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Jair Bolsonaro e os R$ 800 mil: movimentações suspeitas e investigações

No final de dezembro de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro realizou uma transferência de R$ 800.000,03 para uma conta nos Estados Unidos. Essa operação chamou a atenção das autoridades brasileiras e levantou suspeitas de possíveis atividades ilícitas, incluindo ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal, ao investigar o caso, descobriu que essa […]

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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

No final de dezembro de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro realizou uma transferência de R$ 800.000,03 para uma conta nos Estados Unidos. Essa operação chamou a atenção das autoridades brasileiras e levantou suspeitas de possíveis atividades ilícitas, incluindo ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal, ao investigar o caso, descobriu que essa transferência possuía características que poderiam indicar tentativas de evitar a rastreabilidade de fundos e assegurar a permanência de Bolsonaro no exterior durante um período de instabilidade política no Brasil.

A Transferência Controversa

Em 27 de dezembro de 2022, Jair Bolsonaro transferiu R$ 800.000,03 de sua conta no Banco do Brasil para uma conta no BB Américas. A operação, que converteu o valor para aproximadamente USD 151.423,37, chamou a atenção das autoridades pela falta de movimentação subsequente. Segundo os documentos da Polícia Federal, o saldo da conta no BB Américas permaneceu inalterado até abril de 2023, sugerindo uma tentativa de esconder os fundos.

Essa transferência de R$ 800 mil foi revelada no ano passado pela imprensa. A defesa de Bolsonaro alegou que a transferência foi uma medida de precaução econômica, citando um “receio de explosão do dólar” e instabilidade do mercado financeiro brasileiro após a eleição de 2022. No entanto, a versão apresentada pela Polícia Federal contradiz essa justificativa, sugerindo que a quantia foi enviada para garantir a permanência de Bolsonaro nos EUA durante uma tentativa de golpe de Estado no Brasil​.

Registros de Marcelo Câmara

O que torna essa transferência ainda mais intrigante é o fato de que um valor aproximado ao transferido consta nos registros de Marcelo Câmara, assessor próximo de Bolsonaro, no controle de prestação de contas para abril de 2023. Este detalhe sugere uma possível coordenação entre as movimentações financeiras de Bolsonaro e seus assessores mais próximos, aumentando as suspeitas de ocultação de patrimônio.

Suspeitas de Ocultação e Lavagem de Dinheiro

A Polícia Federal tem uma interpretação diferente das motivações por trás dessa transferência. A corporação suspeita que a quantia foi enviada para garantir a permanência de Bolsonaro nos EUA durante uma tentativa de golpe de Estado no Brasil. Trechos do relatório da PF indicam que a transferência de recursos, tanto lícitos quanto ilícitos, visava assegurar a sua permanência no exterior enquanto esperava os desdobramentos políticos e legais.

De acordo com a PF, a transferência de R$ 800 mil para uma conta no BB Américas, realizada em dezembro de 2022, resultou em aproximadamente USD 151.423,37. Os registros indicam que o saldo permaneceu inalterado até abril de 2023, sugerindo falta de movimentações financeiras no período. Isso levanta suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos, principalmente em função da possibilidade de os fundos terem sido utilizados para despesas em espécie nos EUA. A análise das movimentações financeiras de Bolsonaro sugere que o ex-presidente não utilizou recursos depositados em suas contas oficiais para custear seus gastos durante a estadia no exterior, indicando potencial uso de recursos de origem ilícita.

Venda de Relógios de Luxo

Outra peça do quebra-cabeça financeiro envolve a venda de relógios de luxo desviados do acervo público brasileiro. Em junho de 2022, a conta de Lourena Cid no BB Américas recebeu US$ 68.000,00 pela venda de dois relógios de marcas prestigiadas, como Rolex e Patek Philippe. Esta transação, conforme os documentos, reforça a suspeita de que parte dos recursos transferidos para os EUA pode ter origem em atividades ilícitas.

O inquérito da Polícia Federal indica que “o pagamento foi realizado pela empresa PRECISION WATCHES INCORPORATED, tendo como beneficiário a pessoa de MAURO CID (MAURO CESAR LOURENA CID), endereço: 7317 NW 113th, PI, Miami, Florida 33178, conta bancária: 1000015691, Code: 067012688, Banco BB Américas. O documento comprovou que o pagamento se referiu à negociação envolvendo a venda de dois relógios: ROLEX DAY-DATE e PATEK PHILIPPE, desviados do acervo público brasileiro.”

Implicações Políticas e Legais

As revelações sobre a transferência dos R$ 800 mil e as movimentações subsequentes têm profundas implicações políticas e legais para Jair Bolsonaro. A suspeita de que os recursos foram destinados a financiar uma permanência no exterior durante um período de instabilidade política e potencial golpe de Estado adiciona uma nova camada de complexidade às investigações em curso.

A defesa de Bolsonaro argumenta que a transferência foi uma medida prudente de gestão financeira em resposta ao cenário econômico incerto. No entanto, as autoridades continuam a investigar as circunstâncias e a finalidade real desses recursos, buscando esclarecer se houve alguma intenção de burlar o sistema financeiro e ocultar patrimônio ilícito.

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Cleber Lourenço

Defensor intransigente da política, do Estado Democrático de Direito e Constituição. | Colunista n'O Cafézinho com passagens pelo Congresso em Foco, Brasil de Fato e Revista Fórum | Nas redes: @ocolunista_

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Comentários

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Tiago Silva

09/07/2024 - 20h51

Apenas o fato de surrupiar relógios para vender por mais de R$ 350 mil nos EUA já demonstraria que Bolsonaro vai ter que responder por crime de corrupção…

Nenhuma novidade pelo histórico, mesmo que alguns fazem de tudo pra não querer ver!


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