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Reprodução Folha de S. Paulo

Bolsonaro não é louco, ele apenas representa o interesse e a visão das elites dominantes

Por Janaina Bueno

25 de março de 2020 : 17h14

Por Leonardo Giordano

Foi um pronunciamento de moleque. Mandar recado pro Dráuzio Varela, fazer piadinha, falar que o coronavirus é uma gripezinha, um resfriadinho, dizer que é atleta. Enfim, um monte de gracinha que não condiz com a postura de um chefe de Estado que está diante de uma crise tão grave quanto a que estamos vivendo. Indo ao conteúdo, as declarações são estapafúrdias, contrariam a ciência e não têm qualquer nexo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e com aquilo que já está acontecendo em alguns países do mundo, como são o caso da Itália e da Espanha, onde morreram centenas de pessoas por dia. Não têm nexo com o que diz o Ministro da Saúde nomeado pelo próprio presidente. Muita gente está atribuindo tudo isso à loucura de “Bolsonero”. Embora seja verdade que na “Bolsolândia” “Bolsonero” é o chefe dos loucos, não é verdade que só isso explique o que está acontecendo.

Em primeiro lugar, é importante a gente perceber que os grandes ricaços do mundo (o sistema financeiro internacional) estão de saco cheio de medidas para evitar que a COVID-19 se alastre; estão tendo sucessivos prejuízos. Não estou falando do pequeno produtor, do pequeno comerciante, do autônomo, do microempreendedor, do trabalhador que precisa ganhar a vida e que nos desperta toda a comoção e solidariedade. Estou falando dos grandes ricos do mundo. A cabeça deles funciona assim: vai morrer 2, 3, 4% ou mais da população mundial, mas eu não quero parar a economia; vale a pena fazer essa troca. Eles topam que tenha um número de mortes maior para evitar os seus prejuízos. Os dois grandes representantes desses setores da economia são Trump e Bolsonaro e ambos seguem a mesma linha de discurso. Bolsonaro não é louco, ele apenas representa o interesse e a visão das elites dominantes. A conta de Bolsonaro é simples: vai a público, prega isso, agradando inclusive as pessoas que estão insatisfeitas com os prejuízos do confinamento, seja por irresponsabilidade, seja por não dominarem os dados e cumpre seu papel diante dos mercados financeiros do mundo.

Mesmo com o confinamento, a COVID-19 é uma doença gravíssima que já vai matar muita gente; sem o confinamento então é uma tragédia sem precedentes na nossa geração. Para quem acha que a doença é só de idoso, nos Estados Unidos 38% das internações são de pessoas que estão abaixo dos 50 anos. Há ainda um percentual expressivo de pessoas entre 20 e 40 anos internadas e perdendo a vida. Para quem não está convencido, basta olhar os exemplos da Itália, onde a mortandade chega a 9%.

O que Bolsonaro está querendo dizer com o seu pronunciamento é o seguinte: ele topa que haja uma infecção mais rápida de toda a população, com número de mortes aumentado, desde que não paralise a economia. É o raciocínio da elite financeira. Como tem muita gente sensata que vai seguir as recomendações dos especialistas e da OMS contra as loucuras de Bolsonaro, ao mesmo tempo ele se vacina daquilo que obrigatoriamente vai vir depois: uma profunda recessão.

Os números de crescimento econômico do Brasil já eram medíocres antes do coronavirus, mas depois dele o cenário será devastador. Resumindo, Bolsonaro está passando a seguinte mensagem: eu aceito ser louco hoje para que amanhã eu tenha uma desculpa para apresentar ao povo, mandei a economia funcionar, foi esse pessoal aí que falou para paralisar tudo. Dessa maneira ele pretende livrar-se a si próprio, como é típico do bolsonarismo encontrar bode expiatório pra tudo, não assumir responsabilidade e agir como moleque. Afinal de contas, é culpa do Congresso, da Imprensa, dos comunistas, de todo mundo, menos de quem detém o poder para tomar as medidas, menos culpa dele. Quando derramaram óleo na costa brasileira, ele culpou a Venezuela. Quando tacaram fogo na Amazônia, ele culpou as ONGs. Agora é o chinês que está jogando o vírus de propósito no Brasil e quando chegar o problema da economia não vai ser responsabilidade dele também.

Foi uma declaração irresponsável e absurda, mas faz parte de um plano articulado e lógico dentro da psicopatia e da loucura do plano. Tem razão quem diz que foi uma fala de louco e é verdade. Mas há um plano de louco dentro da fala do louco que pretende ser visionário.

É muito importante combater o obscurantismo, as trevas, a escuridão e essa representação dos sistemas financeiros internacionais que aceitam a perda da vida das pessoas por essa defesa de valores. Temos que preservar em primeiro lugar as vidas e defender a ciência para enfrentar essa grave crise. Por fim, eu repudio a fala do presidente da República, defendo a união para que prevaleça a voz da razão sobre as medidas de isolamento que achatam a curva de contaminação e preservam vidas. E que a gente possa contar com a ajuda do governo para a recuperação da economia, como por exemplo, a destinação de uma renda mínima básica para todas as cidadãs e todos os cidadãos do Brasil. Não indo muito longe, os próprios Estados Unidos estão fazendo isso nesse exato momento.

Leonardo Giordano é vereador de Niterói pelo PCdoB.

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5 comentários

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Edgar

26 de março de 2020 às 09h38

É louco sim. É louco, despreparado e psicopata. Chega de mimimi.

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Paulo

25 de março de 2020 às 19h49

Sim, Bolsonabo atende a uma lógica de mercado ao se insurgir contra as medidas de confinamento (mas não só, e talvez nem primacialmente, do mercado financeiro, vide Véio da Havan e o rapaz do Madero!), e, ao mesmo tempo, à logica eleitoral, querendo se contrapor a Witzel e Dória, os quais fazem a mesma coisa, mas com suposto respaldo científico. Futuramente (em 2022), cada qual terá sua narrativa…

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José

25 de março de 2020 às 18h57

Besteira insuperável foi terem elegido esse celerado para a presidência. Qualquer outra besteira que se diga aqui ou acolá é fichinha perto dessa cagada apoteótica.

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Ronei

25 de março de 2020 às 18h18

E’ preciso de muita coragem para postar um monte de besterias dessas.

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    Batista

    26 de março de 2020 às 11h36

    Não apenas concordo, como parabenizo-o pela honestidade ao auto criticar-se.

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