Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Em parceria com Helder (MDB), Edmilson (PSOL) comemora aprovação do ‘Bora Belém’

Por Redação

09 de janeiro de 2021 : 08h48

A Câmara Municipal de Belém aprovou nesta sexta-feira, 8, a criação do programa Bora Belém, que prevê pagamento de uma renda básica de até R$ 450 à população mais vulnerável. Ao todo, 34 dos 35 vereadores votaram a favor do benefício.

Fonte: Reprodução / Twitter

O presidente da CMB, vereador Zeca Pirão (MDB), se mostrou satisfeito com a aprovação, que considerou como “presente”, além de elogiar como foi feita a votação.

“Isso demonstrou que os parlamentares estão preocupados com a população. Foi aprovado em dois dias um presente que o prefeito Edmilson Rodrigues vai dar a Belém nos seus 405 anos. E eu, como presidente da Câmara Municipal, fico muito feliz em poder colaborar para melhorar a vida das pessoas”, comemorou.

Após a aprovação, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), anunciou que o tesouro estadual irá contribuir com 50% do custo total do programa. Antes mesmo do início do seu mandato, Edmilson tinha celebrado uma aliança com o governador emedebista.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

1 comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Edson Luiz Pianca

09 de janeiro de 2021 às 17h13

O PSOL é efetivamente um partido de esquerda. É ‘o’ partido de esquerda do Brasil. E vem se modernizando enquanto constrói inserção na sociedade.

Eu defino o espectro ideológico como um arco e não como uma reta.
Uso para definir a posição de um sabor ideológico nesse arco o perfil dos filiados na composição da força política e a proporção desses filiados dentre três matrizes de ideias: i) marxistas; ii) liberais e; iii) conservadores.

Definindo assim tenho a pretensão de observar o que é mais fundamental para caracterizar a correlação interna da força e a visão de mundo que inspira sua ação política. Outra pretensão com isso é ter um critério mais objetivo para a definição e localização de cada força no espectro.
Ser de direita ou de esquerda é atender determinados critérios, que para não ser banalizados e poderem ser universalizados precisam ser definidos com mais objetividade.

Considero que toda força política bem caracterizada deve apresentar uma correlação interna com predominância de uma das três matrizes de ideias consideradas. Excetuando-se os sabores extremos – a Ultra-Direita e a Ultra-Esquerda – os outros quatro sabores – Esquerda, Centro-Esquerda, Centro-Direita, Direita – possuem um componente de filiados liberais, que nas forças de centro são exclusivos: na Centro-Esquerda só tem liberais, com predominância de liberais de esquerda; na Centro-Direita também só tem liberais, com predominância de liberais de direita. Na Esquerda, junta-se à predominância de marxistas um grupo muito minoritário de liberais de esquerda radical; na Direita, junto a conservadores (sua visão de mundo é bem influenciada por ideias derivadas do positivismo modernizadas), junta-se um grupo, aqui não tão minoritário, de liberais radicais de direita.
Todos os seis sabores ideológicos são legítimos: atendem a diversidade de visões políticas de mundo dentro da sociedade.
Há, perdidos dentro de cada uma dessas forças, muitos militantes com perfil de outros sabores, especialmente de extremistas. Estes deveriam buscar seus sabores ideológicos genuínos, seriam mais felizes politicamente e deixariam de atrapalhar as forças que ocupam indevidamente.

Todas as forças políticas, excetuando as extremistas, são progressistas. Todas elas, igualmente, são desenvolvimentistas. O que difere, de fato, entre essas forças, é como consideram e formulam suas políticas de progresso e desenvolvimento.

Rotular conservadores de obscurantistas e atrasados e se auto-rotular de progressista e desenvolvimentista não passa de administração de imagem envolvendo construção social muito subjetiva sem nenhuma fundamentação consistente com uma matriz. Em algumas vezes isso é uma manifestação de ódio no sentido de depreciar ideias e pessoas para destacar e promover o seu interesse e a imagem que deseja projetar. Em geral é uma grande fraude, que é identificada pelo uso abusivo de adjetivações como neoliberal, neoliberalismo, rentista, progressista, entre outros adjetivos. É gente de poucos substantivos, é gente da discurseira, das narrativas, sem projeto, e sem capacidade sequer de pensar um projeto. Isso tudo com muitas imposturas e com ódio repulsivo. É uma prática tão incrustada na militância de determinadas correntes que se lhes veste como cultura, moldando mesmo a personalidade dessas correntes e de seus militantes. Uma personalidade de ódio em contradição a sua pregação de amor e desejos de empatia. Ângela Merkel é uma política conservadora, e no entanto bem mais moderna e mais progressista que a maioria dos comunistas revolucionários que conheço. Isso no Brasil vale para muitos. Vale por exemplo para José Guilherme Merquior, para Fernando Henrique Cardoso e para tantos outros progressistas da centro-esquerda à direita brasileira, muitos deles mais progressistas que muitos de nós, que nos definimos como de esquerda.

