Paris Café: O PT tem um projeto de governo? Qual é?

Foto: Amanda Perobelli / Reuters

Análise: Dinâmica política de Lula isola terceira via

Por Gabriel Barbosa

12 de junho de 2021 : 12h55

Por Gabriel Barbosa

Desde que teve seus direitos políticos recuperados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Lula (PT) tem dedicado seu tempo para se viabilizar eleitoralmente, agendar encontros e tentar se reconciliar com lideranças aliadas de outrora. Foi assim com caciques do MDB como José Sarney, Eunicio Oliveira e até mesmo com seu velho concorrente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A estratégia de Lula é se apresentar como uma figura conciliadora e não entrar na polarização radical contra Jair Bolsonaro, que a cada dia tem visto seu governo derreter na impopularidade e ser corroído pela corrupção, tema que prometeu se fazer ausente na sua gestão federal. No entanto, o líder petista não tem sido apenas um percalço para Bolsonaro mas também para os nomes que ocupam a tal “terceira via”.

Além dos índices pífios nas pesquisas, os nomes que se apresentam como alternativa a suposta polarização não tem conseguido articular suas próprias frentes, seus próprios acordos e tabuleiros políticos. Além de Sérgio Moro e Luciano Huck que já sinalizaram ausência no pleito presidencial, na última quinta-feira, 10, o Partido Novo anunciou que João Amoêdo desistiu de se lançar como pré-candidato pela legenda.

Em pouco mais de 60 dias, Lula avançou na construção de uma frente “estreita” de centro-esquerda formada pelo próprio PT, PSOL, PC do B e já com articulações avançadas para conquistar o PSB. Mas, setores do MDB, Solidariedade e a Direção Nacional do PROS também podem embarcar no blocão da conciliação de Lula.

O intuito do ex-presidente é de fato formar uma frente ampla trazendo algumas agremiações de centro-direita que a preço de hoje, por exemplo, são cobiçadas tanto por Ciro Gomes (PDT) quanto pelo próprio Bolsonaro. Nos palanques estaduais, a Direção Nacional do PDT está tendo muita dificuldade de sair do isolamento político-eleitoral. A tendência é que esse fenômeno se aprofunde no lado trabalhista a medida que Lula avança na formação de suas alianças. A conferir!

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

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22 comentários

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aristoteles silveira souza

15 de junho de 2021 às 17h32

O POVO NO PODER – Esa frase estava em uma faixa no final dos anos setenta durante a ditadura militar. De lá para cá quando isto ocorreu, isto aqui teve lampejos de PAÍS. Volta lulaaaaaa…..!!

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Netho

13 de junho de 2021 às 16h35

O telhado de vidro e o fundo do quintal de Lula são o seu maior passivo e maior vulnerabilidade quando o jogo eleitoral propriamente dito começar.
As mesmas variáveis que Lula e o PT consideraram “desprezíveis” e “irrelevantes” em 2018, vis-á-vis da memória eleitoral da “Era Gloriosa 2007/2010”, não diminuíram de tamanho nem de impacto, sobretudo quando o inferno eleitoral e a violência política se impuserem durante o pleito de 2022.
A atual performance de Lula capturada pelas sondagens dos institutos de pesquisa eleitoral não passa de chuva de verão, sobretudo porque a República das Milícias liderada pelo Mau Militar está em seus piores momentos: sanitário, internacional, econômico e social.
Dito isso, o horizonte doravante para a República das Milícias será, sempre, continuadamente melhor, porque não faltam armas, tanto as do Forte Apache, quanto dos policiais e paramilitares, quanto as econômicas no arsenal dos bancos públicos e no Ministério da Economia para o devido proselitismo fiscal e demagogia social.
Até agora todas as baterias contra Lula encontram-se recolhidas e o ex-metalúrgico passeia em plena lua de mel, não sendo importunado por nenhuma operação policial, nenhuma denúncia, nenhuma delação.
Só o mais ingênuo habitante do Planeta Panglossiano imagina que o inferno astral de Lula acabou com a decisão do STF e a inquinação de Moro.
A vantagem de Lula, quando as águas de março fecharam o verão, atingiu o máximo possível e, desde então, o viés será, necessariamente, de baixa.
Há, sim, uma larga e ampla avenida para a Terceira Via, hoje encarnada pelo PDT.
Verdade que Lula sempre foi mais palatável à direita do que Brizola, sobretudo pelo ódio devotado ao gaúcho pela Globo de Roberto Marinho, um desafeto pessoal do engenheiro Leonel.
Daí o porquê da frase antológica de Brizola a respeito de Lula e do PT: “O PT e Lula são a esquerda que a direita gosta”.
No entanto, a aliança do PT com o PSB em 2022 – este é dobradinha -, simplesmente impedem a frente ampliada com o centro-direita, desde logo limitando totalmente a perspectiva de fraturar o centro e mitigar a direita.
Desse modo, Lula e o PT continuam sendo os adversários mais fáceis de serem batidos no segundo-turno pela República das Milícias liderada pelo “mau militar” Jair das Rachadinhas.
O jogo está longe de sequer ter começado.
O jogo jogado começa, mesmo, em junho de 2022, daqui a 12 meses.
Lula e Jair representam o pior do 18 de Brumário!
São tragédia e farsa, simultaneamente.
Há alternativa à essa crônica da catástrofe anunciada.

