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Os Estados Unidos, o maior perdedor na ‘guerra’ que a Arábia Saudita está travando contra a Rússia?

Por Tulio Ribeiro

20 de março de 2020 : 17h16

O colapso dos preços do petróleo já causou estragos em alguns países que dependem dos preços do petróleo. A recusa da Rússia em ceder à chantagem pela Arábia Saudita fez com que a moeda nacional russa caísse, mas parece que a situação no país não será tão afetada a longo prazo como no caso dos Estados Unidos.

“A origem da atual crise ligada à queda nos preços do petróleo tem a ver principalmente com o surto de coronavírus que afeta negativamente a economia mundial. Por esse motivo, a demanda por petróleo diminuiu significativamente”, afirmou em uma entrevista com Sputnik Mamdouh G. Salameh, economista internacional em petróleo e professor visitante na ESCP Europe Business School, em Londres.

No entanto, há outro fator importante que também está relacionado à crise causada pela disseminação do COVID-19 como aponta Sputinik. Esse fator é a guerra do petróleo lançada por Riad contra Moscou que causou o colapso dos preços do petróleo. A intenção dos sauditas é muito simples, eles estão tentando inundar o mercado mundial de petróleo, explicou o entrevistado.

Mas a Arábia Saudita não pode vencer nesta guerra, disse ele. Além disso, o país árabe carece da capacidade de produção necessária – 12,5 milhões de barris por dia – para inundar o mercado, mas afirma com toda a seriedade que faz.

“Se Riyadh continuar essa guerra, acabará se tornando um perdedor e falirá sua economia. Isso ocorre porque mais cedo ou mais tarde eles reverterão sua decisão, exatamente como fizeram em 2014, quando tentaram inundar o mercado global de petróleo. Eles descartarão sua estratégia e eles farão isso por causa dos danos que isso teria causado à sua economia “, previu.

A indústria de óleo de xisto dos EUA, enfrentando um desastre

Nas atuais condições de crise, o perdedor é a economia global, mas acima de tudo os dois principais perdedores são a Arábia Saudita e a indústria de petróleo de xisto dos EUA. A indústria de óleo de xisto é de fato um setor que enfrenta falência. Isso continua a ocorrer, apesar da dívida que continua a crescer.

“Agora que o preço do petróleo está em torno de US $ 30 por barril, esta indústria dos EUA não pode sobreviver, pois mesmo quando o preço estava em torno de US $ 60 por barril, não obteve lucro. Nesse sentido, perderá muito mais dinheiro”, afirmou. de alívio Salameh.

Entendendo a gravidade da situação, algumas empresas americanas já solicitaram que o regulador da indústria de petróleo do Texas – o estado com a maior produção de petróleo nos EUA – autorize a redução na produção. Se a resposta for sim, será a primeira vez desde 1970 que o estado reduzirá a produção desse hidrocarboneto. Por enquanto, é difícil prever se a medida será eficaz ou não.

Enquanto essa indústria dos EUA em geral continuará produzindo petróleo para pagar suas dívidas, algumas empresas reduzirão a produção em certa medida, já que a produção de óleo de xisto está diminuindo gradualmente hoje, disse o especialista.

Nesta situação, a indústria de óleo de xisto espera que o governo Trump o resgate com dinheiro, pois vale sete trilhões de dólares. A existência dessa indústria também é importante porque preserva muitos empregos nos Estados Unidos. Além disso, a produção de óleo de xisto mantém a participação dos EUA no mercado global de petróleo, juntamente com a Arábia Saudita e a Rússia, embora em níveis mais baixos.

Enquanto isso, os Estados Unidos estão considerando a possibilidade de introduzir um novo pacote de sanções contra a Federação Russa. Supostamente, a medida visava estabilizar a situação no mercado internacional de petróleo, no entanto, esse passo carece de lógica alguma. A prática mostra que as sanções são ineficazes.

Segundo Salameh, os EUA já aprovaram uma política de sanções intrusivas contra a economia russa, mas o governo russo liderado pelo presidente russo Vladimir Putin conseguiu diversificar consideravelmente a economia russa nos últimos anos, o que permitiu que ela não sentisse os efeitos negativos das medidas econômicas anti-russas. “Simplificando, eles falharam”, disse ele.

Novas sanções, se realmente fossem introduzidas, não mudariam a situação na Rússia porque a liderança e a economia do país são fortes. A economia russa tem bilhões de dólares em reservas à disposição, o que pode permitir que o país se mantenha, mesmo que os preços do petróleo estejam no nível de US $ 25 e possa manter sua economia no nível adequado por muitos anos, previu o entrevistado.

“Afinal, a Rússia emergirá como vencedora nessa situação, enquanto a Arábia Saudita e a indústria de petróleo de xisto dos EUA serão os grandes perdedores. Em outras palavras, os Estados Unidos não podem fazer nada por enquanto para alterar a situação atual. “ele declarou.

Riyadh, por sua vez, acabará entendendo que a guerra do petróleo que ele está atualmente travando contra Moscou o levará à falência. As pessoas que atuam como conselheiros do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman precisam entender que a manobra que falhou em 2014 falhará novamente desta vez também. A solução é reverter essa política e buscar cooperação com a Rússia, concluiu Salameh.

Tulio Ribeiro

Túlio Ribeiro é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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