Um conservador sempre vai defender a consolidação de experiências bem sucedidas antes de se lançar à tarefa de promover novo avanço; um marxista moderno (que compreendeu a capacidade do sistema capitalista de se reinventar, a natureza muito difusa do conflito de classes na modernidade e o destaque que ganhou as questões identitárias na dinâmica moderna, tem atualizado a sua matriz para construir a ruptura que desejam dentro de um processo gradual, institucional, se afastando da defesa de guerras revolucionárias (vale a leitura de ‘O homem revoltado’ de Albert Camus, que escreveu este livro como filósofo, não como romancista, e que resultou no fim turbulento da imensa amizade dele com Sartre. Sartre insistiria na defesa de heroísmos revolucionários para, anos após a morte de Camus e a apenas um ou dois anos da sua, declarar:”Camus foi o meu último grande amigo”. Eu sempre tive amigos muito mais velhos, foram quatro e todos já morreram. Serem todos mais velhos foi consequência do quadro político da época: as famílias, mesmo em uma favela, levavam os filhos a evitarem ‘certas amizades’. Muitas razões tinham, era perigoso confrontar o autoritarismo. Abri mão de ter amigos ‘de infância’, mas não me arrependo, o tempo me exigia agir, mesmo com algum risco. Precisava saciar a fome que me consumia, saciar todas as minhas fomes. Já a constatação entristecida de Sartre sobre o outrora amigo, perdido por sua intolerância com ideias diversas da sua, leva à reflexão sobre os nossos próprios limites de tolerância. Em tempo: no fim da vida Sartre fez boa revisão de suas estreitezas. Pena que não tenha sido a tempo.

A política não é para embolar fragmentos políticos particulares com o objetivo de derrotar inimigos. Todas as forças políticas são legítimas e a relação com cada uma deve ser de respeito, denunciando sim suas contradições, mas as contradições de sua pregação e prática comparados à matriz que dizem representar, não xingando suas idéias e filiados em demonstração de arrogância e intolerância, como se nossas idéias e nós lhes fôssemos superiores. A política é para a defesa de uma visão até conseguir torná-la hegemônica, e isso não é conseguido desvirtuando o perfil do próprio partido. E os outros agentes e forças precisam ser protegidos e preservados, não destruídos, ‘desconstruídos’. Exclusividade política é coisa de autoritários, e não só de fascistas.

O PSDB foi uma promessa do sabor de Centro-Esquerda que se realizou de 1993 a aproximadamente 2011/12, sendo essa realização continuada, a partir de 2003, pelo PT, que se deslocou para ocupar o lugar de centro-esquerda, originalmente do adversário, e incorporou suas políticas, especialmente de economia. A isso intensificou políticas inclusivas e acrescentou outras. Mas os dois partidos perderão totalmente suas identidades se não se repensarem e se renovarem. O PSDB não surgiu como um partido de direita e não conseguirá ser coerente ali; voltar para o centro-esquerda, de onde se distanciou tanto, pulando duas casas, só conseguirá se mudar seus quadros, se renovando. Não creio. Já o PT é um partido com origem na esquerda. O Lula é apenas um líder carismático, mas também corporativista e demagogo, não sendo um marxista. Um partido de esquerda não se afirma se depender de um líder com esse perfil. Para ser de esquerda um partido precisa ser liderado por um marxista. Com a saída dos grupos marxistas que deram origem ao PSTU, ao PSOL e outros, o PT se movimentou para a centro-esquerda, deslocando dali o PSDB, mas não tendo a identidade desse sabor, ficou sem uma identidade. Quando se reivindica à esquerda, não é de esquerda coerente; quando passa à prática social-democrata, também não tem essa identidade. Fica sem identidade nenhuma.

O PSOL, de Boulos, de Freixo, de Mariele (sim, os desgraçados que ordenaram seu assassinato podem não ser identificados e punidos, mas tornaram eterna a presença de Mariele), de Edmilson do Belém do Pará e de tantos, quando se estabelecer em Minas Gerais, a partir de Belo Horizonte, e na Região Sul, a partir de Porto Alegre, conseguirá se capilarizar e será a próxima força de esquerda, coerentemente de esquerda, a assumir o comando do país.

Vamos aguardar o crescimento, amadurecimento e consolidação do PSOL como o partido brasileiro de esquerda, e tratamos de construir o nosso partido de centro-esquerda que ainda não temos. Fragmentos políticos não são exatamente partidos políticos. É só nos viabilizaremos se aglutinarmos nossos fragmentos e construímos nosso partido Social-Democrata.
Vamos Ciro, Marina, Roberto Freire, Eduardo Jorge, Flávio Dino, PSB. O que estamos esperando?

Responder

Deixe um comentário

Parlamentarismo x Semipresidencialismo: Qual a Diferença? Fernanda Montenegro e Gilberto Gil são Imortais na ABL: Diversidade Auxilio Brasil x Bolsa Família: O que mudou? As Refinarias da Petrobras À Venda pelo Governo Bolsonaro O Brasileiro se acha Rico ou Pobre?