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Paulo

13 de junho de 2021 às 11h08

Eu tenho notado, através da militância petista e de esquerda, de um modo geral, e a partir de algumas opiniões que amigos, conhecidos e até parentes têm manifestado, em sentido contrário, às vezes de forma clara, mas geralmente de maneira enviesada e até envergonhada, que não veem alternativa ao PT que não Bolsonaro. Será que estamos condenados a isso por anos a fio?

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Helio

13 de junho de 2021 às 00h12

Por que Lula não vencerá as eleições, se tem vontade e votos?
Por que a maioria do eleitorado não o escolherá, se fez o melhor governo do país?
Ciro e Bolsonaro tentarão o constranger? Isto é verdade. Mas esta ação se reverterá contra eles, como está ocorrendo com as indicações estatísticas do Ciro, após os ataques dirigidos contra o ex-Presidente.

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dcruz

12 de junho de 2021 às 21h49

Não há dúvidas que Lula é disparado o melhor candidato, até porque foi o melhor presidente que nós já tivemos, o que não quer dizer que ele vá derrotar o bozo que mesmo com a queda de popularidade ainda permanece com seus bovideos admiradores mais firme do que nunca. O que preocupa é que com tantas coligações, as mais contraditórias, como Lula vai conseguir governar. É bom lembrar que essa gente engessou Dilma sem dó nem piedade.

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Valeriana

12 de junho de 2021 às 21h05

É, os bolsominions estão petrificados de medo do Lula. A cada notícia como esta isso fica mais evidente.

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João Reis

12 de junho de 2021 às 20h54

Lula é imbatível e vai ganhar no primeiro turno, o resto é dor de cotovelo de quem sabe que já perdeu!

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Lincoln

12 de junho de 2021 às 18h02

Lula tem a seu favor

– liderança nas pesquisas
– experiência de governo
– lembrança da população de governo com acertos ( geração da economia, geração de empregos, política de inclusão …)
– ter o carimbo de político honesto.

Essas e outras credenciais o faz como personagem central na política brasileira.
Ah Lula nunca, nunca mesmo se ausentou no segundo turno.

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    Marcelo

    13 de junho de 2021 às 21h49

    Lula nunca se ausentou no segundo turno? Você diz que ele sempre foi ao segundo turno? Não mesmo. Ele já foi derrotado no primeiro duas vezes.

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Marco Vitis

12 de junho de 2021 às 16h46

GABRIEL: O Lula pode formar a mais ampla aliança que alguém poderia conseguir. Penso que Lula está destinado a perder a eleição se ele for o candidato.
Imagine Lula participando de um debate com Bolsonaro e Ciro Gomes. No primeiro debate Lula sairia bastante combalido. No segundo debate Lula seria nocauteado.
Há quem diga que o antipetismo não é o mesmo. Aparentemente… O antipetismo está latente e será explorado emocional e agressivamente por Bolsonaro. Ciro, mais racional, vai demonstrar as contradições de Lula no campo econômico e político. Lula vai ficar o tempo todo tendo que se justificar… Você acha que as pessoas vão relevar tudo isso ?

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    dcruz

    12 de junho de 2021 às 21h55

    Lula simplesmente não vai perder nenhum debate com o bozo pelo simples fato que o bozo não tem a mínima condições de debater em público com qualquer candidato. Seus marqueteiros já estão de sobreaviso para uma segunda facada entrar em cena.

    Responder

    Tony

    13 de junho de 2021 às 09h48

    Os brasilerios nao sao idiotas e a esquerda perdeu o monopolio da narrativa….os brasileiros sabem muito bem da imundiça que Lula e seus comparsas prodziram nos governos petistas. O STF pode anular todas as condenaçoes da Lava Jato mas nada mudarà.

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    Sebastião

    13 de junho de 2021 às 10h38

    O eleitor é emotivo, e uma das coisas que o eleitor mais rejeita é traição. Que Ciro levará a pecha. Ciro gosta muito de pleonamos, e gosta de usar palavras inexistentes, buscando causar impressoes com cálculos, que não chegará a lugar nenhum, pra impressionar que tem embasamento(como disse Vera Magalhães). Quem não se apercebe desse jeito dele, acaba sendo cativado… Sobretudo aqueles que sonha com uma terceira via. Quem já conhece, não se deixa iludir. Tanto é, que há uma demora em tê-lo, como uma terceira via. Pois, quem convive no meio, é quem o conhece. Tarso que o diga.

