Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Imagem: Divulgação

Análise: Ceará Hollywood

Por Gabriel Barbosa

15 de julho de 2022 : 13h48

Há quem pense que o drama e o suspense que envolvem a indicação do PDT ao governo do Ceará, não passaria de encenação. Em um roteiro de conspiração, digno de um premiado 007, a ideia seria manter a pauta diária da chapa governista, ao mesmo tempo que esvaziaria a agenda do opositor Capitão Wagner.

Acredite, Wagner é o menor dos problemas nessa história.

Prova que a crise no PDT é real seria o partido a maior escola qualificada no mundo na formação de atores, tudo “made in Ceará”. Estariam protagonistas, antagonistas, coadjuvantes e até figurantes nesse processo de escolha de candidatura ao Palácio da Abolição desperdiçando tempo com a política, ao invés de faturar milhões de dólares em Hollywood, com o direito da fama e de liderar qualquer causa social sem nenhuma rejeição.

O imaginário daqueles que acreditam na encenação é justificado na repetitiva estratégia eleitoral dos irmãos Ferreira Gomes, que sempre se dividem entre as duas maiores candidaturas aliadas em disputa.

Quem não lembra da eleição à Prefeitura de Fortaleza, em 2008, quando o então governador Cid Gomes manteve o apoio à reeleição de Luizianne Lins, enquanto Ciro debandou para a candidatura Patrícia Saboya? Sim, a então candidata pedetista é mãe de filhos de Ciro. Mas, quando foi mesmo que isso já contou alguma vez no frio jogo da política?

Mais recente, tivemos o aceno do eleito senador Cid Gomes a um possível apoio a Bolsonaro, no segundo turno, diante da declaração “Lula está preso, babaca”! Enquanto isso, seria natural Ciro anunciar o apoio ao professor Haddad. A indiferença de Bolsonaro teria resultado na ida de Ciro a Paris. Não haveria de arriscar tudo em um só cavalo.

Mas, os irmãos se dividiriam dentro do próprio partido? Há de se atentar para novos tempos…

No quadro atual, temos Ciro Gomes mergulhado na pré-candidatura de Roberto Cláudio, enquanto Cid se mantém em silêncio. Se o som do silêncio não ecoa entre os menos antenados, eis Ivo Gomes fazendo valer o apoio a Izolda Cela.

E, nesse arco de encenações, ficaria até difícil escolhermos o melhor filme, o melhor diretor, o melhor ator, a melhor atriz… Essa última estatueta não necessariamente caberia a Izolda Cela, apesar de única mulher na trama. E isso, talvez, explicaria uma possível escolha por Roberto Cláudio, ora melhor protagonista, ora melhor “meu malvado favorito”.

Apesar de se colocar protagonista na escolha da candidatura do PDT ao governo do Ceará, Ciro Gomes terá que escolher entre melhor roteiro ou coadjuvante nesse processo. Por certo, o homem que já foi deputado estadual, deputado federal (o mais votado no país), prefeito de Fortaleza, governador, ministro da Fazenda, ministro da Integração Nacional e candidato a presidente do Brasil, em três eleições, relutaria em abrir mão do protagonismo para um mero papel de coadjuvante.

Esquece, porém, que a estatueta não é uma das mais menosprezadas, pois já foi disputada por Robert De Niro, Anthony Hopkins, Paul Newman, Robin Williams, Denzel Washington, George Clooney, Tom Hanks, Brad Pitt, Tom Cruise, Sylvester Stallone, Jack Nicholson e Al Pacino, todos um dia já protagonistas.

Assustador é o papel de figurante do prefeito Sarto nesse processo. Pior, sem chance de estatueta.

Não fosse o roteiro de drama e suspense do próprio processo de escolha da candidatura do PDT, o melhor filme poderia ficar mesmo com a trama de Cid Gomes: “Sujeito Oculto”.

Luiz Cláudio Ferreira Barbosa é sociólogo e gerente-executivo da Consultoria LCFB

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM. Pós-graduando em Comunicação e Marketing Político.

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2 comentários

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Max

15 de julho de 2022 às 21h32

Cafezinho esfriou .

Infelizmente mais um dominado .

Virou Mais do mesmo.

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Saladino

15 de julho de 2022 às 19h33

“O que foi que você tomou?”, diria Caio Fernando Abreu em Morangos Mofados.
Não há trama nem enredo.
Muito menos conspirações cinematográficas.
Somente a decisão de Lula já tomada de eliminar os Ferreira Gomes da face da Terra.
Até o mundo protozoário sabe que no PT ninguém dá um pio, um olhar de esguelha sequer, um suspiro, senão com a benção expressa do Aiatolá do ABC.
O deputado, cujo assessor sumiu da Terra do Sol, ninguém mais sabe, ninguém mais viu, até já se apresentou como nome para a cabeça de chapa.
Talvez o assessor abduzido reapareça durante a campanha, quem sabe, com alguma mala voadora ou cueca devidamente vermelha.
Camilo cumpre o seu destino shakespeariano: “a faca nas costas”.

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