14 anos. Levantamento feito pelo GLOBO com base nos microdados do Caged, o registro de vagas com carteira assinada do governo, mostra que a partir de 2006 não houve saldo positivo nas contratações para qualquer faixa de renda com remuneração superior a duas vezes o piso nacional.

Incluindo os dados de 2019, divulgados na última sexta-feira, o país extinguiu 6,7 milhões de empregos com renda mais alta desde 2006.

Ao longo do tempo, o mercado de trabalho passou a trocar vagas de maior qualidade por postos de menor rendimento. Foram criados 19,2 milhões de postos de trabalho desde 2006, porém, todos com renda de até 2 salários mínimos.

Considerando o saldo entre vagas fechadas e geradas, o mercado absorveu 12,5 milhões de trabalhadores. O resultado é uma economia que vem se tornando cada vez mais de baixos salários, indiferente até mesmo aos momentos de grande dinamismo, entre 2010 e 2013.

Especialistas avaliam que o quadro é estrutural. Parte do fenômeno pode ser explicado pelo modelo de crescimento econômico das últimas décadas, baseado no consumo das famílias e com baixas taxas de investimento.”

(…)
Para José Pastore, sociólogo especialista em relações do trabalho e emprego, a melhora do mercado brasileiro só acontecerá com a retomada do protagonismo do setor industrial e da construção, responsáveis por empregar profissionais mais qualificados e com melhores salários. Entre 2005 e 2018, a participação da indústria perdeu cerca de 8 pontos percentuais em tudo o que é produzido no país, o PIB.

(…)

 

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7 comentários

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Paulo

26 de janeiro de 2020 às 21h19

É um dado mais preocupante, talvez, do que o próprio desemprego. A economia brasileira está estagnada há mais de uma década. O “boom” das commodities foi só um sonho de uma noite de verão…Parece que nos encaminhamos, cada vez mais, para uma sociedade de ricos e pobres, sem classe média. O próprio Governo Bolsonaro conspira contra a classe média, quer no próprio serviço público (onde os servidores são espezinhados e chamados de privilegiados pelo próprio ministro da Economia, que cogita a todo tempo de uma nova tunga nos vencimentos das diferentes categorias), quer na sociedade em geral, onde se ameaça essa classe progressivamente com novos impostos e até com redução de deduções do IR…

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    Andressa

    27 de janeiro de 2020 às 11h46

    E desde quando existe a classe media no Brasil…?

    Responder

      Paulo

      27 de janeiro de 2020 às 20h27

      Desde o Brasil colônia (embora incipiente). Eu, mesmo, sou atualmente um típico representante dela…

      Responder

Alan C

26 de janeiro de 2020 às 16h32

Matéria estranha, no setor de óleo e gás, por exemplo, foram criados muitos postos de trabalho desde 2006 com o descobrimento do pré-sal, e muitos, talvez a maioria, acima de dois salários.

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Psilocibes Cubensis

26 de janeiro de 2020 às 16h26

Miguel , Miguel , olha a meia verdade.
O salário mínimo subiu bastante.
Minha mãe ganhava sete salários quando entrou na prefeitura de SBC , só que o mínimo era cem reais.
Se aposentou ganhando três salários , de mil reais.
Claro , tem a inflação , mas ainda assim 700 reais em 1997 são menos do que 3 mil reais em 2020.
Podemos ainda considerar que o emprego nessa faixa ficou estável , mesmo com grande aumento do mínimo e também que cresceu no primeiro mandato de Lula , novamente mesmo com o aumento do mínimo.
Dê mais crédito aos seus leitores , fingir que o mínimo não subiu não dá.
Ou você prefere dez salários de cem a dois de mil?

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Andressa

26 de janeiro de 2020 às 16h18

Recebem a diferença por fora para que quem emprega pague menos encargos.

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