Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Foto: Divulgação

Confira a análise de Lavareda sobre a última pesquisa XP/Ipespe

Por Redação

25 de julho de 2022 : 11h02

Por Antonio Lavareda

DECORRIDOS 53 DIAS DO LEVANTAMENTO ANTERIOR, BOLSONARO AVANÇOU UM PONTO NO PRIMEIRO TURNO ESTIMULADO ( FOI DE 34% A 35%) E UM NO SEGUNDO (DE 35% PARA 36%). ENQUANTO LULA RECUOU UM PONTO NO PRIMEIRO TURNO ( DE 45% PARA 44%), MANTENDO 53% NO SEGUNDO.

A atual distância entre eles – nove pontos no primeiro turno, quase metade da observa-da na segunda volta – é a menor desde junho do ano passado. Porém, para inverter o jogo o Presidente necessita acelerar muito mais.

Se o ritmo de recuperação que apresentou nesses quase dois meses fosse o mesmo até 2 de outubro, ele só conseguiria subtrair três pontos da atual diferença, chegando às urnas ainda seis atrás de Lula, cerca de 9 milhões de votos.

Na terceira posição, Ciro continuou com 9%; Simone subiu um ponto, para 4%; o mesmo ocorrendo com Janones, que passou para 2%; Felipe e Marçal repetiram o 1% da rodada anterior; e os demais não alcançaram 0,5%.

2.NOS DEMOGRÁFICOS, É, BASICAMENTE, O PLACAR ENTRE OS + JOVENS (16-34 ANOS) ONDE LULA SUPERA NO 1º TURNO BOLSONARO POR 50% A 27%; NAS MULHERES, EM QUE LULA TEM 48% E BOLSONARO 30%; E NA FAIXA DE 0-2 SM, COM LULA MARCANDO 51% CONTRA 28% DE BOLSONARO, O QUE EXPLICA A LIDERANÇA DO EX-PRESIDENTE.

3.AVALIAÇÃO E APROVAÇÃO DO INCUMBENTE SE ENTRELAÇAM COM O VOTO. GOVERNO GANHA UM PONTO NA AVALIAÇÃO POSITIVA ( ÓTIMO/ BOM VAI DE 31% A 32%) E NA APROVAÇÃO ( DE 35% A 36%).

A opinião negativa (Ruim/ Péssima), (agora 49%) foi reduzida simetricamente, bem como a Desaprovação – que mediu 59%, pela primeira vez em um ano vindo abaixo dos 60%. Eu já comentei que desde o final do primeiro trimestre, com a campanha francamente antecipada, a diferença entre os valores assumidos por essas variáveis e os da intenção de voto do Presidente vem se desvanecendo, o que em outros pleitos só ocorre bem mais adiante.

No Brasil, a avaliação dos Presidentes, Governadores e Prefeitos costuma melhorar em junho/julho dos anos de eleição, capitalizando os intensos investimentos publicitários deflagradas até 30 de junho, prazo limite da legislação eleitoral.

Da mesma forma, e pelo mesmo motivo, cresce nesse período o volume de inaugurações e atos oficiais, tudo junto contribuindo para acentuar o que a ciência política denomina “a vantagem do incumbente” – uso da máquina, além do manejo da agenda pública, que os governantes detém.

Esse fator, nesse ano especificamente, foi reforçado pela ofensiva vitoriosa do Presidente e seus aliados no Congresso para baixar o preço dos combustíveis em junho, e sobretudo pela viabilização da PEC que em julho atropelou pela primeira vez na história o período de vedação legal e criou novos benefícios pecuniários para diversos segmentos do eleitorado. Esses fatos alimentaram a expectativa de um movimento ascensional mais vigoroso na curva de aprovação do Governo, ainda não confirmada nesse levantamento.

A esperança do campo oficial mira, então, em eventuais mudanças no humor dos que receberão o primeiro pagamento do auxílio turbinado, uma vez lhes chegando às mãos no início de agosto.

4.BIPOLARIZAÇÃO NÃO ARREFECE; AUMENTA O GRAU DE INTERESSE NO PLEITO, DE 69% PARA 71%; E OS DOIS LÍDERES CONCENTRAM 70% DO VOTO ESPONTÂNEO – OS DEMAIS SOMADOS NÃO CHEGAM A 10%.

Lula aparece com 40% e Bolsonaro com 30%, ambos ganhando um ponto e voltando ao que tinham em maio.

Ciro oscilou para baixo, com 4%; Simone e Marçal comparecem com 1%; nenhum dos outros dessa feita registra 0,5% de menções.

5.E COMEÇA A ESCALADA DA REJEIÇÃO DOS MENOS VOTADOS. À MEDIDA QUE VÃO SE TORNANDO MAIS CONHECIDOS, SEUS PERCENTUAIS DE “ NÃO VOTARIA DE JEITO NENHUM” CAMINHAM PARA ULTRAPASSAR OS 40%.

O quadro abaixo, comparando dados da pesquisa anterior e da atual, evidencia a correlação entre a redução do desconhecimento e o aumento da rejeição dos nomes menos competitivos.

Simone, Janones, Felipe e Luciano transportaram para a rejeição todo o montante de conhecimento que conseguiram adquirir – por meio de viagens, entrevistas e comerciais partidários – no intervalo dos levantamentos. Já o potencial de voto (“votaria com certeza”+“poderia votar”) ficou estável para Felipe, e recuou no tocante à Simone, Janones e Luciano. Quanto a Lula, Bolsonaro e Ciro, conhecidos por quase 100% dos entrevistados, as atitudes aparecem “engessadas”, com movimentos muito discretos.

O potencial de Lula declinou um ponto no período e a rejeição continuou igual. Em movimento inverso, o potencial de Bolsonaro cresceu um ponto e sua rejeição diminuiu na mesma proporção.

Ciro veio dois pontos abaixo no potencial, manteve o nível de rejeição e, o que é raro acontecer, cresceu dois pontos o montante dos que disseram ainda não “conhecê-lo o suficiente”. FALTAM 69 DIAS PARA O PRIMEIRO TURNO.

Antonio Lavareda é cientista político, sociólogo e diretor do Ipespe

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Antonio Celso Brandão

27 de julho de 2022 às 09h29

Esses analistas esquece de um simples detalhe: Quem vota no PT não muda de voto. portanto Lula jamais cairá nas pesquisas.

Responder

Luan

25 de julho de 2022 às 21h56

Esse cara da foto tá olhando para quem…? Kkkkkkk

Onde conseguem arrumar tantos destrambelhado s ?

Responder

Tony

25 de julho de 2022 às 21h38

Para quem está na dúvida se acreditar ou não nas pesquisas basta olhar para a cara desse sujeito…kkkkkkkkkk

Responder

Luís Castro

25 de julho de 2022 às 21h24

Só pode ser piada fazer análise de uma pesquisa que aponta Bozo subindo uma enormidade 1 ponto e Lula despencando ladeira abaixo 1 ponto. No segundo turno Bozo também cresce 1 e Lula fica no mesmo índice anterior já a rejeição do genocida despenca de 60 para 59. Tinha que ser o Labareda ou coisa parecida para fazer com aquela cara de paspalho tal “análise”. Depois querem ser levado a sério.

Responder

Deixe um comentário

O Xadrez para Governador do Ceará Lula ou Bolsonaro podem vencer no 1º turno? O Xadrez para Governador de Santa Catarina