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Guilherme Boulos: A esquerda e os evangélicos

Por Redação

21 de abril de 2021 : 15h53

Por Guilherme Boulos em seu Facebook

O Brasil tem mais de 50 milhões de evangélicos, a maior parte nas periferias urbanas. Aprendi em 20 anos de militância no MTST – um movimento com maioria de evangélicos – a reconhecer a rede social e de acolhimento das igrejas, base do seu crescimento. Aprendi também a não estigmatizar o povo evangélico.

Vi muitos deles na linha de frente de lutas, ocupações e cozinhas solidárias. Por várias razões, houve uma espécie de rompimento entre a esquerda e os evangélicos. Péssima para os dois lados. Péssima para que a luta por justiça social se fortaleça nas periferias. Quando a esquerda foi capaz de fortalecer pontes com a igreja nos anos 1980 tivemos fenômenos como as Comunidades Eclesiais de Base, as CEBs, com enorme potência.

Hoje estamos longe disso. Por isso, tenho feito conversas com lideranças evangélicas. Estive com o pastor Ariovaldo Ramos e com ativistas da Frente Evangélica pelo Estado de Direito. E recentemente com lideranças da Igreja Universal, uma das maiores do país. Esse último encontro gerou especulações em parte da imprensa sobre uma aliança eleitoral em 2022 com o partido que representa a igreja no Congresso.

Não é preciso muito para saber que isso não tem qualquer fundamento. O Republicanos não faz parte do arco de alianças do PSOL e vice-versa. As diferenças são de conhecimento público. A questão é outra. Se queremos falar com as maiorias e quebrar estigmatizações temos que ter capacidade de diálogo.

A esquerda não pode ficar em bolhas confortáveis. Um dos aprendizados que temos que ter com os evangélicos é que não basta pregar para convertidos.

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6 comentários

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Paulo

21 de abril de 2021 às 21h51

Quando não há freios éticos e morais, há sempre “justificativas” para tudo. Isso serve tanto para Boulos quanto para os evangélicos…

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Alexandre Neres

21 de abril de 2021 às 16h48

Perfeita a visão de Boulos. Tá enxergando longe. Tem tudo para ser o herdeiro político de Lula, que é o de Getúlio Vargas.

A socióloga Esther Solano tocou no assunto esses dias. A esquerda tem que parar de falação e sair da zona sul.

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/os-pastores-estao-onde-o-poder-publico-e-os-partidos-progressistas-nun/

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    Edibar

    22 de abril de 2021 às 16h13

    Herdeiro de Lula, q já é herdeiro de Vargas. Por isso q esse país nunca vai pra frente. Tomara q Lula se vá logo e q nunca mais tenhamos líderes populistas. A pior coisa q se pode ter é políticos de estimação.

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      Alexandre Neres

      22 de abril de 2021 às 19h28

      Sério. Na boa. Tu acha que vou debater contigo? Você poderia pelo menos agir como um ser humano, em vez de ficar desejando o mal dos outros. Pobre de espirito! Pare de demonizar a política, Zé das couves.Talvez quem sabe um dia descubra que há um bolsominion incrustado dentro de ti. Sem mais.

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        Edibar

        22 de abril de 2021 às 22h49

        Então pq respondeu, bobalhão?? Posta e aí não gosta de ser rebatido?? No fundo vc sabe q estou certo.
        Sem mais pra vc tbm, seu inútil.

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        Renato

        23 de abril de 2021 às 19h58

        Pare de demonizar a política ? Mas na política só tem demônio…..Lulas, Renans Calheiros, Eduardos Cunhas…gente como Sérgio Cabral, Flor de LIz e Jairinhos. E o pelegão vem cobrar que não se demonize a política ! kkkkkkkkkk

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