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PSB defende Cid Gomes: revolta “legítima”

Por Redação

21 de fevereiro de 2020 : 16h38

Posicionamento muito claro do PSB em relação aos acontecimentos no Ceará:

No site do PSB

Tiros contra Cid Gomes evidenciam que a democracia só sobreviverá se desmantelar o ninho fascista miliciano, abrigado nas PMs e em outros setores do aparato repressivo

20/02/2020

O ato de revolta do senador Cid Gomes (que pode ser inconsequente, mas legítimo) não pode ser confundido com os atos de sabotagens ilegítimos de parte da polícia do Estado do Ceará, amotinada na cidade de Sobral, e que resultou no baleamento do senador nesta quarta-feira.

Na verdade, tal acontecimento se insere numa crescente onda de chantagem de forças policiais contra governadores, da aliança de parte de forças policiais com milícias em diversos estados e no atropelo de governadores legitimamente eleitos, como ocorreu recentemente na Bahia com o assassinato do capitão Adriano, chefe de milícia no Rio de Janeiro (com vinculações claras com família do presidente Jair Bolsonaro).

O amotinamento de policiais, encapuzados e armados, afronta a democracia e torna-se instrumento de chantagem. No caso do Ceará, nos últimos 4 anos, o governador Camilo Santana concedeu 86% de aumento na folha salarial da segurança pública. De 2014 a 2019, houve um incremento de 5 bilhões de reais apenas na folha salarial, promovendo vinte mil homens e mulheres nesse período.

O regime “de faca no pescoço” está militarizando as relações políticas e colocando em risco a democracia. Em Minas Gerais, estado que não consegue pagar a folha dos funcionários em dia, o governo se vê obrigado a enviar uma proposta de reajuste salarial de 41% para as forças de segurança. O mesmo ocorre em outros estados, demonstrando que as forças democráticas se sentem acuadas e revelando a incapacidade para apresentar uma alternativa política face ao agressivo crescimento dessas articulações autoritárias.

Setores políticos oportunistas e vivandeiras de quartéis tentam surfar nessa onda e emparedar governantes democraticamente eleitos. Está em curso uma aliança fascista das forças mais reacionárias da política com segmentos retrógrados do artefato estatal e milícias que se organizam em todo o País, estimuladas pela conivência do atual Governo Federal.

São sintomáticos o áudio do general Heleno cogitando a mobilização da turva bolsonarista para subjugar o Congresso Nacional e a reação tardia – e pouco contundente – do ministro Sérgio Moro, acusado de comandar a articulação das forças mais reacionárias junto ao Poder Judiciário. O silêncio eloquente do presidente Jair Bolsonaro diante da tentativa de assassinato de um senador da República e, mais sintomático ainda, a aprovação do ato criminoso pelos filhos Eduardo e Carlos Bolsonaro.

Por mais que se possa criticar a ação do senador Cid Gomes, não se pode negar sua coragem pessoal e sua revolta diante desse cenário. Ele não é um episódio isolado! Cid Gomes, à sua forma, se insurgiu contra as forças autoritárias e fascistas que se agigantam nesse momento de crise. Mas, certamente, a atitude do Senador cearense é inofensiva para conter a escalada do confronto posto em marcha por forças do obscurantismo. O que querem é quebrar os limites que só o Estado democrático de direito pode impor às milícias que tomam para o seu próprio poder e benefício o comando do aparato de segurança.

Contra tal gangsterizacão do aparelho de Estado urge que todas as forças democráticas se unam e apresentem uma plataforma única de enfrentamento desses fenômenos e de resgate da ordem democrática. Todos os democratas desejam que o senador Cid Gomes se recupere plenamente, exigem do Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal, a identificação dos culpados e sua punição exemplar.

Até mesmo o Supremo Tribunal Federal, que se omitiu diante de falas absurdas de Guedes e do clã Bolsonaro sobre o AI5 (quando afirmaram que para fechar o STF só seriam necessários um cabo e um soldado, por exemplo), parece ensaiar uma reação a esse momento atual. O ministro Alexandre de Moraes afirmou que motim de PMs no Ceará é inadmissível, destacando que a Constituição proíbe expressamente que policiais militares façam greve.

Em sessão no Supremo nesta quinta-feira (20), Moraes afirmou:

“O que vem acontecendo no Ceará é inadmissível. Crime de dano ao patrimônio público, destruindo viaturas, tiros. Eu não entro no mérito dos fatos porque eu não estava lá. Mas onde já se viu policial que se queira policial — e eu tenho certeza que no STF não tem ninguém que tem mais ligação e admiração pela polícia do que eu—, como que podem ficar disparando tiros a esmo? Podia ter sido um morticínio gigantesco. É ilegal, tem que ter consequências tanto na Justiça comum quanto na Justiça criminal.”

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