    No debate de 2018, Haddad lançou essa contradição de Ciro, que disse a ele, que uma chapa entre os dois, seria a melhor. Com Lula, será semelhante. Ele tentará criticar Lula, mas este, lembrará que Ciro estará cuspindo no prato que comeu. E não pense que direita irá votar em Ciro, pois a dirieta tem rejeição ao PT. E Ciro serviu ao governo do PT. Superestimem Ciro mesmo, e subestimem Lula. Pois o resultado da eleição, é o que vale.

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      EdsonLuiz.

      13 de junho de 2021 às 16h38

      Eu não tenho dúvidas de que Lula e o PT retribuirão do jeito que você fala a contribuição de Ciro ao PT. Talvez façam até pior. É só lembrar o que fizeram covardemente com Marina Silva na campanha de 2014 para saber dk que o PT é capaz.

      Responder

William

12 de junho de 2021 às 16h28

A terceira via já foi escolhida pelos Brasileiros em 2018 já que PT e PSDB que disputaram as eleições há 20 anos tinham candidatos próprios.

Tá tão difícil de entender o que aconteceu no Brasil nos últimos anos ? Não me parece….

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EdsonLuiz.

12 de junho de 2021 às 15h13

Peço desculpas por ocupar o espaço com a queixa a seguir:

Verifiquei em posts passados que o repostador alexandre neres tem me atacado com agressões pessoais, em vez de se manter no âmbito da análise e opinião sobre os temas tratados.

Os ataques levianos e pessoais de alexandre neres contra mim , e não é só contra mim que ele se arremete, mas contra qualquer um que busque desmascarar as imposturas do PT, não me surpreende. Esse tipo de ataque leviano e pessoal usando mentiras e alegações distorcidas são típicos de militantes fanatizados, sejam fanáticos de esquerda ou de direita.

Dentre outras distorções alexandre neres (ou seria bolsoneres) afirma que eu sou ligado ao Partido Cidadania e faz outras menções sobre partidos e ideologias. Faz mensão também ao ex-juiz Sérgio Moro, mas é mensão que nem vou comentar, afora observar que, se obrigado a escolher entre Sérgio Moro e alexandre bolsoneres, ficaria com o ex-juiz. Ele pelo menos combateu a corrupção, e num imenso trabalho, apesar de inobservâncias acessórias cometidas.

Abstraindo do fato de que eu não considero alexandre bolsoneres capaz de abordar essas questões, a não ser pela repetição do que ele decora e de como ele entende a partir de suas leituras em fontes duvidosas como o panfleto Brasil247 e outros, observo:

Não tenho e nunca tive ligação com o Partido Cidadania. Já mais de uma vez comentei aqui que fui eurocomunista ligado ao antigo PCB, mas já na vida adulta me distanciei e quando da transformação do PCB antigo no Partido PPS, hoje Partido Cidadania, não acompanhei por avaliar que, não tendo fodça suficiente, aquele lartido tenderia a se tornar mais uma federação de candidatos.

O que faço aqui em ‘ocafezinho’ é comentar que, nl quadro partidário brasileiro atual, só tenho respeito pelo PSOL e pelo Partido Novo, um partido de esquerda e outro de direita, e comento o motivo do meu respeito. Sendo um ppartido de esquerda, do PSOL só tenho que respeitar sua orientação majoritária e coerentemente marxista. Nào posso esperar e querer que minhas posições liberais, que no PSOL são minoritárias, ali prevaleçam. Do mssmo modo, o Partido Novo é um partido de direita. A hegemlnia no Novo é o conservadorismo, não posso esperar que o liberalismo, ali minoritário, prevaleça.

E manifesto sempre meu desejo de que, a partir da candidatura de Ciro Gomes a presidente, e como um dos grandes legados dessa candidatura, as forças social- democratas do PSB, do PDT, do Cidadania, do Rede, do PV e quadros social democratas que estão no PCdoB, no PSDB e em outros partidos, e que eu chamo de fragmentos social-democratas se unam e constituam um partido verdadeiramente de Centro-esquerda no Brasil.

De fato, o que acho é que o Brasil merece e precisa sair dessa miséria partidária em que vive, e que resulfa dm Lula e em bolsonaro, e passe a ter partidos coerentes, um partido de cada jm dos sabores ideológicos. Para a esquerda já temos o PSOL, para a direita já temos o Novo, eu acho que faltam partidos coerentes para os outros quatro sabores.

Responder

    EdsonLuiz.

    13 de junho de 2021 às 10h49

    Corrigindo: menção, não mensão.

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Hilario

12 de junho de 2021 às 13h05

A dinamica politica de Lula e achar uma saida para nao se candidatar e nao passar vergonha em publico.

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    Victor

    13 de junho de 2021 às 09h51

    Realmente você faz jus ao seu nome. Parabéns.

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Zulu

12 de junho de 2021 às 13h04

“Frente ampla” agora virou “frente estreita”…? Kkkkkkkkk

Nao sabem mais que besteiras inventar….

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Ronei

12 de junho de 2021 às 13h01

Ninguem sabe melhor que Lula que nao tem chances de ganhar em 2022 por tanto nos resta aguardar a mentira que ele ira contar para nao se candidatar e colocar outro poste no lugar dele.

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