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Juros e spreads astronômicos no Brasil sustentam faturamento global do Santander

Por Redação

29 de janeiro de 2020 : 11h52

Separei textos, tabelas e gráficos sobre os resultados financeiros do Santander no quarto trimestre de 2019, divulgados hoje.

Um fato interessante é que o banco espanhol teve um desempenho global ruim: seu lucro líquido no mundo caiu 17% em 2019, totalizando $ 6,5 bilhões de euros.

Não é um prejuízo, é bom ressaltar: é um lucro de $ 6,5 bilhões de euros.

Pois bem, no Brasil, terra prometida, a realidade foi outra. Em 2019, o Santander registrou lucro líquido de R$ 14,18 bilhões, alta de… 17% sobre o ano anterior.

Os lucros astronômicos obtidos no Brasil, país onde os bancos cobram os maiores spreads do planeta, estão sustentando as contas internacionais do Santander.

Não é correto, todavia, afirmar que os bancos “não pagam impostos”. No resultado do Santander, há o item “despesas tributárias”. Em 2019, o Santander pagou R$ 4,57 bilhões em impostos, alta de 20% sobre o ano anterior, o que está mais ou menos em linha com o aumento do lucro líquido da empresa.

Entretanto, quando se analisa a relação das despesas tributárias com o faturamento bruto e o lucro líquido do Santander, constata-se que as contribuições fiscais da empresa vem caindo expressivamente nos últimos anos, especialmente a partir de 2016.

Abaixo, os gráficos:

***

Infomoney — O Santander Brasil teve lucro líquido de R$ 3,748 bilhões no quarto trimestre deste ano, alta de 3,9% frente aos três meses anteriores, quando o ganho havia ficado em R$ 3,608 bilhões. Já o lucro gerencial, que exclui fatores extraordinários, ficou em R$ 3,726 bilhões nos últimos três meses do ano passado, enquanto o lucro societário foi de R$ 4,75 bilhões no período.

No acumulado de 2019, o lucro líquido foi de R$ 14,181 bilhões, alta de 16,6% na comparação com 2018 (quando foi de R$ 12,166 bilhões). Já o lucro gerencial alcançou R$ 14,55 bilhões, 17,4% superior.

O balanço patrimonial consolidado cresceu 6,4% em 2019 para R$ 857,5 bilhões. O passivo do banco, contudo, cresceu na mesma linha de 6,4% para R$ 785,7 bilhões. Os resultados de exercício futuros caíram de R$ 337 milhões para R$ 285,2 milhões, um recuo de 15,4%.

A carteira de crédito do Santander Brasil (SANB11) teve expansão de 15,3% para R$ 352 bilhões. Deste total, a parte pessoa física avançou 17,2%, de R$ 132,5 bilhões em 2018 para R$ 155,3 bilhões em 2019. A carteira de crédito para pessoas jurídicas cresceu 13% para R$ 138,3 bilhões.

O total da carteira ampliada foi de R$ 432,5 bilhões (incluindo outras operações financeiras), uma expansão de 11,8% sobre os R$ 386,7 bilhões do ano anterior; a provisão para créditos de liquidação duvidosa subiu 13,9%, de R$ 18,7 bilhões para R$ 21,4 bilhões em 2019. O total da carteira de crédito líquida avançou 11,7% no ano passado, de R$ 367,9 bilhões em 2018 para R$ 411,1 bilhões em 2019. A margem financeira gerencial foi de R$ 12,24 bilhões nos últimos três meses de 2019.

O banco espanhol anunciou também nesta quarta-feira uma queda de 17% no lucro líquido em 2019 na sua operação mundial, consequência da grande depreciação de sua filial britânica, prejudicada pela incerteza do Brexit, mas com resultados positivos na América Latina, responsável por 46% do lucro global. O lucro líquido de 6,515 bilhões de euros superou, no entanto, as previsões dos analistas entrevistados pela agência de notícias financeiras Factset, que projetavam resultado de 6,27 bilhões de euros.

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7 comentários

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Ricardo Oliveira

30 de janeiro de 2020 às 07h59

O sistema financeiro mundial sendo sustentado pela elite brasileira que drena nossas riquezas para o mercado em prejuízo para o desenvolvimento do Brasil, é um país muito rico, sendo manipulado desde o descobrimento, somos roubados a 520 anos e ainda tem muita coisa pra explorar pena que o povo tem uma ignorância tão grande e desconhecimento de sua realidade e potencial, comemos na mão dos Chicago boys ou dos neoliberais que de liberais nada tem, e a receita é sempre a mesma, combater a corrupção sendo esta feita pelos mais corruptos, um judiciário que é uma casta de privilegiados, um legislativo suspeito e um executivo que a cada 4 anos dependemos de sorte em eleger alguém competente e comprometido com a nação, se fosse uma empresa tinha quebrado a muito tempo, mais uma década será perdida e o povo olhando como se fosse novela.

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Paulo

29 de janeiro de 2020 às 19h20

Será que o Porco Guedes, que entrou milionário no Governo, sairá bilionário? Eu fico imaginando os Campos, Mantegas, Paloccis, Cassiolas, Madureiras, Braganças, Lopes, Goldfajns, Francos, Tombinis, etc, etc, etc. Deve ser muito fácil ganhar dinheiro com informações financeiras privilegiadas e manipulações de mercado no Brasil. E o controle é quase nulo…

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    Andressa

    30 de janeiro de 2020 às 13h00

    Jà entro como bilionario.

    Responder

      Andressa

      30 de janeiro de 2020 às 13h08

      entrou

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        Paulo

        30 de janeiro de 2020 às 21h25

        Sei não, hein!? Na lista da Forbes, o 20º brasileiro mais rico tem uma fortuna estimada em $ 2,3 bilhões, seu nome é Candido Pinheiro Koren de Lima.

        Posição no ranking geral: 1.008

        Fortuna: US$ 2,3 bilhões

        Fonte de riqueza: Grupo Hapvida

        NOTÍCIAS SOBRE

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Evandro Garcia

29 de janeiro de 2020 às 16h02

Emprestar dinheiro no Brasil custa caríssimo e é muito arriscado, por isso há pouquíssimos bancos.

Os brasileiros gastam normalmente mais do que podem, não possuem poupança e não possuem patrimônio pessoal (imóvel de propriedade por exemplo) com valor adequado a garantia do empréstimos.

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Alan C

29 de janeiro de 2020 às 12h49

Excelente matéria!

Podemos projetar isso para os demais bancos, pq o cenário de lucro estratosférico é exatamente o mesmo, em conluio com o Banco Central, contra os interesses da nação e do povo.

E o paulo (posto ipiranga) guedes coloca imposto de 7,5% em cima de quem nem emprego tem (seguro desemprego).

O BRASIL É UM PAÍS SAQUEADO!

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