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Editorial RIB: CEITEC extinta, governo auto-imperialista

Por Redação

16 de dezembro de 2020 : 18h07

Nesta quarta-feira, 16, o site editado pelo jornalista Fausto Oliveira, RIB, publicou um editorial sobre a extinção da CEITEC. Confira o texto na íntegra!

Um dia que entrará para a história do entreguismo brasileiro. Assim fica registrado o dia de hoje, 16 de dezembro de 2020, com a publicação do decreto número 10.578, que dá início à extinção do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada, a CEITEC, uma empresa pública brasileira que talvez tenha sido o esforço econômico deste país que mais nos aproximou de uma fronteira tecnológica contemporânea.

A partir de agora, a briga é na Justiça, pois o processo até aqui está eivado de irregularidades. Ainda assim, o passo final pode ter sido dado, a depender das condições jurídicas para reverter o descalabro.

Aqui na Revolução Industrial Brasileira, fizemos todo esforço possível para alertar a sociedade e colocar pressão sobre o governo federal a fim de evitar chegarmos a este descalabro. Foi em vão. O auto-imperialismo brasileiro falou mais alto, e novamente o atraso nos é imposto não por outros interesses, mas sim por brasileiros a serviços de outros interesses.

O decreto vem assinado por todos os que carregarão a culpa de eliminar a presença brasileira na economia do futuro. Jair Messias Bolsonaro, Paulo Guedes, Marcos César Pontes: a tríade que assinou a renúncia ao conhecimento, à tecnologia avançada, à economia de alto valor adicionado e à riqueza.

São comprometidos com o atraso estrutural, não há outra forma de interpretar. Não querem um Brasil competente, moderno, soberano e rico. Querem um Brasil agrário, ignorante, apegado às tradições coloniais e para sempre serviçal dos poderes econômicos centrais.

Apagar os esforços e as conquistas da CEITEC é uma forma segura de nos manter a todos em um estado de renda média para sempre decrescente. Assim como são, também, as opções por renunciar ao refino de petróleo, as tentativas de desnacionalização da Base Industrial de Defesa e Segurança, a vergonhosa aceitação da entrega da Embraer à Boeing (revertida graças ao acaso).

É ilusão acreditar que destes promotores do auto-imperialismo, destes sabotadores do Brasil, nascerá qualquer futuro digno. Pois se você acredita que educação, ciência e tecnologia são o caminho de um futuro melhor, pergunte-se: que incentivo terão os jovens a estudar e criar inovações, se o ambiente indica o contrário?

Em meio a uma acelerada e precoce desindustrialização – agora agravada com a possível saída do setor de semicondutores -, que perspectivas terão os brasileiros que têm a vida pela frente? Na prática, sabemos: “empreendimentos” de baixíssima qualidade nas cidades, prestação de serviços individuais de baixíssima renda e zero perspectivas, empregabilidade informal e sub-remunerada em serviços tradicionais e de pouca intensidade tecnológica.

A sabotagem venceu mais uma vez. Ela não é de hoje: desde quando o Brasil saiu de ser um mar de miseráveis e passou a construir um futuro a sabotagem existe. São os velhos lacaios coloniais de sempre exercendo sua influência no poder para diluir qualquer esforço de independência. O resultado da obra dos sabotadores é explícito nas últimas quatro décadas: crescimento econômico quase nulo e disseminação generalizada da pobreza.

Link para o decreto: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.578-de-15-de-dezembro-de-2020-294297981

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2 comentários

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Arthur

17 de dezembro de 2020 às 15h12

Nunca fez nada de relevante, essa porcaria de Ceitec. Só serve para cabides de empregos e desvios de dinheiro público. E o texto só tem bravatas sindicalistas, que não apresentam nenhum argumento convincente de que seja mesmo um mau negócio o fim dessa bixeira de Ceitec. Já vai tarde!!

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Paulo

16 de dezembro de 2020 às 21h07

Pois é! Restará ao Brasil, muito provavelmente, a escolha entre ser uma benfeitoria comercial da China ou dos EUA. Talvez, uma benfeitoria bem administrada, que explorará “janelas de oportunidade” e rivalidades entre essas potências para avançar timidamente. Mas é só. Parece que renunciamos a um projeto autônomo, nos últimos anos. Alguém para restaurar a utopia perdida?

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