Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Pesquisa em São José dos Campos e o desafio de derrotar Bolsonaro

Por Redação

20 de junho de 2020 : 20h26

Em ano de eleições municipais, talvez seja interessante analisarmos as pesquisas de intenção de voto com mais profundidade, tentando extrair dos números mais do que simplesmente suas informações eleitorais. 

Se a oposição leva a sério o desejo de não apenas “derrubar Bolsonaro”, mas de construir uma nova hegemonia que a permita governar com mais estabilidade e solidez do que vimos no passado recente, seria importante que produzisse o máximo de inteligência possível sobre o perfil político das cidades mais importantes do sudeste, região com maior número de eleitores do país, e que deu uma vitória esmagadora a Bolsonaro em 2018.

É o que tentaremos fazer com uma pesquisa para eleições em São José dos Campos, que traz um conjunto de dados bastante completo, permitindo-nos fazer algumas especulações bastante embasadas. 

O prefeito da cidade é Felício Ramuth, do PSDB, eleito em 2016 com 62% do votos.

No primeiro turno de 2018, Bolsonaro obteve 60% dos votos na cidade, seguido de Haddad, com 10,8%, Ciro, com 10,1%, Alckmin, com 9,8% e Amoedo, com 5,6%.

No segundo turno, Bolsonaro obteve 76% dos votos no município, contra 24% de Haddad. 

São José dos Campos não apresenta, todavia, um histórico consolidado de votações conservadoras. Em 2002, por exemplo, Lula obteve um desempenho consagrador na cidade, com mais da metade dos votos válidos da cidade (51%); no mesmo ano, Serra pontuou apenas 24% na cidade, e Ciro, então candidato pelo PPS, ficou com 9,7%.

No primeiro turno de 2010, Dilma obtém uma votação razoável, de 31,4%, em São José dos Campos, contra 40% de Serra e 27% de Marina.  No segundo turno de 2010, Dilma teria 43% dos votos no município, contra 57% de Serra. 

O caráter progressista da cidade ficaria mais uma vez marcado pela eleição de Carlinhos Almeida, do PT, em 2012, eleito no primeiro turno com 51% do votos. 

O PT já havia administrado a cidade na década de 90, quando a Angela Guadagnin (que ficaria famosa nacionalmente, anos mais tarde, como a “deputada da dancinha da pizza”), venceu as eleições de 1992. 

Pesquisa para as eleições municipais deste ano, feita pelo Paraná Pesquisas, com dados colhidos entre os dias 8 e 12 de junho, traz os seguintes dados pra gente analisar:

  • O presidente Bolsonaro tem aprovação de 51,6% no município, contra 43% de rejeição. 
  • A aprovação de Bolsonaro está muito concentrada entre homens, entre os quais tem aprovação de 58%. 
  • Bolsonaro tem mais aprovação entre eleitores menos instruídos. Entre aqueles com ensino superior, o presidente tem aprovação menor e rejeição maior. 

  • A avaliação do desempenho do presidente na crise do coronavírus é muito pior do que sua nota geral, o que outras pesquisas também vem mostrando. 
  • 45% dos eleitores consideram a atuação de Bolsonaro como ruim ou péssima na crise do coronavírus, contra 31% que a consideram ótima ou boa. 

 

  • O governador João Dória não tem boa imagem na cidade. Segundo a pesquisa, Doria é rejeitado por 50% de seus moradores. Entre homens, a rejeição a Doria é de 60%.

  • Entretanto, a avaliação do desempenho de Doria no combate ao coronavírus é melhor do que a de Bolsonaro; apenas 35% a consideram ruim ou péssima.

  • Outro dado muito importante para se entender os próximos passos da política nacional é a capacidade de influência das lideranças.
  • Bolsonaro se mantém um eleitor importante em São José dos Campos, com baixa rejeição. Apenas 29% disseram que o apoio de Bolsonaro a um candidato “diminuiria” sua vontade de votar nele. 

  • Já o ex-presidente Lula, que, como vimos anteriormente, tinha recebido uma votação consagradora na cidade em 2002, desenvolveu uma rejeição grande. 
  • Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados afirmaram que o apoio de Lula a um candidato “diminuiria” sua vontade de votar nele. 
  • A rejeição ao presidente chega a 64% entre eleitores com idade de 35 a 44 anos, e a 62% entre eleitores com ensino superior.

  • Doria, por sua vez, é um eleitor medíocre na cidade. 
  • Entre eleitores com ensino superior, 44% afirmaram que o apoio de Bolsonaro “diminuiria” sua vontade de apoiar um candidato; ao passo que apenas 14% disseram que este apoio “aumentaria” a vontade de votar nele. 
  • Apenas 10% dos entrevistados responderam que o apoio de Lula “aumentaria” sua vontade votar num candidato.

A propósito, a pesquisa também traz um quadro de potencial de votos dos principais candidatos na cidade.

Dois candidatos apresentam rejeição acima do normal: Shakespeare Carvalho, um político tradicional da cidade com inúmeras denúncias de corrupção, e Wagner Balieiro, um vereador petista de reputação ilibada. 

 

Conclusão

Não faz sentido olhar para São José dos Campos, cidade que deu vitória consagradora ao PT em 2002, e votações muito boas nos anos seguintes, que elegeu um prefeito petista em 2012, como um antro de eleitores “fascistas”. 

Por outro lado, é inegável que o PT desenvolveu uma rejeição forte na cidade, e especialmente o ex-presidente Lula.

A volta por cima do campo progressista na cidade (e em todo Sudeste) exigirá, portanto, a oferta de projetos novos e quadros renovados. 

 

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4 comentários

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Marcos Videira

21 de junho de 2020 às 00h54

Não haverá tempo do PT reverter o sentimento antipetista a tempo de ter um desempenho razoável na eleição do final deste ano.
Prevejo que o PT não conseguirá eleger prefeito nas capitais. Será a maior derrota eleitoral de sua história. Essa provável realidade cruel talvez sirva para o PT refletir sobre seus erros políticos.

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    Daniel Tornesi

    23 de junho de 2020 às 15h58

    Que bom que sua previsão não irá se concretizar.
    O PT crescerá 20% nessa eleição em comparação com o resultado de 2016.
    Fará no mínimo 5 cidades acima de 200 mil eleitores contra apenas 1 em 2016.
    Pode escrever e me cobrar.

    Responder

      JOSE ROBERTO DE SOUZA

      28 de julho de 2020 às 19h22

      Fora petezada!!! Vão roubar lá na Venezuela ou em Cuba.

      Responder

Rodolfo Matos

20 de junho de 2020 às 23h33

O campo progressista não deveria investir em esforços inúteis como crer em tipos que deram o voto para Bolsonaro. Quem apoia o fascismo uma vez, apoia duas ou mais. O esforço do campo progressista no Sudeste deve se focar na geração de eleitores que irá às urnas pela primeira vez. O esforço pode não ajudar na eleição de 2020, mas pode ser decisivo em 2022 (se houver).

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