Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Análise do relatório completo da pesquisa Quaest

Por Redação

08 de julho de 2021 : 16h57

Damos continuidade neste post à análise da pesquisa Genial Investimento / Quaest, que iniciamos ontem.

Tivemos acesso há pouco ao relatório completo, cuja íntegra pode ser baixada aqui.

Vamos tratar aqui apenas dos números que não analisamos ontem.  Faremos comentários após os gráficos.

Pesquisa de intenção de votos em 2022

67% dos entrevistados disseram que “não votam em Bolsonaro”, e apenas 9% disseram que votam no presidente em função de seu “ótimo trabalho”. Outros 22% dizem que votam nele pelas seguintes razões:  1) “não quer que o PT volte ao poder (9%); 2) afastar o comunismo/ditadura do Brasil (8%); 3) não quer que Lula volte a ser presidente.

A fragilidade de Bolsonaro é enorme: ele tem poucos eleitores que votam nele apenas por seus méritos. O próprio Bolsonaro parece ter consciência disso, ao enfatizar, em sesus discursos no cercadinho, que seu maior consolo é pensar em quem estaria sem seu lugar, caso não tivesse vencido as eleições.

Os cenários de segundo turno confirma a desidratação profunda de Bolsonaro também no segundo turno. Ele perde de Lula por 54% X 33, mais de 20 pontos de vantagem para o petista.

Bolsonaro também perderia para Ciro Gomes, por 44% X 36%. Contra outros candidatos, ele ganharia, mas de maneira apertada.

No gráfico sobre o conhecimento dos candidatos, impressiona o fato de Lula, mesmo fora do poder há mais de 10 anos, continua sendo bem mais conhecido que Bolsonaro, o presidente atual.  Segundo a pesquisa, 69% dos brasileiros “conhecem muito” Lula, contra 51% que disseram o mesmo sobre Bolsonaro.

A diferença em relação a outros candidatos é imensa: apenas 5% disseram “conhecer muito” Ciro Gomes.

Quanto a chance de voto, impressiona igualmente a diferença entre Lula e Bolsonaro. Enquanto 56% dos entrevistados afirmaram que votariam com certeza ou poderiam votar em Lula, apenas 37% disseram o mesmo de Bolsonaro. Ciro Gomes, nesse quesito, está à frente de Bolsonaro: 38% responderam que podem votar nele.

Avaliação do governo

Segundo a pesquisa, para 49% dos entrevistados, o governo Bolsonaro é pior ou muito pior do que se esperava, ao passo que apenas 20% disseram que é melhor ou muito melhor do que se esperava.

Impressiona os 67% dos entrevistadores que disseram desaprovar o comportamento do presidente Bolsonaro.

A desaprovação ao governo também é extremamente elevada, embora menor, de 57%.

O governo tem avaliação razoável, todavia, entre seus próprios eleitores: 47% de positivo. Entre quem votou em Haddad, tem apenas 4% de positivo. Entre brancos e nulos, tem apenas 9% de avaliação negativa. Entre quem não votou, 20% de positivo.

Essa é mais uma pesquisa a confirmar que Bolsonaro hoje tem avaliação negativa também entre evangélicos: 36% tem avaliação negativo do presidente, contra 32% de avaliação positiva.

Alguns analistas especializados no tema da religião tem alertado o campo democrático para o fato de que existe uma diferença importante entre o pensamento do fiel e a postura das lideranças religiosas. Os fieis costumam ser mais moderados e menos “radicais” de um lado e para outro, e tem certo grau de independência em relação à pregão dos líderes.

Os dados referentes à renda também são importantes, porque demonstram que Bolsonaro perdeu prestígio tanto na base da pirâmade social, entre famílias de baixa renda, como junto à classe média mais instruída.

Outro dado importantíssimo para entender o derretimento de Bolsonaro é sua rejeição crescente entre eleitores mais instruídos, com ensino superior incompleto ou mais. Entre esses, Bolsonaro tem 24% ede aprovação e 49% de rejeição. Entre os menos instruídos, Bolsonaro tem aprovação positiva de 22%. Ele tem uma performance melhor entre eleitores com ensino médio incompleto ou completo, entre os quais tem 32% de aprovação. Mas a tendência é que a rejeição junto à camada superior contamine essa também.

Em 2018, Bolsonaro era um fenômeno entre a juventude. Não é mais. O presidente saiu de moda. Entre jovens até 24 anos, ele tem sua pior avaliação, com 18% de aprovação positiva e 50% de negativa.

Bolsonaro é rejeitado junto a eleitores de ambos os sexos, mas entre mulhares, tem apenas 22% de avaliação positiva, contra 48% de negativa, percentuais que mudam para 31% e 39% entre homens.

Bolsonaro agora tem “déficit” em todas as regiões. É melhor avaliado no Sul, todavia, onde tem 32% de positivo e 34% de negativo. No Sudeste, porém, região com os maiores colégios eleitorais do país, ele tem 45% de negativo e 28% de positivo.

Problemas nacionais

Bolsonaro julgou mal a preocupação do eleitor com o vírus. Para os eleitores, o principal problema do país é a pandemia. Em seguida vem a saúde e o desemprego. A corrupção caiu para o quarto lugar.

O otimismo do brasileiro, que sempre foi impressionante, hoje está limitado a 38% dos brasileiros. Outros 59% estão neutros ou pessimistas.

Entre os pessimistas, 70% pretendem votar em Lula no segundo turno, contra apenas 15% em Bolsonaro.

Entre os otimistas, porém, Bolsonaro ganha de 53% a 39%.

Entre os neutros, Lula ganha com força, por 59% X 24%.

A esperança é a última que morre. Para 56%, o Brasil vai conseguir gerar mais empregos.

Sobre a inflação, porém, uma maioria de 64% é bastante pessimista.

É impressionante como o PT se mantém como o único partido de expressão, quando se pesquisa identidade partidária. Segundo a Quaest, 17% dos brasileiros afirmaram se identificar com o PT. Por outro lado, é também o único partido que experimenta rejeição: 22% disseram rejeitar a legenda. Esses números provam a tese de alguns cientistas políticos que estudam o tema, de que o antipetismo nasce, em grande parte, como uma consequência da própria força do partido.

Vale notar ainda que 57% dos entrevistados disseram que  “rejeitam” todos.

Sobre as duas principais figuras políticas, Lula e Bolsonaro, o gráfico logo acima mostra que o atual presidente tem muito mais rejeição que o petista.

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1 comentário

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Paulo

08 de julho de 2021 às 19h40

O PT tem mais rejeição que identificação, por parte dos brasileiros, é bom notar. Ou seja, eu prefiro acreditar que há uma carência, dentre os eleitores, de partido com o qual se identificar, à direita e ao centro. O PSDB representou esse contraponto ao PT, durante certo tempo, mas se desgastou. Provavelmente, não haverá partidos orgânicos de direita e centro, por um bom tempo. Isso significa que as candidaturas adversárias do PT terão que surgir mais no modo “off road”, ao estilo Bolsonaro (que está queimado), ou de vacância de candidato considerado em si próprio (será eleito aquele que puder impedir a vitória petista, qualquer que seja, que passar pro 2º turno).

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